Parte I:
De certo modo, Bannon esperara toda a sua vida adulta por aquele momento. Aqui está a diferença, explicou ele. Vamos comparar e contrastar com Clinton. Eis o que você tem de se lembrar. Ele recitou um de seus mantras: As elites do país se sentem confortáveis em administrar o declínio. Certo?.
Trump concordou com a cabeça.
E os trabalhadores deste país não estão satisfeitos. Eles querem tornar a América grande novamente. Vamos simplificar a campanha. Hillary é a porta-voz de um status quo corrupto e incompetente de elites que se sentem à vontade em administrar o declínio. Você é o porta-voz do homem esquecido que quer tornar o país grande de novo. E vamos fazer isso com alguns poucos temas.
Número um, continuou Bannon, vamos impedir a imigração ilegal e começar a limitar a imigração legal para recuperar nossa soberania. Número dois, você vai trazer empregos de volta ao país. E número três, vamos sair das guerras injustas no exterior.
Não eram ideias novas para Trump. Uma semana antes, num discurso feito no Detroit Economic Club, em 8 de agosto, ele batera em todas aquelas teclas e acabara com Clinton. Ela é a candidata do passado. A nossa campanha é o futuro.
Esses são os três grandes temas em que Hillary não pode se defender, disse Bannon. Ela é parte daquilo que abriu as fronteiras, é parte daquilo que fez acordos de comércio ruins e deixou os empregos irem para a China. Ela é a neoconservadora. Certo?
Trump pareceu concordar que Hillary era neoconservadora.
Ela apoiou todas as guerras, disse Bannon. Vamos martelar nisso. É só. Insista nisso.
Bannon acrescentou que Trump tinha outra vantagem. Ele falava de um jeito que não parecia político. Era o que Barack Obama tinha feito em 2008 na disputa contra Hillary Clinton, que falou como a política treinada que era. Seu ritmo era excessivamente ensaiado. Mesmo quando dizia a verdade, ela parecia estar mentindo.
Políticos como Hillary não conseguem falar naturalmente, disse Bannon. Era um modo mecânico de falar, que vinha direto dos grupos de pesquisa e de discussão, de responder às questões em linguagem política. Era tranquilizante, não perturbava, não vinha do coração ou de uma profunda convicção, mas de pontos de discussão levantados por um consultor muito bem pago. Não era raivoso.
Trump disse: Tudo bem, então você passa a ser o diretor executivo da campanha.
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Parte II:
Um funcionário sênior da Casa Branca que falou na época com pessoas que participaram da reunião registrou o seguinte resumo: O presidente deu uma bronca e insultou o grupo inteiro falando que não sabiam nada sobre segurança nacional. Parece claro que muitos dos assessores seniores do presidente, especialmente os da área de segurança nacional, estão extremamente preocupados com a natureza errática dele, com sua ignorância relativa, com sua incapacidade de aprender e com os pontos de vista dele, que consideram perigosos.
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A discussão sobre comércio internacional se repetia. Mesmos argumentos, mesmos pontos, mesmas certezas dos dois lados. Depois de mais uma semana, ou mais um mês, teriam a mesma discussão.
Trump dizia repetidas vezes que ia romper acordos comerciais e impor tarifas. Várias vezes falava Vamos fazer, e pedia um documento para assinar.
Temos que fazer com que ele pare de pensar no Korus, Porter disse a Cohn.
Temos que fazer com que ele pare de pensar no Nafta, Cohn concordou.
Pelo menos duas vezes, Porter escreveu esboços seguindo ordens do presidente. E pelo menos duas vezes Cohn ou Porter tiraram o documento da mesa dele. Em outras vezes, simplesmente protelaram.
Trump parecia não se lembrar da própria decisão, já que não fazia perguntas. Ele não tinha nenhuma lista na cabeça ou em outro lugar de tarefas.
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