Grande Sertão: Veredas

João Guimarães Rosa



Resenhas - Grande Sertão: Veredas


82 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6


Fran Kotipelto 27/05/2011

"o destino guardou essa maravilha pra você"

Todo mundo costuma se atrasar pelo menos alguns minutos em suas atividades, principalmente quando as mesmas são: trabalho e estudo. E comigo não poderia ser diferente, e exatos "7 minutos" de atraso me fizeram estar aqui, fazendo uma resenha sobre esse livro que pra mim sempre foi um grande clássico que nunca tinha lido,e que provavelmente nunca leria.

Enquanto eu corria mais rápido que o Usain Bolt pra chegar à sala de aula e escolher um bom livro pra apresentar o seminário mensal, ouvi meu professor dizer "sobrou Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago e Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa". Antes que eu pudesse recuperar o fôlego para gritar "Ensaio é meu", o professor já tinha entregue o livro para meu mais novo inimigo mortal, e quando eu me bati com a porta o professor alegremente disse: "bom dia Francyne,o destino guardou essa maravilha pra você" e estendeu para mim um calhamaço chamado "Grande Sertão:Veredas", e eu mentalmente comecei a proferir: "puta que pariu,puta que pariu...", enquanto olhava para as cadeiras procurando uma disponível, vi de relance algumas das obras que haviam sido distribuídas a cada aluno, e foi aí que minha raiva aumentou, pois havia Memórias Póstumas de Brás Cubas,Iracema,Dom Casmurro,A Caverna, Budapeste, As Intermitências da Morte, e outros livros escritos em língua portuguesa. Me arrastei desanimada para o fundo da sala enquanto continuava a praguejar, e o que eu nunca iria imaginar naquela noite, era que 'Grande Sertão: Veredas' pudesse ser tão MA-RA-VI-LHO-SO.

O livro conta a história de dois personagens, Riobaldo e Diadorim(personagem pelo qual Riobaldo mantém um grande amor impossível),amigo de infância de Riobaldo e filho de um chefe de um bando de jagunços.Riobaldo, mora às margens do Rio São Francisco,e narra sua trajetória de vida com uma inusitada invenção de linguagem,a um interlocutor que nunca se pronuncia, a quem ele chama de Senhor ou Moço. Riobaldo tece a história de sua vida um discurso de descoberta e autoconhecimento: revelando o mundo imenso que o sertão é, assim Riobaldo acaba revelando a si próprio, como se o sertão fizesse parte dele,como se fosse seu próprio coração. Nessa perigosa travessia, Riobaldo confronta as forças do bem e do mal, retoma num fluxo de memória o fio de sua vida e narra as grandes lutas dos bandos de jagunços protagonizada pelos líderes Joca Ramiro (pai de Diadorim), Sô Candelário, Titão Passos, João Goanhá, Ricardão e Hermógenes contra Zé Bebelo e os soldados do governo.Descrevendo os feitos e características de diversos personagens revelando os códigos de honra e de procedimentos do sertão.

Em Grande Sertão: Veredas é mais do que evidente a ideia do homem como um reles joguete de seu próprio destino(mais do que comprovado por mim quando meu professor disse "o destino guardou essa maravilha pra você"), e principalmente, da natureza. A trajetória de Riobaldo mostra que, apesar da inteligência, o homem não deve subestimar a força e os sinais da natureza, que só existem para mostrar até onde cada um pode ir. Em inúmeras passagens da obra há sinais que indicam que a natureza, de alguma forma, está tentando alertar sobre os perigos existentes e que não só o sertanejo estava e está sujeito,mas todos nós como seres humanos.

