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    A narrativa de A. Gordon Pym (Prosa do Mundo) -

    Edgar Allan Poe

    Cosac Naify
    2002
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-10: 8575031082
    Português Brasileiro
    4
    227 avaliações
    Leram372Lendo18Querem345Relendo2Abandonos18Resenhas17
    Favoritos18Desejados345Avaliaram227

    Único romance escrito pelo norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849). A personagem Arthur Gordon Pym relata sua viagem aos mares austrais e todas as desventuras ocorridas na aventura. Entre as muitas interpretações, Poe faz um retrato do rito de passagem para a idade adulta. O livro conta com uma introdução escrita por Dostoievski, um apêndice de Baudelaire e sugestões de leitura.

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    Resenhas (17)Ver mais
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    Régis Maz22/09/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Uma aventura envolvente e visceral

    Vou iniciar esta resenha dizendo que foi muito bom ler este livro após ter lido No Coração do Mar. Assim, pude identificar paralelos entre os eventos reais vividos pelos tripulantes sobreviventes do naufrágio do Essex em 1820 e a história desenvolvida por Poe sobre Pym, Dirk Peters, Augustus e Richard Parker a bordo do baleeiro Grampus, publicada em 1838. A história começa como se fosse um relato verídico narrado em primeira pessoa e intercalado com anotações semelhantes a um diário de viagens. Pym descreve seu embarque clandestino no navio com a ajuda de seu melhor amigo Augustus (filho do capitão do baleeiro), descreve também o motim a bordo, a tempestade monstruosa que enfrentaram, o naufrágio, a fome, a sede, os tubarões, o canibalismo, o encontro com um navio fantasma à deriva, o resgate por outro baleeiro (o Penguin) e suas viagens em busca de alcançar a Antártida. A narrativa me manteve envolvida do início ao fim, apesar de alguns elementos que me fizeram revirar os olhos e tiraram um pouco da imersão. Por exemplo, a ausência de um tanque de ferro no Grampus para armazenar o óleo das baleias que supostamente iriam caçar, alguns desmaios pouco convincentes do protagonista, o clichê de perder a voz nos momentos mais inoportunos e o surgimento repentino do cachorro do protagonista a bordo do navio, que é retirado da história sem qualquer explicação (simplesmente para de ser mencionado após o naufrágio, possivelmente por esquecimento do autor). Além disso, o motim apresenta um aspecto totalmente inverossímil para mim: por que os amotinados matariam 22 homens e deixariam os cinco restantes, incluindo o capitão e seu filho, vivos? Afora essas pequenas falhas, a história é extremamente envolvente. O narrador protagonista é cativante, assim como seus companheiros de aventura. Edgar Allan Poe possui uma escrita fluída e envolvente, e, na obra em prosa mais extensa publicada por ele, demonstra uma habilidade impressionante e convincente em imaginar uma jornada de muitos meses no mar com notável nitidez. A história tem um ótimo ritmo, mas o final deixa um gostinho de incompletude. Sinceramente, eu adoraria que a narrativa continuasse. O relato de Pym é uma mistura de livro de memórias com aventura marítima, diário de viagens com um toque de ficção sobrenatural. E ainda há "verbetes" inseridos ao longo da história e, principalmente, durante a segunda metade, imagino eu, para dar credibilidade à afirmação do autor de que esse era um relato verossímil. Li que o livro foi muito criticado por suas passagens de extrema violência e imprecisões náuticas, e para uma história que se vendia como uma sóbria verdade, isso não foi muito bom. Entretanto, o livro foi lido por Júlio Verne, que gostou tanto que escreveu uma sequência em 1897 com o nome de Mistério Antártico. Só assim Poe ganhou o reconhecimento merecido por seu livro. Este livro foi uma grata surpresa para mim. Adorei encontrar uma ficção marítima que se encaixasse tão bem com os últimos livros do gênero que li. O ritmo e a experiência visceral em determinados momentos da narrativa me conquistaram e tornaram A Narrativa de Arthur Gordon Pym um ótima leitura de aventura. Recomendo a todos que curtem aventuras marítimas.

    70 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 227
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
    Edgar Allan Poe profile picture

    Edgar Allan Poe

    Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou órfão ainda criança e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgínia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos. Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola. A seguir, verificou-se um período ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu país em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na célebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina. Com a morte da mãe adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Após um período de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager". O fundador da publicação, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se impôs ao público. Durante dois anos, Poe esteve a frente do periódico, onde pôde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crítica literária que revelavam seu rigor e sensibilidade estética. Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relações com o escritor, que já desenvolvera a doença do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudável, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida. A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a suicidar-se aos poucos, bebendo cada vez mais e já sofrendo os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos. Hoje Poe é um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histórias Extraordinárias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.

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    Massachusetts, Estados Unidas

    Edgar Allan Poe