Um antropólogo em Marte - Sete histórias paradoxais

    Oliver Sacks

    Companhia das Letras
    1995
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788571644724
    Português Brasileiro

    A partir do exame de casos clínicos extraordinários, como o de um pintor que passa a enxergar em preto e branco em razão de um acidente ou o do rapaz que só consegue se lembrar dos anos 60, o neurologista elabora uma fascinante teoria da inteligência. APRESENTAÇÃO O que têm em comum o pintor que, em decorrência de um acidente, passa a enxergar o mundo em preto e branco, o rapaz cujas únicas lembranças se restringem ao final dos anos 60 e o exímio cirurgião tomado por todo tipo de tiques (verbais e físicos) na vida cotidiana? Para o neurologista Oliver Sacks, esses não são apenas casos clínicos extraordinários. Antes de mais nada, eles dizem respeito a indivíduos cujas vidas, pressionadas por situações-limites (por vezes trágicas, em geral dramáticas), podem nos ajudar a compreender melhor o que somos. Em Um antropólogo em Marte, Sacks confirma a originalidade de sua prosa, já consagrada em Tempo de despertar e O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. Uma prosa que dá ao relato clínico a dramaticidade de um verdadeiro gênero literário. --x-- Para Oliver Sacks o paradoxo da doença está antes de tudo em seu potencial "criativo", na forma como ela pode revelar formas de vida e adaptações nunca antes imaginadas, numa espécie de reação positiva a sua devastação. No caso dos distúrbios neurológicos, o fenômeno torna-se ainda mais notável devido à eventual excentricidade e radicalidade dessas adaptações. Os sete casos clínicos narrados por Sacks neste livro são exemplos reais e extraordinários de pessoas que, em consequência de deficiências e distúrbios neurológicos, desenvolveram novas identidades, criarem novos mundos, "não apenas a despeito de suas condições, mas por causa delas, e até mesmo com sua ajuda". Esses casos podem incluir um pintor expressionista-abstrato que aos sessenta e cinco anos sofre um acidente de carro, passa a ver o mundo em preto-e-branco e é obrigado a reformular sua visão das coisas, sendo levado a criar uma nova arte. Ou uma mulher autista que não consegue compreender os sentimentos humanos (sente-se diante deles como "um antropólogo em Marte"), mas se torna uma especialista de renome internacional em comportamento animal. Sacks não reduz seus "casos" a objetos de estudo submetidos à óptica fria e objetiva da ciência. Trata-os, antes, com um olhar profundamente humano, como "personagens". Sua prosa transita no limite entre a realidade e a ficção, não por serem estes relatos algo mais do que absolutamente reais, mas porque Sacks se preocupa sobretudo com a dimensão humana, quase romanesca, dos indivíduos de que trata. Como G. K. Chesterton, citado no prefácio, ele não tenta colocar-se fora do homem para examiná-lo, mas em seu interior.

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    Patrick Borges13/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um Antropólogo em Marte

    Faz anos que eu queria ler algum livro do Oliver Sacks, pois me interessava pelo assunto que ele aborda em suas obras, e, nesse primeiro contato, a experiência foi muito positiva. Sacks é um neurologista que traz, em seus livros, alguns casos em que trabalhou ou estudou ao longo de sua carreira na área. A escrita dele é de fácil entendimento e bastante didática, o que fez com que eu logo me envolvesse nos casos apresentados. Neste livro, ele fala sobre os pacientes que observou in loco. Além de nos aprofundarmos nas condições desses pacientes, também conhecemos um pouco sobre a vida de cada um, entendendo as dificuldades que enfrentam e como fazem para superá-las. Dentre os casos que ele descreve, os que mais me tocaram foram: o do Pintor Daltônico, que trata de um pintor que, após um acidente de carro, perdeu a visão das cores fazendo com que sua vida mudasse drasticamente da noite para o dia; o do Último Hippie, um rapaz que, após desenvolver um tumor no cérebro, passou a apresentar diferentes condições, como cegueira e amnésia, ficando "preso" nos anos 70; e o caso de Virgil, que, depois de passar praticamente a vida inteira sem enxergar, voltou a ter visão após um procedimento, precisando "aprender" a enxergar novamente. Não menos importante, temos o caso que dá nome ao livro, o de Temple Grandin, uma mulher que apresenta um dos espectros do autismo, mas que não foi impedida de ter uma vida plena e ativa, chegando até a conquistar um PhD. Em todos os casos, percebo que o leitor pode estabelecer uma conexão com as histórias aqui descritas e sentir empatia pelas situações vividas pelos pacientes. Recomendo para quem tem interesse em entender um pouco mais sobre a complexidade do ser humano e as diferentes condições que podem acontecer com cada um de nós. Quero ler mais dele no futuro.

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