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    Bartleby e companhia -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2005
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788575033814
    Português Brasileiro
    4
    240 avaliações
    Leram368Lendo14Querem297Relendo1Abandonos8Resenhas22
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    Enrique Vila-Matas, um dos maiores nomes da literatura espanhola atual, surpreende seus leitores com a citação de um dos personagens mais famosos de Herman Melville, o escrivão Bartleby. Empregado em um cartório de Nova York e inicialmente muito ativo, Bartleby é tomado de uma paralisia encantatória que o impede de fazer quaisquer serviços. Uma aura de mistério começa a envolver o contemplativo e borgiano personagem. Vila-Matas isola sua essência e sua pulsão negativa ou atração pelo nada, para daí constituir o que chama de Síndrome de Bartleby e a então rastreia sua companhia, ou seja, uma galeria de criadores que mesmo tendo uma consciência literária muito exigente, jamais chegam a escrever. Bartleby e companhia é um livro com muitas histórias de vida, contadas de forma breve e simples, com o tom irônico e inteligente que caracteriza Vila-Matas. Rindo da angústia criativa, ele desfila uma erudição que reúne episódios relativos a nomes consagrados e outros envolvendo escritores completamente desconhecidos, quando não inventados. A obra recebeu os prêmios Cidade de Barcelona (2001) e Melhor Livro Estrangeiro na França (2002).

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 10/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Literatura Do Não

    “A glória ou o mérito de certos homens consiste em escrever bem; o de outros consiste em não escrever.” (Jean de La Bruyère) De Enrique Vila-Matas, Bartleby E Companhia é um livro sem começo nem fim, sem desenvolvimento de personagens nem enredo. Trata-se de um longo ensaio, ou melhor, 86 notas de rodapé numeradas de um texto invisível que abordam obras literárias reais ou imaginárias cujos autores nunca escreveram, juraram não escrever novamente, sofreram bloqueio criativo, ou são extremamente reservados. Portanto, o livro gira ao redor do silêncio na literatura, a impossibilidade e esgotamento que coloca em risco seu futuro, e quem o assunto leva à pauta é Marcelo, um corcunda recluso e misógino que chega a perder o emprego em virtude da obsessão pela ideia. Esta “literatura do não” reporta ao título do livro que leva o nome do protagonista de um conto Herman Melville: Bartleby, Um Escrivão. Ele é um jovem amanuense judicial que, cansado do trabalho burocrático, “decide adotar a negativa como lema e o nada como estilo de vida”. Por sinal, “Eu preferia não fazer”, repetida inúmeras vezes pela personagem, transformou-se num símbolo da desobediência através da revolta passiva que expõe o contrassenso entre poder e livre arbítrio. Por sinal, deixo a sugestão da prévia leitura ou releitura da narrativa antes deste ensaio. Cabe registrar a surpreendente a bagagem literária de Vila-Matas, representada por uma longa lista de nomes bastante conhecidos e outros pouco conhecidos, ao menos em nosso país, como Daniele Del Giudice, Joseph Joubert e Marcel Maniere. Por sinal, um desconhecimento que creio ser recíproco, pois o escritor espanhol não menciona o brasileiro Raduan Nassar, renomado autor de Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera, que em 1984 largou a literatura para ser fazendeiro no interior de São Paulo. Enfim, Bartleby e Companhia é um livro incomum, capaz de provocar estranheza e, ao mesmo tempo, fascinar o leitor, a despeito de arrastar-se em alguns momentos. Recomendo para quem mantém uma estreita relação com a literatura e, tal como eu, questiona seus caminhos. “Há alguns homens misteriosos que só podem ser grandes. E por quê? Nem eles mesmos sabem. Por acaso quem os enviou sabe disso? Têm na pupila uma visão terrível que nunca os abandona. Viram o oceano como Homero, o Cáucaso como Ésquilo, Roma como Juvenal, o inferno como Dante, o paraíso como Milton, o homem como Shakespeare. Ébrios de sonho e intuição em sua marcha quase inconsciente sobre as águas do abismo, atravessaram o raio estranho do ideal, e este os penetrou para sempre… Um pálido sudário de luz cobre-lhes o rosto. A alma lhes sai pelos poros. Que alma? Deus”. Quem envia esses homens? Não sei. Tudo muda, exceto Deus. “Em seis meses, até a morte muda de figurino”, dizia Paul Morand. Mas Deus jamais muda, digo a mim mesmo. É bem sabido que Deus se cala, é um mestre do silêncio, ouve todos os pianos do mundo, é um consumado escritor do Não, por isso é transcendente. Não posso estar mais de acordo com Marius Ambrosinus, que disse: “Em minha opinião, Deus é uma pessoa excepcional”. (Página 23) Nota: Adquiri o e-book e recomendo.

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    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas