Berta Isla -

    Javier Marías

    Companhia das Letras
    2020
    552 páginas
    18h 24m
    ISBN-13: 9788535933130
    Português Brasileiro

    Do consagrado autor de Coração tão branco e Os enamoramentos. É possível dizer que conhecemos uma pessoa, mesmo tão próxima, quando boa parte do que ela diz e faz permanece nas sombras? Berta Isla e Tom Nevinson não passavam de adolescentes quando se conheceram e se apaixonaram. Em 1974, poucos anos depois das primeiras trocas de olhares no colégio madrilenho, já eram marido e mulher. Berta não sabia, mas Tom – filho de pai inglês e mãe espanhola, fluente em várias línguas e capaz de imitar sotaques e dicções com perfeição – fora recrutado para o serviço secreto britânico pouco antes do casamento. Tom engana Berta como pode, até que um incidente horripilante o obriga a revelar a atividade a que dedica boa parte dos dias. A regra, acatada por ela ao descobrir que o marido é um espião, e que deve valer por toda uma vida, é não fazer perguntas. Berta concorda, assim, em ignorar metade da existência de Tom, o que inclui a natureza de seus atos e os lugares por onde ele andou. Vivemos no escuro, diz ela, e mal conhecemos a pessoa com quem estamos casados. O quanto ainda há em Tom daquele adolescente que Berta conheceu e por quem se apaixonou? Javier Marías retorna, aqui, ao tema da espionagem, eixo da monumental trilogia Seu rosto amanhã. Com a prosa elegante de sempre, disseca não apenas os perigos e dilemas morais de se levar uma vida dupla, mas as marcas que as zonas de sombra podem deixar no afeto e na intimidade. "Haverá melhor romancista vivo que Javier Marías?" – The Independent

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    André Vedder28/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Berta Isla

    Javier Marías já me conquistou desde as primeiras linhas de Berta Isla. E em nenhum momento das mais de 500 páginas senti algum cansaço ou enfado na leitura, mesmo sendo um enredo aparentemente simples: a visão de uma esposa de um agente secreto do governo britânico. Mas na verdade é muito mais que isso, é um livro sobre espera, escolhas e consequências, esperança, amor, mundo e muito mais. Sua escrita é digna dos grandes autores contemporâneos e permeada de ótimos diálogos. " O povo, que muitas vezes é vil, covarde e insensato, os políticos nunca se atrevem a criticá-lo, nunca brigam com ele nem criticam sua conduta, ao contrário, invariavelmente o enaltecem, embora ele costume ter pouco de enaltecedor, o povo de nenhum lugar. É que ele se erigiu em intocável e faz as vezes dos antigos monarcas despóticos e absolutistas. Como esses, possui a prerrogativa da veleidade impune, não responde pelo que vota nem pelo que elege, pelo que apoia, pelo que cala e outorga ou impõe e aclama. Que culpa teve pelo franquismo na Espanha, pelo fascismo na Itália ou pelo nazismo na Alemanha? Nenhuma, nunca; sempre se torna vítima e jamais é castigado. O povo não é nada mais que o sucessor daqueles reis arbitrários, volúveis, só que com milhões de cabeças, isto é, descabeçado. Cada uma delas se olha no espelho com o indulgência e alega dando de ombros: "ah, eu nem imaginava. Eles me manipularam, me induziram, me enganaram e me desencaminharam. Como eu poderia saber, eu, pobre mulher de boa fé, pobre homem ingênuo?". " Há muitas mulheres desesperadas para ter um homem, qualquer um. Tantas quanto homens desesperados para ter uma mulher, qualquer que seja. Costumam acabar se juntando uns aos outros, e assim vai o mundo insatisfeito." " Não há nada mais inamovível do que a conjunção de sentimento e vontade."

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