Lisbela e o prisioneiro -

    Osman Lins

    Editora Planeta
    2011
    117 páginas
    3h 54m
    ISBN-17: ISBN9788576655961
    Português Brasileiro

    Lisbela, filha do Tenente Guedes, delegado da Cadeia de Santo Antão, forma par amoroso com o funâmbulo Leléu, um Don Juan nordestino. Esse casal anticonvencional assume riscos em nome de sentimentos intensos. Lisbela foge com Leléu, no dia de seu casamento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso mesmo personagem destoante do meio em que se encontra, prestando-se a alvo de muitas tiradas cômicas.

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    Régis Maz10/05/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Encantamento do Filme, a Lucidez da Peça

    Eu li Lisbela e o Prisioneiro em um único fôlego. E o pensamento que me ocorreu no final foi: que peça irônica e completamente sedutora! Lins foi capaz de conduzir uma narrativa tão questionadora, envolvente e lúcida que conseguiu a façanha de me fazer descobrir que adoro essa história em todas as suas versões. A peça supera um pouco a adaptação cinematográfica, em minha opinião, é claro, até porque as duas partem de intenções muito diferentes. O filme aposta no encantamento, no humor leve e no romance idealizado; já o texto de Osman Lins me pareceu ter sido construído em cima de uma espécie de ironia pura, que guia e questiona a narrativa ao mesmo tempo. O que antes eu conhecia pelo filme como uma história leve, na peça me pareceu quase um jogo intelectual, que deixa evidentes as engrenagens e os exageros intencionais dos papéis encenados. E isso naturalmente tornou o livro mais rico e um pouco menos ingênuo emocionalmente do que o filme, para mim. A meu ver, a adaptação abraça a ingenuidade: Guel Arraes quer que a gente se apaixone, torça pelo romance e se encante, mesmo quando percebemos que tudo aquilo é muito fantasioso, enquanto Lins tenta nos mostrar como a história foi construída. Eu tenho uma longa relação com a adaptação; assisti a ela inúmeras vezes. Assim como aconteceu com O Auto da Compadecida, decorei as falas e consigo citar cena por cena. Acho que isso possibilitou que eu conseguisse fazer essa distinção entre o contraste do encantamento que o filme traz e a lucidez irônica do texto original. Dito isso, estou fascinada em conhecer a obra que deu origem a um dos filmes brasileiros que eu mais amo assistir, principalmente quando busco revisitar um romance imperfeito, que me provoca ótimas risadas e que está cheio de personagens carismáticos.

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