"Esfinge", de Coelho Neto, foi o Frankenstein Brasileiro. Uma obra única na literatura brasileira que, publicada em 1908, abordou de forma pioneira temas como alquimia, terror, ficção científica e transexualidade, tudo no Rio de Janeiro do começo do século 20. A história conta o cotidiano da pensão de Miss Barkley, que é habitada por pessoas das mais diferentes ocupações. A rotina da casa de pensão é alterada com a chegada de James Marian, um hóspede inglês excêntrico e recluso. Sua presença causa espanto e admiração em todos devido à sua aura de mistério e a uma peculiaridade física: ostenta um rosto de beleza feminina mas tem um esbelto e forte corpo masculino. O narrador da história, em determinado momento, conquista a confiança do inglês, que confia-lhe então um manuscrito de sua autoria contendo o relato de sua vida, narrando desde a infância até o presente momento. Mergulhado em uma narrativa fantástica, cheia de misticismo, encanto, terror e tragédia, o protagonista desvendará o segredo por trás da aparência ambígua de James Marian, e partilhará do desespero de um homem em busca da solução do mistério que atormenta sua própria alma. Esta edição é ilustrada, conta com algumas notas e prefácio do editor, um esclarecedor prefácio do acadêmico e professor associado da Universidade Federal de Goiás Alexander Meireles da Silva, e com um posfácio da especialista em literatura latino-americana e professora associada da University of Florida, Mary Elizabeth Ginway.
Esfinge -
Coelho Neto
Um clássico do gótico nacional
Aclamado "O Príncipe dos Prosadores", Henrique Maximiliano Coelho Neto foi, em sua época, mais famoso que o Bruxo do Cosme Velho. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, escreveu mais de 120 livros, entre romances, contos, crônicas e teatro. Utilizou mais de 5.000 palavras da língua portuguesa em seus escritos. Foi um dos poucos escritores daquela época a ter sua obra traduzida para diversos países. Ainda assim, sua vastíssima obra encontra-se esgotada (há décadas) nas editoras nacionais e seu nome é desconhecido nas escolas. Vítima do "cancelamento" de sua época, Coelho Netto foi combatido ferozmente e "apagado" por seus opositores (membros do Movimento Modernista) por ser um escritor... muito técnico, ou, se preferirem, bom demais com as palavras! Por isso, é maravilhoso que o escritor Coelho Neto seja "trazido dos mortos" através do esforço de pesquisadores e editoras, a fim de reanalisarem sua obra e apresentá-la às novas gerações de leitores. Numa época de grandes mudanças sociais e políticas no Brasil e no mundo, o medo do outro, do diferente e da morte, o passado reflete no presente através do olhar atemporal de Coelho Neto e sua obra mais famosa, "Esfinge", publicada em 1908. Um dos primeiros romances nacionais de Horror e Ficção Científica, o drama do misterioso James Marian trouxe, em pleno início do século 20, temas polêmicos como religiosidade e transexualidade, ao discutir uma sociedade brasileira tomada por influências estrangeiras e que teme a ciência, presa a superstições e intolerância cristãs. Com o objetivo de recuperar esse valioso tomo da Literatura Brasileira, a Editora Legatus, através de seu editor Giancarlo D'Anello, realizou um trabalho digno de aplausos ao republicar essa obra tão importante no Brasil. Ricamente ilustrada, esta nova edição conta com algumas notas e prefácio do editor, o sempre valiosíssimo prefácio do acadêmico e professor associado da Universidade Federal de Goiás Alexander Meireles da Silva, e um posfácio da especialista em literatura latino-americana e professora associada da University of Florida, Mary Elizabeth Ginway. Para mim, fã do autor, que, até então, só havia tido contato com edições portuguesas do século passado, é uma grande realização ter, em mãos, uma nova edição brasileiríssima de Coelho Neto, finalmente sendo reconhecido como o Imortal que ele é.
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