É muito difícil encontrar palavras para descrever o que foi essa leitura. Nesse momento, quando eu finalmente comecei a escrever depois de encarar a tela do computador por uns bons 10 minutos, estou no mesmo estado emocional no qual eu me encontrei logo após ler a última linha de The Stone Sky: uma pilha de sentimentos contraditórios. Estou feliz por ter amado o livro, triste porque acabou, satisfeita com o final, morrendo de vontade de saber o que acontece depois. Não faz sentido, mas é uma situação que combina com o livro, pois The Stone Sky é, acima de tudo, uma narrativa extremamente humana, e não existe nada mais humano do que um comportamento contraditório.
Se, por um lado, os dois primeiros volumes da trilogia tiveram como tema principal a forma que a desigualdade existente no mundo pode afetar uma pessoa; por outro, The Stone Sky trata do que o indivíduo atingido deve fazer com a dor que lhe foi imposta e com a sociedade que a impôs. Acho que é evidente o quão injusta essa situação é: por ser tratada de forma inferior, uma pessoa é obrigada a lidar com as consequências disso e a fazer escolhas extremamente difíceis. Afinal, por que salvar um mundo que te vê como algo inferior? Não seria melhor destruir tudo? Algumas coisas não podem ser consertadas.
Mas outras podem. E é aí que vem a contradição incrível desse livro. É estranho dizer que um livro permeado por tanta raiva e dor também possua esperança, mas essa é a verdade quando se trata de The Stone Sky. Há esperança nos laços que Essun desenvolveu com outros personagens, há esperança até nos laços que ela perdeu. E há esperança para o mundo, também, mesmo que a mudança seja algo milhões de vezes mais difícil que a destruição.
Antes, mencionei que não há nada mais humano que o comportamento contraditório. Agora, eu acrescentaria que, entre os comportamentos contraditórios que um ser humano pode ter, um dos principais é querer mudar o mundo apesar de diversas tentativas nesse sentido terem falhado durante a história. E é isso que The Stone Sky aborda de uma forma incrível.
Recomendo demais a leitura dessa trilogia. N. K. Jemisin fez algo realmente especial nesses livros. A forma que essa estória é contada é um diferencial incrível com relação a outros do mesmo gênero.
(Essa resenha ficou bem menor do que a maioria que eu faço, mas acredito que é porque, com The Stone Sky, me encontrei em uma situação de gosto-tanto-disso-que-não-consigo-encontrar-palavras-para-expressar-o-quanto-essa-coisa-é-especial-para-mim. Essas situações não são muito comuns para mim, porque encontrar palavras para falar sobre coisas é algo que eu amo fazer. Mas enfim. Acontece.)