Justiça - O que é fazer a coisa certa

    Michael J. Sandel

    Civilização Brasileira
    2020
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9788520010303
    Português Brasileiro

    Quais São Nossos Deveres para com os outros como pessoas de uma sociedade livre? O governo deve taxar o rico para ajudar o pobre? O livre mercado é justo? Pode ser errado, às vezes, falar a verdade? Matar pode ser moralmente necessário? É possível, ou desejável, legislar sobre a moral? Os direitos individuais e o bem comum conflitam entre si? O curso Justiça de Michael J.Sandel é um dos mais populares e influentes na Universidade de Harvard. Quase mil alunos aglomeram-se no anfiteatro do campus para ouvir Sandel relacionar as grandes questões da filosofia política aos mais prosaicos assuntos do dia e, neste outono, a rede pública de televisão transmitirá uma série baseada em suas aulas. Justiça oferece aos leitores a mesma jornada empolgante que atrai os alunos de Harvard. Este livro é uma exploração investigativa e lírica do significado de justiça que convida os leitores de todas as doutrinas políticas a considerar as controvérsias familiares de maneira nova e iluminada. Ação afirmativa, casamento entre pessoas do mesmo sexo, suicídio assistido, aborto, serviço militar, patriotismo e protesto, os limites morais dos mercados Sandel dramatiza o desafio de meditar sobre esses conflitos e mostra como uma abordagem mais firme da filosofia pode nos ajudar a entender a política, a moralidade e também nossas convicções. Justiça tem vida, provoca o raciocínio e é sábio uma nova e essencial contribuição para a pequena prateleira dos livros que abordam, de forma convincente, as questões mais difíceis da nossa vida cívica.

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    Felipe Moitta05/10/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O que é fazer a coisa certa?

    Genial!!! Um livro que está a altura do título, recomendo a TODOS, sem exceção. Há 3 principais linhas filosóficas sobre o que é o certo. O utilitarismo parte do pressuposto que devemos maximizar o prazer e evitar a dor, e o resto é como calcular isso. Não há diferença entre um tipo de prazer e outro. A ideologia libertária diz que somos livres e portanto defende um Estado Mínimo, é contra leis paternalistas e etc. Discute sobre o mercado e conceitos morais, se há limites morais para a atuação do mercado, se há bens ou serviços que nunca deveriam ser comercializados pela sua natureza. (órgãos humanos, vaga no exército..) Para Immanuel Kant o que importa é o motivo, isso torna alguma ação moralmente correta ou não. Só podemos escapar dos ditames da natureza e das circunstâncias se agirmos com autonomia, segundo uma lei que impomos a nós mesmos. Tal lei não pode ser condicionada por nossas vontades e nosso desejos particulares. Liberdade e moralidade são interligadas. Não deveríamos tratar seres humanos como objetos ou meios para atingir um fim, e sim como um fim em sí, respeitando sua condição de ser racional. John Rawls vem com a questão da equidade, que apenas será alcançada quando as decisões são tomadas sob um "véu de ignorância", o que impede a parcialidade. O seu talento não é seu, e é sorte a sociedade valorizar essas aptidões. A desigualdade de renda só é aceita a título de incentivo, desde que esses incentivos sejam necessários para melhorar a vida dos menos favorecidos. Nossa contribuição depende, pelo menos em parte, das aptidões cujos créditos não podemos reivindicar. Ação afirmativa no caso de cotas - levar raça e etnia em consideração para 1)correção de distorções em testes padronizados; 2)compensação por erros do passado e 3) promoção da diversidade. A justiça pode ser dissociada do mérito moral? Aristóteles - "quem merece o quê?". As discussões sobre justiça e direitos com frequência são discussões sobre o propósito, ou télos, de uma instituição social, o que, por sua vez, reflete noções conflitantes a respeito das virtudes que a instituição deveria valorizar e recompensar. "Só realizaremos plenamente nossa natureza como seres humanos se vivermos em uma pólis e participarmos da política." "A virtude moral resulta do hábito. (...) Tornamo-nos justos ao praticar ações justas, comedidos ao praticar ações comedidas e etc" Talvez não seja possível determinar o que é justo sem discutir a natureza da vida boa. Para Aristóteles a finalidade da associação política é cultivar a virtude dos cidadãos, aprender a levar uma vida boa; permitir que as pessoas desenvolvam suas capacidades e virtudes para deliberar sobre o bem comum, desenvolver um julgamento prático, participar da autodeterminação do grupo, cuidar do destino da comunidade como um todo. "A finalidade de uma pólis é uma vida boa, e as instituições da vida social são os meios de atingir essa finalidade." Ele não respeita as pessoas como seres livres e independentes, capazes de escolher sozinhos os próprios objetivos. Dilemas de lealdade trata do ser livre e responsável apenas pelo que consente e como alternativa à concepção voluntarista do indivíduo, MacIntyre desenvolve uma concepção narrativa. Vivemos nossa vida como uma jornada narrativa. Estamos atados por laços morais que não escolhemos e que não estão associados a um contrato social. Para Kant e Rawls, o certo tem primazia sobre o bom. Os princípios de justiça que definem nossos direitos e deveres devem ser neutros no que tange à definição de vida boa. Para chegar a lei moral, argumenta Kant, devemos abstrair nossos interesses e objetivos contingentes. Para deliberar sobre justiça, sustenta Rawls, devemos deixar de lado nossos apegos e convicções particulares vendo através de um véu de ignorância, sem saber a quem nossas decisões afetam.

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