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    Dom Casmurro (Acervo #3) -

    Machado de Assis

    Carambaia
    2018
    334 páginas
    11h 8m
    ISBN-13: 9788569002376
    Português Brasileiro
    4.6
    62 avaliações
    Leram84Lendo5Querem37Relendo0Abandonos1Resenhas8
    Favoritos19Desejados37Avaliaram62

    Um dos romances mais importantes da literatura brasileira. Um dos escritores mais geniais do mundo. Um clássico para ser lido, relido, com inesgotável prazer. A história de Bentinho e Capitu, terceiro romance da chamada trilogia realista composta por Machado de Assis – constituída por Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891) –, é acompanhada pelo posfácio de Hélio Guimarães, professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP), editor da Machado de Assis em linha: revista eletrônica de estudos machadianos e autor de Os leitores de Machado de Assis – o romance machadiano e o público de literatura no século 19, entre outros livros sobre o escritor. O design da coleção é assinado pelo Bloco Gráfico, constituído por Gabriela Castro, Gustavo Marchetti e Paulo André Chagas. Os livros têm acabamento em brochura, formato 13x20 cm, e utilizam papéis especiais e certificados: o sueco Munken Print Cream 80 g/m2 no miolo e o escocês Pop Set Black 320 g/m2 na capa. Outro detalhe do volume é a inclusão de um fitilho bordado com o logo do Acervo.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 07/11/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obra-Prima

    De autoria de Machado de Assis, nosso maior escritor, “Dom Casmurro” é um dos grandes clássicos da literatura brasileira. Frequentemente escolhido como leitura obrigatória nos vestibulares, é praticamente impossível ultrapassar o ensino médio sem conhecê-lo. Sua história relata as memórias pouco confiáveis de um advogado cinquentão, Bento Santiago, que apresenta bons motivos para crer que foi traído pela esposa Capitolina ou Capitu com o melhor amigo, o comerciante Ezequiel Escobar. Aliás, até a paternidade do único filho ele coloca em dúvida. Tendo como cenário o Rio de Janeiro durante o Segundo Império, um dos temas abordados no romance é a moral da época, contudo também centralizam a atenção a ambiguidade de Capitu, o ciúme e, sobretudo, o caráter de Bentinho que já mereceu até estudos psicanalíticos. Aliás, é assídua a menção da rica intertextualidade do texto que vai de Schopenhauer a Goethe, merecendo destaque a tragédia “Otelo, o Mouro de Veneza”, de Shakespeare que é três vezes citada ao longo do texto, respectivamente nos capítulos LXII, LXXII e CXXXV. De acordo com John Gledson, um dos mais reputados estudiosos da obra machadiana, “Dom Casmurro” é um “romance realista voltado para a análise psicológica que critica ironicamente a elite carioca a partir do comportamento de determinadas personagens”. Exibindo traços românticos, como a fixação pelo olhar de Capitu, o professor de literatura Ian Watt também o considera próximo do impressionismo, ao recriar o passado através da memória de Bentinho. No entanto, alguns críticos contemporâneos, como Roberto Schwarz, afirmam que se trata da “primeira obra modernista brasileira, graças aos capítulos curtos, a estrutura fragmentária não-linear, o gosto pelo elíptico e alusivo, a postura metalinguística de quem escreve e se vê escrevendo, as intromissões na narrativa e a possibilidade de várias interpretações”. Quanto ao texto, o leitor pode encará-lo como um romance policial, investigando cada ação e desconfiando das declarações do narrador tal qual um detetive, a fim de crer ou não no adultério, pois são inúmeras as incongruências, atitudes incompreensíveis e enigmas. A bem da verdade, “Dom Casmurro” permite distintos entendimentos e cabe a cada um tirar suas conclusões quanto as personagens e o enredo. Por sinal, este é um aspecto recorrente na obra machadiana, todavia nem sempre o romance foi encarado desta forma. Durante décadas, houve certo consenso a respeito da infidelidade de Capitu, mas a ascensão do feminismo favoreceu um novo olhar para o livro e a brasilianista Helen Caldwell foi quem primeiro colocou Bentinho publicamente no banco dos réus. Em “The Brazilian Othello of Machado de Assis”, lançado em 196O, ela afirma que Capitu jamais o traiu, foi vítima de um marido tresloucado que induz o leitor a crer em suas palavras que não condizem com a verdade. Vinte e quatro anos depois, foi a vez de “The Deceptive Realism of Machado de Assis: A Dissenting Interpretation of Dom Casmurro” trazer outro entendimento. No livro, de autoria de John Gledson, Bentinho não é um novo Otelo que por ciúme destrói e difama a amada. “Mimado pela mãe, ele faz parte de uma família abastada e conservadora, logo a liberdade de opinião de uma mocinha moderna, filha de um vizinho pobre, prova ser intolerável. Neste sentido, os ciúmes condensam uma problemática social mais ampla, historicamente específica, e funcionam como convulsões de uma sociedade patriarcal em crise.” Quando o assunto parecia esgotado, uma matéria de Millôr Fernandes para a revista “Veja”, publicada em 26/01/2005, revelou uma leitura mais picante além de polêmica, causando até indignação por parte dos leitores. O escritor defende a ideia que tanto Capitu quanto Bentinho foram amantes de Escobar, inclusive, cita trechos do romance que indicariam a paixão do narrador pelo amigo. Segundo o historiador Marc Bloch: “o passado muda de acordo com o presente que o lê?”. Em pouco mais de um século, “Dom Casmurro” comprovou esta máxima, ao abarcar novas leituras conforme a sociedade foi se transformando, notadamente em relação a sexualidade e a condição feminina. Enfim, Capitu traiu, não traiu ou foi traída, qual é sua opinião?”

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    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis