Ajoelhe-se perante Cthulhu!
Se você nunca leu nada de Lovecraft, saiba que a maioria das produções de ficção científica ou de terror fazem algum tipo de menção a esse escritor e o motivo é bem simples - tudo começou como uma piada entre o autor e seu bando de amigos escritores de revistas pulp fazendo menções ao Necronomicon (o livro dos mortos) e aos deuses antigos. Os leitores começaram a se interessar por esse universo expandido e o autor, que nunca teve o reconhecimento merecido em vida, é hoje o criador do maior universo de terror já escrito.
Os contos desse volume seguem uma certa ordem cronológica, mas pode-se lê-los à escolha que não diminuirá em nada seu entendimento. São todos relatos que sempre levam em consideração alguns pressupostos básicos do estilo lovecraftiano: o personagem está ou vai estar insandecido, os seres humanos são incapazes de assimilar a grandiosidade dos deuses antigos, vamos todos morrer.
Lovecraft não era um autor de dar sustos, sua ideia era transmitir a pequenez do ser humano e um horror enlouquecedor. Suas descrições extendem-se por páginas tentando explicar o calor de uma cor, por exemplo, ou terminar com uma simples palavra, "indescrítivel". Como o narrador é quase sempre em primeira pessoa, mas não onisciente, muitas histórias terminam abruptamente.
Essa edição de luxo da Martin Claret foi uma óbvia tentativa de cativar os leitores habitais da Darkside. A capa é dura e as páginas internas são levemente esverdeadas. Ainda há um capítulo final do próprio autor falando sobre a tradição do terror na literatura.
O trabalho de tradução foi muito bom, assim como a revisão. Algo raro nas publicações atuais e que merece palmas.
Recomendo.