A Tempestade (Coleção teatro #25) - Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

    William Shakespeare

    Movimento
    2018
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788571952751
    Português Brasileiro

    Escrita há quatro séculos, A Tempestade ainda é atual, pois foca temas e binômios universais, como poder e liberdade, o bom selvagem e o mal da civilização, inocência e experiência, natureza e educação, sonho e realidade. Uma leitura superficial nos apresenta apenas uma utopia shakespeariana que diverte a plateia, mas leituras mais profundas, como sempre exigem os textos de Shakespeare, podem surpreender: entre as linhas, há quem entreveja uma distopia, um não tão velado ataque ao incipiente e deletério colonialismo do século XVI, que pode mesmo ter como alvo o nosso recém-descoberto Brasil.

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    roberta 14/05/2025Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Comédia para quem?

    Depois de já ter lido histórias incríveis como Hamlet e Otelo sempre crio expectativa pelas obras de Shakespeare -e ando me decepcionando bastante. Novamente, precisamos colocar a história em seu tempo, mas não melhora muito, colocando em perspectiva as peças já citadas. Próspero é um mala, como todos os principais protagonistas masculinos de Shakespeare. Miranda, apesar de criada longe da sociedade, é o que se espera de uma mulher da época, e é a personagem mais compreensível da história. Entendo e gosto de sua construção e, por ter sido criada como foi, sua ingenuidade e deslumbramento são compatíveis com a personalidade construída. Agora Ferdinando é intragável, sendo exatamente o que se espera de um nobre numa história assim. O plot todo de nobreza/realeza é ridículo na mesma proporção que é óbvio -afinal, estamos falando de Shakespeare! Toda a narrativa em torno de Caliban é, no mínimo, interessante e, novamente previsível. Sendo uma criatura (??) diferente, gera estranhamento. Não gosto da forma como ele é tratado, assim como não gosto do trato de Próspero com Ariel. Tudo que não é exatamente humano é desprezado. Sendo considerada uma comédia shakesperiana, e tendo lido já outras do mesmo nicho, achei esta uma história mal construída, mas sinto que estou ignorando um grande significado por trás, o que me faz desgostar mais ainda. E, se realmente Próspero é Shakespeare, ele tinha uma imagem verdadeiramente ruim de si mesmo.

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