A cada dia que passa vou tecendo a teia que o destino me permite,e cada vez mais fico abismada com sua capacidade de interligar tudo e todos,"o destino guardou essa maravilha pra você", o destino guardou o sertão para o sertanejo que apesar de todo o sofrimento consegue sorrir, e me faz acreditar que é possível ser feliz com o pouco que temos, só precisamos de esperança, só precisamos ser nós mesmos, precisamos de coragem para encarar quem nós somos!
Fabinho 27/05/2011minha estante
Vc escreve muito bem, além de narrar com bom senso de humor... Rs
Gostei da sua maneira de transpor sua idéia do livro, bem como de interligar ela com a sua vida.
Condordo plenamente que precisamos muito de coragem para encararmos quem somos nós e assim tb ousarmos ser nós mesmos!
Parabéns


Luh Costa 28/05/2011minha estante
Belíssimo livro!
Parabéns pela resenha!
"Diadorim é minha neblina."


Jow 09/06/2011minha estante
A resenha mais engraçada e tocante que tive o prazer de ler.
Genial e profunda como sempre, dear Fran!


Alan Ventura 16/06/2011minha estante
"Volta Fran, nóis precisa de Fran, é é sim, nóis precisa da querida Fran". Sméagol


Thiago 19/10/2011minha estante
Ótima resenha! Assim como você, Grande Sertão é um classico que falta coragem para ler. Só de passar o olho na primeira página, a narrativa já cansa. Mas já me recomendaram ler em voz alta, porque o estilo é totalmente verbal. Vou experimentar.


Flora Soares 29/04/2012minha estante
adorei! parabéns! esse livro é genial, amo amo amo..


Gabriel Baldez 02/06/2012minha estante
É muito bom ler uma resenha tão boa de um livro, que além de mostrar como um livro é de verdade, mostra como ele chegou até você, mudou seu modo de pensar e como causou impacto. É muito bom saber as reações que um livro pode causar em uma pessoa. Parabéns!!


Gláucia 13/06/2012minha estante
Ainda vou tentar ler esse livro...


Manuella 21/08/2012minha estante
Como não rir? Adorei, me diverti lendo sua resenha e já me confundia com vc, parece mesmo comigo esse 'surpreender-se'.
Quero ler. Como posso não ter lido?


Luana 25/09/2012minha estante
Estou louca para Lê-lo, apesar do meu prof já ter revelado um ponto crucial da História. :(


Claudia 20/01/2013minha estante
Estou lendo o livro,confesso que está sendo um desafio, por conta das palavras não comuns encontradas na obra. Adorei a resenha, parabéns!


Maíra 06/02/2013minha estante
Estou lendo o livro e confesso q já estava pensando em abandonar esta leitura, mas depois que li a sua resenha fiquei motivada e curiosa...


Valtair 12/06/2013minha estante
Depois de uma resenha dessa , só aumenta o "apetite" para ler o livro ! Parabéns pela resenha , já deu uma base do que se trata a obra !


Flávia Lira 13/10/2013minha estante
Caraca! adorei essa resenha por causa dela comecei a ler...


Bruna 01/12/2013minha estante
Tuas palavras são tão exatas, que parecem ter atravessado o sertão e voltado, trazendo toda a verdade e toda a paixão que a história traz. Estou lendo o livro, e é realmente fantástico. Espero que tuas palavras toquem muita gente =)




