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    Povo de Deus - Quem são os evangélicos e por que eles importam

    Juliano Spyer

    Geração Editorial
    2020
    284 páginas
    9h 28m
    ISBN-13: 9788581305080
    Português Brasileiro
    4.2
    108 avaliações
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    Favoritos5Desejados200Avaliaram108

    Por que 2020 é a década dos evangélicos? Nos anos 1970, os evangélicos representavam apenas 5% dos brasileiros; hoje, são um terço da população adulta do país e, segundo estatísticos, superarão os católicos na próxima década. Mais importante do que a magnitude dos números é o que isto representa: pretos e pardos pobres convertidos ao protestantismo ascendem socialmente, e hoje estão presentes no próprio Estado. Povo de Deus pretende partilhar com os leitores este fato que já é conhecido por sociólogos e antropólogos que estudam religião: entrar para a igreja evangélica melhora as condições de vida dos brasileiros mais pobres. Escrito em linguagem direta e clara, o livro dá ao leitor acesso aos principais estudos sobre o cristianismo evangélico no Brasil. Sem jargões e a linguagem nebulosa de muitos livros acadêmicos, Povo de Deus apresenta temas básicos que vão desde o que é o protestantismo pentecostal e de como ele se diferencia do protestantismo histórico até o exame das consequências do crescimento da presença evangélica no Estado, tema crucial considerando que o voto evangélico consolidou a vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018. Juliano Spyer argumenta que o preconceito que muitos brasileiros escolarizados expressam contra o cristianismo evangélico reflete o preconceito contra pobres que não se vitimam e buscam sua inclusão social via educação e consumo. Este é um dos fenômenos de massa mais importantes do século, muito pouco conhecido pelas elites pensantes do Brasil, que ignoram a rica e extensa literatura acadêmica produzida nas últimas décadas sobre o assunto.

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    Kathleen21/11/2024Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Se propõe a pensar fora dos estereótipos e remarca obviedades

