Imagine que você é um beija-flor, batendo asas a 70, 80 batidas por segundo... indo de flor em flor para captar o nectar, aqui e ali, leve leve... tão leve que chega a irritar, mudando de posição tão rápido que mal se percebe o momento que se saiu de uma flor e se partiu para outra.
Isso é a escrita da Virgínia Woolf neste livro. Ela voa de um pensamento a outro, de um personagem a outro, leve, irritante e frenéticamente... é exaustivo acompanhar a linha de raciocínio que segue e segue e segue... 187 páginas de pensamentos de um único dia!
É poético, depressivo, luminoso ao mesmo tempo. Um dia na vida de Mrs. Dalloway, em que ela vai dar uma festa. Nada fora do comum, nada de especial, só as sensações, lembranças, as impressões das pessoas naquele dia.
Um livro bem interessante, é interessante também a quantidade de vezes que Virgínia Woolf se refere às ondas, ao mar, água, etc. Realmente, parece que ela sempre teve uma relação forte com o mar.
Fluxo de consciência é algo que me deixa profundamente incomodada. Não consigo acompanhar o pensamento deles, me perco nos meus e começo a achar que o autor é maluco, ou que eu estou começando a ficar maluca. Realmente me perturba ler qualquer coisa escrita desta forma. O que não significa que isso seja ruim.