Dirce 24/05/2011

Tão, tão, tão..., tão etecetera
Outro dia , aqui no Skoob, me deparei ( não me lembro o nome do skoober e do livro) os seguintes dizeres: " troco minha resenha por 6 estrelas" ( se não for isso é algo parecido).
Bem, sobre Grande Sertão: Veredas, eu gostaria de dizer: troco minha resenha pela Via Láctea todinha, mas não posso me furtar de falar sobre esse livro - falar do obstáculo que tive que enfrentar e do impacto que ele causou em mim.
O interesse pela retomada da leitura surgiu quando ao trocar idéia com o Ricardo sobre o livro Nenhum Olhar ele citou G. Rosa ( G. de GRANDE, ou de Guimarães Rosa , como aprouver , afinal como disse Robaldo: pão ou pães é questão de opiniães...)
Digo retomada porque há muito, muito tempo eu fiz uma tentativa de ler esse livro, mas não fui além das primeiras páginas. Com citação do Ricardo, investi novamente na leitura, mas meu exemplar era um verdadeiro reservatório de ácaro e, de quebra, me deparei com uma linguagem totalmente estranha, mais que isso: me pareceu estrangeira. Hã, Hãn...será que a leitura desse livro só será possível se eu encontrar na net um tradutor do G. Rosa? Será que G. Rosa escrevia de trás para frente? Uma leitura com o livro frente ao espelho me ajudaria? Claro estou brincando, mas apenas para ilustrar minha dificuldade diante dessa obra. Porém, quando cheguei na página 23, diante de: "O senhor...Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando(...)"pensei: quero mais G. Rosa. Providências a serem tomadas: substituir meu velho e amarelado exemplar por outro e aguardar um momento que minha concentração não tivesse tão em baixa.
Assim, com um novo exemplar e diante do forte incentivo da minha amiga Vivi ( 5 estrelinhas), retomei a leitura e o que me esperava me proporcionou puro deleite.
Riobaldo é um ótimo contador de história é a história da sua vida que ele fala. Fala sobre seus medos, sobre suas dúvidas, sobre suas dores, sobre suas aventuras e desventuras , sobre suas lutas quando era jagunço e sobre o seu amor impossível e trágico tão impossível e trágico que causaria inveja aos 2 amantes de Verona.
Se Riobaldo pudesse ler o que estou escrevendo diria que estou falando as flautas, por isso, vou me limitar a dizer que de estrangeiro GRANDE SERTÃO: VEREDAS não tem nada, muito pelo contrário, ele é muito nativo, e isso naõ se deve ao fato da história se desenrolar nos Estados de Minas, Goiás e Bahia, mas porque o GRANDE SERTÃO somos nós e Veredas são os caminhos, os atalhos que vamos delineando e percorrendo no decorrer de nossa existência.
Tenho muito receio de recomendar um livro, mas quem quiser ler um livro tão, tão, tão..., tão etecetera, leia GRANDE SERTÃO: VEREDAS, mesmo que para isso várias tentativas tenham que ser feitas. A recompensa será indescritível - a sensação é que a cada frase somos envolvidos por uma espécie de sinfônia ( foi o que aconteceu comigo).
Ricardo 30/05/2011minha estante
A resenha ficou ótima, Dirce. Estou planejando ler GS:V no final do ano (junto com outros livros do Rosa). Depois podemos trocar algumas figurinhas a respeito.

(Ah... Obrigado pela citação.)


Manuella 18/08/2012minha estante
que delícia de resenha! eu quero sentar com Riobaldo e ouvir suas histórias.


Manuella 10/12/2012minha estante
Dirce, querida, não li esse clássico, mas estou em vias de, por conta de mais uma resenha sua. Espero que minha negociação por ele dê certo.
Preciso contar que preenchi praticamente metade da minha estante de desejados com livros a partir de suas avaliações. Tenho que agradecer por isso!




