Neste Livro V – Terpsícore, Heródoto continua a narrativa do livro anterior sobre a expansão do Império Persa na Trácia e na Macedônia, registra episódios que marcaram a estada dos persas na região e a manutenção do seu poder sobre a Iônia, após conter os revoltosos contra o rei Dario. Como nos demais livros, Heródoto não se circunscreve à descrição dos armamentos e das batalhas, também registra alguns costumes, hábitos e práticas religiosas dos trácios e macedônios, também elabora uma descrição geográfica dos seus territórios. No entanto, o principal acontecimento deste livro é a Revolta Iônia, a qual Heródoto relata em detalhes, desde os primeiros movimentos até o seu desfecho desastroso, que foi a derrota para o Império Persa. Heródoto destaca que a interferência do rei persa na política das cidades por conta da instituição de tiranos amigos do Império Persa e as manobras dos tiranos Aristágoras e de Histieu, ambos de Mileto, culminaram na malfadada insurreição dos iônios, que se tornou um preâmbulo para as Guerras Persas.
Histórias - Terpsícore
Heródoto
Histórias, de Heródoto - Terpsícore
"Pois se, de fato, vós pensais que essa forma de governo é útil para as cidades que são governadas por tiranos, sede vós mesmos os primeiros a estabelecer um tirano para vós mesmos." O quinto livro das Histórias de Heródoto foca na Revolta da Iônia contra o domínio persa, desde o seu início até sua derrocada; e, neste meio tempo, como se inicia a inimizade entre os helenos e os persas - um destaque para Atenas e Esparta, que são contatadas pelos iônios para ajudá-los na revolta. O livro é interessante, apesar das gigantescas digressões e notas de rodapé imensas (na primeira página, há duas linhas de texto - o resto é preenchido por notas de rodapé). Não é simples manter-se focado e acompanhar a linha de raciocínio do autor, que interrompe sua narrativa para voltar a ela algumas páginas depois. Sugiro ler as notas de rodapé após a leitura completa de cada capítulo, para evitar perder-se durante a narrativa. E, claro, a cada cidade ou algo desconhecido citado, procurar seu significado; também tive a experiência da leitura ficar menos fluida ao procurar em excesso e perder-se nas pesquisas, e ao retornar à leitura, ser muito difícil acompanhar a narrativa. De fato, os diversos personagens com os mesmos nomes, as localidades desconhecidas, as digressões, as narrativas sem tanta importância e demasiadamente descritivas de Heródoto não tornam o trabalho do leitor nada fácil. As gigantescas notas de rodapé - que são imprescindíveis e muito informativas, devo dizer - e os poucos erros de digitação (inclusive com troca de nomes de personagens), tampouco. Mas é um aviso: leia com atenção e paciência. Infelizmente, faltou-me um pouco destas duas virtudes no caminho para o fim do livro. Após terminar este volume, li novamente a introdução; recomendo fortemente esta prática, e, talvez, lê-la durante a leitura mesma do livro. É um "resumo" do livro, guia o leitor nas digressões e passa as informações mais importantes e que devem ser extraídas. Assim, nos próximos volumes, provavelmente testarei a leitura simultânea das duas. Mas o que posso dizer é que, ao menos no fim da leitura, reler a introdução auxilia o entendimento do livro. Esta foi mais uma edição primorosa da Edipro, e a última desta série. Não há previsão de quando serão lançados os últimos quatro livros, infelizmente. As belíssimas capas já justificam a aquisição dos livros, certamente. E, com paciência e atenção, seu conteúdo pode ser apreciado adequadamente.
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