Berta Isla -

    Javier Marías

    Alfaguara Portugal
    2018
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9789896657147
    Português

    Berta Isla e Tomás Nevinson conheceram-se muito jovens, em Madrid, e rapidamente decidiram passar o resto da vida juntos. Não podiam adivinhar, enquanto estudantes no dealbar da idade adulta, que o futuro lhes reservava uma convivência intermitente, pontuada por um desaparecimento. Berta casou com Tomás pensando que o conhecia desde sempre, convencida de ter encontrado o seu destino. Mas, na realidade, não sabia nada verdadeiramente importante sobre ele. Tomás escondia-lhe algo que não podia partilhar com ninguém, nem mesmo com ela. No tempo em que fora estudante em Oxford, um acidente num «dia estúpido» mudou tudo e condicionou a sua vida para sempre, e a de Berta também. Berta Isla é a história de um homem que quer intervir na História, acabando desterrado do mundo. É a história de uma mulher que espera por uma vida completa e, nessa espera, se transforma. É sobretudo uma história da fragilidade e tenacidade de uma relação condenada ao segredo, ao fingimento, ao desencontro; uma história de amor em que lealdade e ressentimento se entrelaçam. «Cada coração palpitante é um segredo para o coração mais próximo, aquele que dormita e palpita ao seu lado», escreveu Dickens. E essa é a história de todas as relações de amor. Os elogios da crítica: «O que cabe em Berta Isla somos nós. Aquilo que nos move e que nos dói. O que não sabemos, mas suspeitamos.» Antonio Lucas, El Mundo «Um extraordinário narrador, um dos grandes, no sentido mais absoluto. Berta Isla é uma obra-prima. Marías é um mestre na arte de misturar quotidiano e paixão, mistério e banalidade, segredo e insinuação. Um dos seus grandes temas é o casamento, território em que se encontram e entrecruzam o amor e o desamor, a proximidade e a ausência, o segredo e a entrega.» Claudio Magris, El Mundo «Um romance maravilhoso. [...] Berta Isla recorda-nos por que razão a ficção, nas mãos dos seus melhores artesãos, continua a ser a única forma de nos conhecermos cabalmente.» Juan Gabriel Vásquez, Babelia, El País «Marías reinventou de forma extraordinária a sua própria obra, alcançando uma precisão, uma emoção, um mistério que raramente se encontram na literatura dos seus contemporâneos. Um romance soberbo.» Fernando R. Lafuente, ABC Cultural «Marías construiu uma obra-prima.» José María Pozuelo Yvancos, ABC Cultural «Penso que Berta Isla é um dos melhores - talvez o melhor - romances de Marías. [...] Admiro a sua capacidade para sondar os mais recônditos recantos da alma humana.» Julia Navarro, ABC Cultural «Berta Isla é um dos romances mais complexos e atrevidos romances do autor e, sem dúvida, o mais inquietante e desolado.» José-Carlos Mainer, Babelia, El País «A autenticidade, aliada ao talento narrativo, é uma das grandes virtudes de Marías. Berta Isla é disso um exemplo magnífico.» J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia «Javier Marías criou um romance excepcional. Instalado numa altíssima categoria de qualidade literária, o talento do escritor não esmorece nem se conforma com os caminhos já explorados.» Domingo Ródenas, El Periódico

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    André Vedder28/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Berta Isla

    Javier Marías já me conquistou desde as primeiras linhas de Berta Isla. E em nenhum momento das mais de 500 páginas senti algum cansaço ou enfado na leitura, mesmo sendo um enredo aparentemente simples: a visão de uma esposa de um agente secreto do governo britânico. Mas na verdade é muito mais que isso, é um livro sobre espera, escolhas e consequências, esperança, amor, mundo e muito mais. Sua escrita é digna dos grandes autores contemporâneos e permeada de ótimos diálogos. " O povo, que muitas vezes é vil, covarde e insensato, os políticos nunca se atrevem a criticá-lo, nunca brigam com ele nem criticam sua conduta, ao contrário, invariavelmente o enaltecem, embora ele costume ter pouco de enaltecedor, o povo de nenhum lugar. É que ele se erigiu em intocável e faz as vezes dos antigos monarcas despóticos e absolutistas. Como esses, possui a prerrogativa da veleidade impune, não responde pelo que vota nem pelo que elege, pelo que apoia, pelo que cala e outorga ou impõe e aclama. Que culpa teve pelo franquismo na Espanha, pelo fascismo na Itália ou pelo nazismo na Alemanha? Nenhuma, nunca; sempre se torna vítima e jamais é castigado. O povo não é nada mais que o sucessor daqueles reis arbitrários, volúveis, só que com milhões de cabeças, isto é, descabeçado. Cada uma delas se olha no espelho com o indulgência e alega dando de ombros: "ah, eu nem imaginava. Eles me manipularam, me induziram, me enganaram e me desencaminharam. Como eu poderia saber, eu, pobre mulher de boa fé, pobre homem ingênuo?". " Há muitas mulheres desesperadas para ter um homem, qualquer um. Tantas quanto homens desesperados para ter uma mulher, qualquer que seja. Costumam acabar se juntando uns aos outros, e assim vai o mundo insatisfeito." " Não há nada mais inamovível do que a conjunção de sentimento e vontade."

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