Juliana 24/01/2011

Amor
Aqui está o meu ponto fraco. Dentre todos os livros que eu já li na minha vida, desde os Pedro Bandeira da infância até os filósofos internacionais de hoje em dia, o melhor. Não encaro como um livro, encaro como uma bíblia, do tipo pra se ter na cabeceira da cama. Todo mundo fala que tentou ler e parou nas primeiras páginas, que é muito difícil ou que não dá pra entender, mas eu digo que vale o esforço. Vale pelo menos ler as primeiras 100 páginas, porque depois você se acostuma com toda a linguagem e todos os neologismos - marca registrada do Guimarães Rosa - e entra dentro do livro. Não posso nem falar sobre o livro, porque é uma história tão surpreendente e bonita (toda ela) que qualquer coisa que eu diga vai estragar a surpresa que é este livro. É um jagunço do sertão contando a sua história para um doutor, provavelmente o psicólogo, que nunca fala nada, apenas escuta. E o mais genial, é que o pobre sertanejo fica o tempo todo falando com o doutor, que é estudado e letrado e tal, mas quem acaba divagando e dichavando toda a história, problemas e soluções é o próprio Riobaldo (o jagunço-narrador) que com a sua pouca instrução e humildade se mostra mais sábio e inteligente que muito doutor por aí. Mesmo porque, a ciência que ele domina profundamente não é matemática, nem filosofia, nem letras ou medicina: é a própria vida. Eu disse que o livro é como se fosse a própria bíblia, porque nestas reminiscências do Riobaldo ele vai falando sobre tudo. Religião, morte, Deus, o diabo, vida, amor, dor... É um dicionário de todo o conhecimento universal, manejado por um simples jagunço do sertão. E isso é o mais bonito. É a complexidade do universo e do ser humano por uma ótica simples de um cara que nem sabia escrever. E com certeza você aprende muito mais assim do que em uma palestra de 4 horas ministrada por um renomado professor. Eu passei noites sem dormir lendo este livro e todo o drama de um amor proibido (ou não). Um dos pontos altos (é claro que eu não vou resistir e vou ter que contar pelo menos um pouco da história) é quando Riobaldo, cansado de ficar em desvantagem em sua luta contra o chefe dos jagunços do outro bando (o temido Hermógenes), resolver firmar um pacto com o diabo. Afinal, o próprio Hermógenes era tão invencível e tão ruim, que a lenda que rondava a região é que ele tinha mesmo feito o pacto. Então ele faz tudo como reza a lenda, vai em uma encruzilhada, bebe cachaça, faz todos os conformes, e acaba vendo mesmo um redemoinho (e dizem que é dali que surge o capeta e aceita ou não, o pacto). E fim. Mas ele não sabe ao certo se o capeta aceitou ou não o pacto. Ou se ele sequer existe. Pode ser que sim, ou pode ser que não, afinal redemoinho é uma coisa comum em encruzilhada. E ele fica com essa incerteza, mas a partir daí, ele misteriosamente se torna mais corajosa e até mais rígido, e acaba por desafiar o chefe do seu bando de jagunços e se torna chefe no lugar dele. Então, ele nunca vai saber se ficou assim porque o diabo aceitou de fato o pacto, ou se o psicológico dele o condicionou a agir como se ele realmente tivesse feito o pacto. Talvez porque o diabo (e também Deus) na verdade o próprio ser humano. E isso, nas palavras do Guimarães, acaba se tornando música. Guimarães inventou uma linguagem própria de jagunço, eu acho que é até um pouco poesia. Por exemplo, ele nunca fala que os pássaros gorjeiam. Ele fala que os pássaros ficam por ali passarinhando... É um deleite para a alma. São 600 páginas, mas poderiam ser 1.200. Poderia ser um livro eterno, interminável, como a própria vida. E além de tudo, você vê nas entrelinhas uma apologia tão forte ao amor, que você chega a sentir paz. Não ao amor romântico, mas ao amor universal, à todas as coisas. Se eu fosse definir "O grande sertão" em apenas uma palavra, seria "amor".
Guilherme 18/02/2011minha estante
Você também sabe resenhar. Gostei especialmente de suas consideraçoes iniciais. Não ocnsegui ler GSV de primeiro. Agora, há dois meses atrás o li. Mas tenhop certeza que o lerei mais outras vezes.


Fernanda Vier 30/12/2012minha estante
Riobaldo sabe ler e escrever




Fei_Ma 23/06/2010

Difícil resenhar Grande Sertão.

Difícil dizer o que mais me encantou.

Se as palavras tão brasileiras.
Se Riobaldo nas suas dúvidas, na sua inocência e na sua dor.
Se o sertão sem fim, esse pedaço de Brasil que desconheço.

Sei que assim que terminei o livro, dele já senti saudade.
Quelemem 22/01/2011minha estante
Esse livro me da muitas saudades...




