Um trabalho artístico pode conter dragões, naves espaciais ou bichos peludos de três pernas e ainda sim gerar identificação. Obras excelente conseguem tal feito e vão além. Este nível avançado é alcançado quando o olhar de quem assiste, lê ou joga é mudado. É incrível como uma obra de ficção nos faz perceber um grande detalhe na realidade que não havíamos percebido. Em três buracos isso ocorreu.
Na vida de diversos brasileiros cheias de vazios que são preenchidos com tristeza, fome, exaustão e violência, só há espaço para refletir sobre a morte. Aprendi isso com Shiko e o autor da HQ parte de uma premissa simples: três buracos (puteiro, mina e cemitério) todos estão conectados, existem devido a busca do ouro e, tendo esta verdade, possuem um líder.
Através de julgamentos, que são mais morte em vez do julgar, o pai da personagem principal controla o local. Porém, é através de uma morte que a vida da liderança se transforma. No morrer de um qualquer o viver dele ganha sentido. Após esta transformação existencial o bucólico, a ação, a tensão, as relações e o filosofar se desenrolam pelas páginas.
Com um tração que obriga o leitor a contemplar e um ritmo perfeito com a alma de um experiente contista, os Três Buracos impacta e provoca um desejo de reler, reler e reler sem parar. Este revisitar o seco de emoções, de esperança e de belezas, será feito por você para aproveitar novamente a arte e sugar com mais intensidade cada detalhe da narrativa.