    Povo de deus é um livro que, no geral, tem muita dificuldade em responder as questões que levanta, mas como se isso não fosse o suficiente, ainda apresenta problemas de continuidade, exemplo: "Mesmo estas línguas não sendo úteis para a comunicação com outros povos, a ética pentecostal se caracterizou desde o princípio por preferir abrir novas igrejas e disseminar a palavra de Deus do que gastar o dinheiro das doações embelezando as igrejas já existentes." Eu li várias vezes e ainda assim tive dificuldade de entender a conexão do primeiro período com o segundo. A construção da frase faz parecer que são ideias distantes, jogadas como complementares, embora não sejam. Ainda lidamos com as críticas em subtexto aos católicos, que pessoalmente parecem quase infantis e se repetem ao longo do texto inteiro. O que ele quis atacar? A opulência da igreja católica? Ou a estratégia de utilizar a arte como recurso narrativo de evangelização? Por vezes tive a impressão que para o autor, todos os pobres que não são evangélicos tem menos chance de ter a mesma rigidez moral e estão em situação de miséria total, chegando a citar diversas vezes autores que defendem essa posição como: " 'Smith aponta, por exemplo, para como as congregações promovem normas cívicas básicas, que geralmente não estão à disposição da população pobre por meio das escolas. Ela também reconhece que a maior presença de políticos evangélicos “melhorou a representação em questões relacionadas à sexualidade e à família, uma vez que a maioria dos legisladores tem estado muito à esquerda de seus constituintes nessas questões' " eu me recuso a aceitar que isso aqui é reconhecido como ciência e não um panfleto ideológico. É isso que dá ficar se dirigindo a análises políticas feitas por norte americano. Outros pontos também são incômodos, diferentes dos erros de continuidade, esses equívocos são intencionais com o objetivo de defender um ponto de vista, o que para cientistas é um pecado gravíssimo. Nos capítulos em que aborda as questões de gênero, ele diz: "Se a mulher evangélica não se sente fortalecida por sua aproximação com a igreja, por que ela está à frente do trabalho voluntário de trazer seus amigos, familiares e vizinhos para frequentar os cultos e as atividades evangelizadoras?" Essa é uma defesa aberta e descarada do evangelismo sem que eles tenham solicitado. Insinuar que mulheres são "fortalecidas" e empoderadas nas igrejas evangélicas, ou qualquer outra instituição espiritual, inclusive combatendo a violência doméstica, porque, do contrário, não estariam presentes nesses ambientes é de um escárnio com todos os estudos sérios que foram feitos nesse âmbito. Não faz o menor sentido se questionar isso e só aponta para o desconhecimento do autor sobre a questão, sendo incapaz de perceber a manutenção das performances de gênero que incluem, entre outros, a responsabilidade da mulher em "edificar seu lar". Esse questionamento está no mesmo campo mental dos que se perguntam se uma mulher não gosta de apanhar, por que permanece com o marido? Vamos lembrar que algumas dessas mulheres só tem a igreja como rede de apoio, que são muitas vezes culpadas pela ruína do casamento — o que aumenta sua vulnerabilidade emocional e, portanto, apego às essas instituições. Sem mencionar a represália que sofrem as mulheres que decidem não se submeter a essa lógica do matrimônio. Se você tivesse uma única válvula de escape, em um momento de turbulência emocional, você teria peito para abandoná-la, ainda que fosse prejudicial a você? Será que você sequer reconheceria o prejuízo? As coisas ainda pioram, sobre a questão da homossexualidade o autor realmente concluiu que a opinião dos fiéis pentecostais sobre esse assunto é muito mais de tolerância do que o que indicaria a bancada evangélica no congresso, e para demonstrar isso ele usa o exemplo do atleta Diego Hypólito, assumidamente gay, e seu encontro com a eminência política mais popular nesse público... Jair Bolsonaro. Sério, parece piada uma coisa dessa kkkkk. Mais uma vez ganha a desconexão com a realidade material em nome da defesa panfletária de uma ideia. Esquecendo convenientemente que o grupo dos evangélicos são grandes responsáveis pela inflamação de pânicos morais como o famosíssimo "kit gay". Ele ainda cita a igreja Bola de Neve, que tem um público majoritariamente jovem, atribuindo a eles uma postura que rompe com os tradicionalismos dos costumes quando, na verdade, pesquisas publicadas na mesma época do livro apontam que essa subversão é quase exclusivamente estética e performática (Ribeiro e Cunha, 2012). Ele ignora que essa aproximação está muito mais relacionada a uma reedição do que ficou conhecido como cura gay, em que o objetivo aqui não é de forma nenhuma o convívio livre e respeitoso, sem a interferência do estigma do pecado, mas uma tentativa de convencer essas pessoas a "renunciarem sua sexualidade". Além disso, qualquer análise pouco cuidadosa é capaz de perceber que existia ali um interesse político nessa associação. Quão comum é que candidatos de direita, invariavelmente adotados pelos cristãos, em vésperas de eleição baixem seus tons discursivos para parecerem mais tolerantes? É a teia da aranha para a mosca. Incansável no seu papel de errar, o autor continua: "O incômodo em relação à teologia da prosperidade seria uma desaprovação a que o pobre ambicione para si aquilo que faz parte da vida dos brasileiros mais ricos, como viajar de avião, fazer turismo para o exterior e consumir produtos caros" corta pro Marco Feliciano pedindo a senha do cartão de crédito para uma fiel kkkkk o Valadão lançando ele próprio um cartão de crédito e anunciando no culto. A teologia da prosperidade é uma distorção dos afetos de consumo da sociedade contemporânea associada a ambição dos pastores pentecostais, o objetivo é encher os bolsos de figurões da fé em nome de alimentar gente pobre com besteirol neoliberal. A teologia da prosperidade não nasce da vontade de romper os ciclos de pobreza, mas de convencer os fiéis que o alcance material não só é essencial — o que condiz com os anseios de um grupo marginalizado —, como só será alcançado frente ao compromisso com o trabalho e dinheiro dedicados a igreja, que são ambos sistemas hiper lucrativos. Interessante perceber que para esses senhores, as bençãos de Deus estão condicionadas ao pagamento dos dízimos assiduamente, do contrário não tem benção, nem prosperidade e muito menos teologia de coisa nenhuma. Por fim, passou o livro todo atacando um espantalho das "classes ricas e abastadas" que olham através de preconceito para os evangélicos revolucionários e cometeu o deslize denunciante de comentar que a "assistente de casa" — lê-se empregada doméstica para os que se constrangem pelo nome mas não abrem mão de seus serviços — tinha o hábito de assistir cultos da universal, apesar de ser católica, deixando bem claro que partilha do mesmo olhar exótico da classe que critica. É um politicamente correto sem substância. Não diz a que veio e comete equívocos em nome de anunciar uma virtude muito parecida aquela que critica, o antropólogo bem feitor. Aqui vai uma ilustração da fonte de todos os equívocos do livro: "muitos dos quais não se pareciam com a imagem do evangélico geralmente descrita pelos veículos tradicionais de mídia e por muitas das pessoas do meu círculo social: brasileiros de origem familiar europeia, moradores de centros urbanos, que cursaram universidades públicas e só precisaram trabalhar depois de adultos" fica parecendo que o autor achou que descobriu a roda quando percebeu algo que sempre foi uma obviedade pra qualquer pessoa que convive com esses evangélicos, a maior parte deles é proveniente da classes mais baixas e se identificam como pretos ou pardos.

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    Juliano Spyer

    Antropólogo digital, escritor e educador Sou pesquisador do Centro de Pesquisas em Consumo e Sociedade - Cecons/UFRJ, colunista da Folha de SP e atuo como consultor na Nosotros.

    2 Livros
    0 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Juliano Spyer