Graça 17/01/2009

Uma obra prima, uma poesia. Li muitas vezes. A historia linda de Diadorim. Uma linguagem maravilhosa de nossos sertoes, sua dureza, sua beleza, seus amores. Joao Guimaraes Rosa se supera. Amei!!!!!!!
Mari vc 20/01/2009minha estante
Concordo. Esse é simplesmente o livro mais lindo que já li. E vou ler ainda muitas vezes, pois sempre terá o que desvendar na incrível e poétiva trajetória de Riobaldo.




Quelemem 24/01/2011

Certa vez...
... fui à biblioteca e fiquei vagando por entre as prateleiras cheias de mofo. Procurava sem sucesso um volume mais ou menos conservado. Até que parei diante de um calhamaço maciço, que me assustou. Estava intacto. Levei-o para casa. Com dez páginas lidas, deixei o livro de lado pensando em desistir. Passados alguns minutos, um impulso inexplicável fez-me querer continuar a leitura quase ininteligivel. Depois, concluí: que bom que havia tantos volumes ilegíveis na biblioteca.
Guilherme 18/02/2011minha estante
Sua resenha é perfeita. É tudo o que eu queria saber fazer. Juntar minahs experiências de leitor e condensá-las com uma mensagem, conclusão;;;




Meirinha 29/01/2013

Nonada!
Nonada, mas infelizmente, uma gama de pessoas diz não conseguir ler Rosa. Já ouvi gente dizer que é chato, que a linguagem usada torna seus livros muito difíceis, e por aí vai. Fico triste com isso, pois essas pessoas não sabem o que estão perdendo.


A verdadeira literatura é aquela que inova, que faz o que ninguém fez antes. Rosa fez isso. Em vários aspectos. Guimarães foi grande em cada conto que nos deixou, e segundo Antonio Candido, “Grande Sertão: Veredas” é a obra mais importante da literatura brasileira.


João Guimarães Rosa disse uma vez que “Grande Sertão: Veredas” , publicado em maio de 1956, ia dar muito trabalho aos críticos. Ele acertou. Ainda hoje, cinqüenta anos após sua publicação, há inúmeras interpretações para o livro. Mas aí é que está. Livros assim são poucos, e são eles que constituem a verdadeira literatura.


Dante, Shakespeare e tantos outros escritores já cantaram o amor, e Rosa conseguiu cantá-lo de forma que nenhum outro jamais fizera: “Lhe ensino: porque eu tinha negado, renegado Diadorim, e por isso mesmo logo depois era de Diadorim que eu mais gostava. A espécie do que senti. O sol entrado.”


Riobaldo conta sua história, expõe seus enigmas a um interlocutor que não responde. Além da guerra entre os jagunços , a grande tensão para o narrador é a sua relação com Diadorim: “O Reinaldo – que era Diadorim: sabendo deste o senhor sabe minha vida.”


Uma narrativa ambígua. Ora é, ora não é. E assim desde o nome de Diadorim, que nada mais é do que a junção de diabo e querubim, bem e mal, Deus e o diabo. A salvação e a perdição de Riobaldo: “Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também - mas Diadorim é a minha neblina.”


Minha edição de Grande Sertão: Veredas tem muitas páginas marcadas, e cada vez que volto nelas, faço uma leitura diferente, por que? Porque o sertão “é dentro da gente”. Porque às vezes é preciso que fechemos os olhos para ver o mundo. Não é por acaso que Rosa encerra o livro com um sinal que simboliza o infinito.
Soube dosar na medida certa o tom, a forma ficcional, a linguagem ousada, o recorte mítico e histórico do sertão, que mesclou a um enredo marcado pelo suspense. A técnica narrativa do livro é um caso à parte. Está repleto de vai-e-vem, de retomadas. O próprio narrador, Riobaldo, adverte lá pela altura da página 99 que “Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo coisas de rasa importância.” E é justamente daí em diante que a narrativa de Ribaldo segue uma linha temporal continua. Um leitor roseano de primeira viagem pode se sentir estranhamente perdido às ações narradas na primeira centena de páginas. A sugestão que deixo é a seguinte: Leia a obra como Riobaldo narrou, e depois faça um retorno as 100 primeiras páginas. Tenho certeza que a leitura será outra.


