Nesta edição, a última reportagem da revista 'O Cruzeiro' sobre Carolina Maria de Jesus. O esquecimento que a envolveu foi grande, nem mesmo a morte teve qualquer nota referencial no ano de 1977.
A reportagem mostrou Carolina de volta à vida de carência e esquecimento, relembrou o badalado lançamento de 'Quarto de Despejo' em 1960, o sucesso repentino, a vida de glamour que cercou a escritora, a repercussão internacional do livro, que se tornou best-seller em várias nações, e a situação de seu contexto atual.
Tal qual como fora descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, vemos a peculiar escritora sempre com sua touca, evidenciando-se notória melancolia, mas ainda escrevendo inspirada pelo cotidiano, e batalhando pela publicação, no panorama de portas fechadas das editoras do antes e agora pós fama.
Algo curioso é que a revista nunca publicou uma foto colorida dela, provavelmente pelo impacto de sua imagem em preto e branco.
Falando em fotografias, a revista estava numa fase em que dava show. As imagens coloridas são bastante chamativas, especialmente na reportagem "Amazônia: a poesia dos igapós", constituída por fotos que ocupam toda a página, duplamente, em cores, formas e detalhes da floresta inundada. A valorização é visual, parecendo arte abstrata.