Guimarães Rosa foi inventivo como nenhum outro escritor brasileiro. Criou o que só alguém como ele poderia ter criado um livro como “Grande Sertão: Veredas”, que é a junção de histórias que ouviu e vivenciou em sua vida. Rosa morreu em 19 de novembro de 1967, apenas três dias depois de ganhar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Nas palavras do próprio autor, ele não morreu, apenas ficou encantado.
El 29/03/2013minha estante
Meirinha, adorei sua resenha.
Bom, vou começar a ler esse livro depois de concluir a leitura do atual, e sua resenha fez crescer minha vontade de ler Grande Sertão: Veredas. :)




Luis 01/11/2009

Viver é muito perigoso.
Dizem que nâo há livros difíceis, mas sim, leitores despreparados. Diante disso, Guimarães Rosa expôs todo o meu despreparo como leitor, que frente ao discurso hermético, mas valioso e carregado de subjetividade sertaneja de Riobaldo, se assustou com a profundidade da obra e de suas múltiplas leituras.De fato, "Grande Sertão" não é para principiantes, mas isso não tira o brilho dessa obra, que ano após ano, desde 1956, instiga e encanta o público e a Crítica. Um livro que merece releituras e profundas reflexões.
Fernanda Zimmer 30/12/2009minha estante
Não apenas profundas reflexões. Merece ser cultuado.


Marta 11/12/2012minha estante
Dizem que não há livros difíceis, mas sim, leitores despreparados. Diante disso, Guimarães Rosa expôs todo o meu despreparo como leitor, é exatamente assim que sinto ao iniciar a leitura de Manuelzão e Miguilim, do mesmo Rosa.




Bruno Rôla 13/01/2009

João Guimarães Rosa parte de uma intuição fundamental do que seja um romance: o ato de contar uma história.O narrador em primeira pessoa conversando com alguém, a linguagem marcada pelo coloquial(onde se reencontra o poético);tudo restitui essa intuição.
No plano temático, ele nos mostra nada menos do que a vida.O amor, a liberdade, a morte, Deus, o diabo, a simplicidade, a bonança, nada passa despercebido; o que os olhos vêem no mundo é muito bem "ruminado" internamente.

É um livro que lhe prende, entre outras coisas, porque Guimarães Rosa sabe muito bem como contar uma história.
Hélio Rosa 17/01/2009minha estante
Felicito-me por suas argutas observações.

Certamente a opção por um ex-jagunço contador de causos de exemplo à moda de Platão é perfeitamente coerente com a extensão e a vastidão épica da matéria narrada, você está coberto de razão.



Mas também cria um ambiente acolhedor para a confissão de seus demônios, remorsos, bastante propício à lírica, que se evidencia na escolha das palavras, em seu arranjo na página, no encadeamento do discurso, vazado de pausas meditativas, típicas da poesia mística, de caráter confessional.



No fim, que é também o começo, a aventura de viver torna-se assunto secundário, e as dúvidas e meditações tornam-se a pauta introdutória do diálogo-monólogo que constitui-se o próprio romance.




Jumpin J. Flash 05/01/2011

Só para fãs
Meu Deus, como esse livro é chato! Disseram-me que ele era chato só até o momento em que Zé Bebelo começa a ganhar destaque na trama, mas me senti enganado, pois mesmo depois disso o livro continua "um porre" até o final!

Na verdade, até achei que o começo foi a parte mais interessante do livro, naquele primeiro contato com o estilo da narrativa e com a profusão de palavras que Guimarães Rosa criou, mas depois esses recursos, pela repetição à exaustão, acabam simplesmente cansando e prendendo a um sem número de rodeios e divagações sem mais consequências.

A história de Diadorim, que é o ponto de interesse do livro, simplesmente não é explicada. Não há sequer pistas que permitam compreender a motivação desse personagem. Sem dúvida isso não é deixar a conclusão ao sabor da imaginação do leitor: isso é NÃO chegar a conclusão alguma!

Sei que esse livro agrada muito os redatores de exames vestibulares e professores de cursinho, mas, como não é esse propriamente o padrão artístico que me interessa, vai levar levar uma estrelinha só.
Vinicius 22/03/2013minha estante
Ótima resenha, a única até então que descreve o meu asco por esse livro. Eis um livro que pensei em abandonar diversas vezes durante a leitura, foi uma tortura do início ao fim!




Thiago Ernesto 25/01/2013

Do Tamanho do Mundo
O Sertão é do tamanho do mundo.
Nonada. Se eu acredito no demo? No coisa ruim? No cão? Não sei, deve de ser homem humano se existir. Será? Nonada.
Não sei bem como começar a descrever a obra de Guimarães Rosa. Talvez pelo demo. Sim, por ele. O demo. Se acredito? Não sei. Nonada. Boa parte do livro gira em torno do pacto de Riobaldo com o diabo. O diabo na rua, no meio do redemunho. Deus e o demo no sertão. O sertão está em todo lugar. O sertão é do tamanho do mundo. E o diabo? Se existir, também penso que é homem humano mesmo. Pacto? Será possível. Sorrio. Não da pra vender a alma pra uma coisa que não existe.
O sertão é grande. o sertão tem histórias de cordel, tem histórias do tamanho do mundo. Do tamanho do tempo. E o Chico? O Chico está lá, grande, bonito, majestoso. Salve São Francisco. Salve o Urucúia branco e todos os outros rios do sertão.
O clássico maior da literatura tupiniquim não chega a esse posto por nada. Há dentro da trama uma genialidade, uma essência da perfeição que não se encontra em outro lugar se não no sertão. Ao ler Grande Sertão nos sentimos do tamanho do mundo. Do tamanho do sertão. Tão vasto, tão só, tão sertão.
Com um vocabulário regional, simples a história é contada do meio para o começo e depois é retomada até seu desfecho. É um encontro com a vida na solidão do sertão, é a sabedoria dos gerais. É a vida. Que vida? Essa vida? Tão boba, tão mal vivida? Nonada.
É possível homem amar outro homem? Nonada. Será possível? Será que existe amor? Será, amor de mulher? Isso é tentação do demo? É coisa bonita? É capricho da vida? Ou nada disso? Nonada. Paixão de Riobaldo e Diadorim é coisa que supera qualquer desejo comum. Para Riobaldo Diadorim está acima de qualquer coisa humana. Não precisa ser mulher. Nem homem. Amizade ou amor? Amor. Amor eterno. Do tamanho do sertão.
E há espaço pra valentia? Cabra macho esse do sertão. Medeiro-vazes, bebelos, riobaldos, valentes. Em busca de nada. De sangue? Não. De luta, de guerra, do sertão.
E no final, que é que vale? Talvez nada, talvez nada. O
O demo que fique no inferno. Não existe. O cão é homem ruim, homem humano, homem que morre. Deus é maior. Deus é do tamanho do sertão. E o sertão o que é? Toda essa imensidão, afinal, o que é? O que é? Não importa. O que importa não é o sertão. São as veredas.
Pacto? Nonada.
Viver é um negócio muito perigoso.
Renata CCS 29/04/2014minha estante
Adorei a resenha!




Ciro 21/03/2012

Todo mundo devia ler
Apesar de ser uma leitura difícil, você só precisa se acostumar. Se ficar perdido em algum momento, apenas continue lendo.

A forma que é escrito o livro, com todos os termos utilizados, me deu a sensação de estar sentado debaixo de uma arvore com um matuto me contando um causo.

O final do livro é simplesmente surpreendente de uma maneira que da vontade de recomeçar a leitura desde a primeira página - dessa vez com uma informação a mais...

Não é atoa ser considerado um clássico e, por isso, acho que todo mundo devia ler.
Renata 15/07/2012minha estante
Também me senti totalmente imersa no universo sertanejo, mas confesso que na metade do livro eu me cansei um pouco, mas valeu a pena o esforço de ir até o final.




Raquel 25/06/2013

Senti um pouco de dificuldade no início do livro, por conta da linguagem. Com o passar das páginas a leitura começou a ser cada vez mais interessante. O amor de Riobaldo por Diadorim que ele não sabia que era na verdade uma mulher. O pacto que ele fez com o Demônio e ele mesmo não acredita que fez. A interessante saga dos jagungos no sertão de Minas Gerais. E a natureza linda das veredas...
FOI LINDO!!! JÁ ESTOU COM SAUDADES!!!!
Déh 11/06/2014minha estante
Obrigada pelos spoilers sem nenhum aviso.




Paulinha 19/01/2011

Desenvolvi curiosidade por Guimarães Rosa no museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Fascinada por leitura, nunca tinha lido nenhum texto do escritor. Até que, lá chegando, me apaixonei por uma parede: onde estão escritas milhões de frases soltas, cada uma mais linda que a outra, cheias de neologismos fantásticos. Ao procurar o autor de toda a minha paixão, lá embaixo estava escrito 'Guimarães Rosa'. Neste dia decidir que leria sua obra mais famosa, Grande Sertão: Veredas.
Confesso que, no início, a leitura é um tanto quanto complicada, pois o autor utiliza fielmente expressões, terminologias e até entonação da linguagem sertaneja, de jagunços. O livro tem 624 páginas e só na página 86 foi que realmente peguei o 'fio da meada'. Talvez seja exatamente isso que dá o encanto a Guimarães Rosa: o fato de saber escrever a alma do que escreve. O livro possui palavras e expressões muito diferentes do que os utilizados no cotidiano, principalmente de quem estudou. Isso exige uma leitura mais atenta.
Existem passagens dignas de nó na garganta; existem inúmeras frases que são ensinamentos para uma vida toda; e além de tudo, existe um amor, tão forte quanto a coragem dos jagunço e, ao mesmo tempo, inexiste, também pela mesma coragem.
Este livro é um daqueles que se deve ler várias vezes ao longo da vida, com a certeza de que em cada uma delas, o que se aprenderá será totalmente novo. É uma leitura para se apreciar!

Guilherme 18/02/2011minha estante
Bom, eu só tomei esse fio da meada na terceira leitura.




Gláucia 24/09/2014

Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa
"O demônio na rua, no meio do redemunho."

Não que seja um livro difícil mas tem que se estar preparado e pronto pra ele. Eu levei muitos anos, a participação para um fórum literário virtual me animou.
A linguagem é praticamente o protagonista dessa história, cheia de novas palavras num estilo regional soando quase musical. Inversão da ordem usual das frases também fazem nossa cabeça girar e muitas vezes tive que voltar e reler para entender que raio de palavra era aquela. Que só existe no sertão de Riobaldo e Diadorim, andando sempre "parmente".
Valeu o esforço, estranha-se no início mas após as primeiras 50 páginas a leitura fica mais fácil. Dizem que ler o começo em voz alta ajuda. A história é linda, sofrida cheia de delicadeza num ambiente todo masculino e inóspito como é o sertão dos jagunços.
E para quem não souber ainda a susrpresa da revelação final, cuidado com spoilers, pois o impacto nesse caso será doloroso. No bom sentido.
"Viver é muito perigoso..."


site: https://www.youtube.com/watch?v=QSgVQdjrCx8
Dirce 26/09/2014minha estante
Sua resenha espelha bem essa obra. Ela é a favorita das minhas favoritas.
bj




82 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6



logo skoob
"O contato direto com outros leitores incentiva a ler e adquirir livros que nem imaginávamos existir."

Revista Época