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    Justiça - O que é fazer a coisa certa

    Michael J. Sandel

    Civilização Brasileira
    2021
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9786558020455
    Português Brasileiro
    4.4
    3355 avaliações
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    Em edição comemorativa dos 10 anos de publicação no Brasil, o best-seller Justiça: O que é fazer a coisa certa agora com capa dura, pintura trilateral e a transcrição de uma conversa inédita entre o autor e o ministro Luís Roberto Barroso. O curso “Justice“, de Michael J. Sandel, é um dos mais populares e influentes de Harvard. Quase mil alunos aglomeram-se no anfiteatro do campus da universidade para ouvir Sandel relacionar grandes problemas da filosofia a prosaicos assuntos do cotidiano. São temas instigantes que, reunidos neste livro, oferecem ao leitor a mesma jornada empolgante que atrai os alunos de Harvard: casamento entre pessoas do mesmo sexo, suicídio assistido, aborto, imigração, impostos, o lugar da religião na política, os limites morais dos mercados. Após completar 10 anos de publicação no Brasil, Justiça: O que é fazer a coisa certa se tornou um best-seller com dezenas de reimpressões e conquistou uma legião de leitores no país. A recepção da obra foi tamanha que o autor, Michael J. Sandel, influente e renomado professor de Harvard, veio ao Brasil mais de uma vez e aqui fez importantes conexões. O conteúdo inédito – e oportuno – que essa edição comemorativa traz é justamente um poderoso diálogo entre o autor e o ministro Luís Roberto Barroso sobre dilemas morais e éticos que afetam a sociedade como um todo. Ao longo do livro, Sandel aborda o desafio que é refletir acerca desses grandes conflitos. No lugar de respostas prontas, o autor apresenta casos práticos, cotidianos, que evidenciam como a Filosofia pode ajudar na concepção própria de cada um sobre o que é Justiça.

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    Resenhas (312)Ver mais
    Felipe Moitta picture
    Felipe Moitta05/10/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O que é fazer a coisa certa?

    Genial!!! Um livro que está a altura do título, recomendo a TODOS, sem exceção. Há 3 principais linhas filosóficas sobre o que é o certo. O utilitarismo parte do pressuposto que devemos maximizar o prazer e evitar a dor, e o resto é como calcular isso. Não há diferença entre um tipo de prazer e outro. A ideologia libertária diz que somos livres e portanto defende um Estado Mínimo, é contra leis paternalistas e etc. Discute sobre o mercado e conceitos morais, se há limites morais para a atuação do mercado, se há bens ou serviços que nunca deveriam ser comercializados pela sua natureza. (órgãos humanos, vaga no exército..) Para Immanuel Kant o que importa é o motivo, isso torna alguma ação moralmente correta ou não. Só podemos escapar dos ditames da natureza e das circunstâncias se agirmos com autonomia, segundo uma lei que impomos a nós mesmos. Tal lei não pode ser condicionada por nossas vontades e nosso desejos particulares. Liberdade e moralidade são interligadas. Não deveríamos tratar seres humanos como objetos ou meios para atingir um fim, e sim como um fim em sí, respeitando sua condição de ser racional. John Rawls vem com a questão da equidade, que apenas será alcançada quando as decisões são tomadas sob um "véu de ignorância", o que impede a parcialidade. O seu talento não é seu, e é sorte a sociedade valorizar essas aptidões. A desigualdade de renda só é aceita a título de incentivo, desde que esses incentivos sejam necessários para melhorar a vida dos menos favorecidos. Nossa contribuição depende, pelo menos em parte, das aptidões cujos créditos não podemos reivindicar. Ação afirmativa no caso de cotas - levar raça e etnia em consideração para 1)correção de distorções em testes padronizados; 2)compensação por erros do passado e 3) promoção da diversidade. A justiça pode ser dissociada do mérito moral? Aristóteles - "quem merece o quê?". As discussões sobre justiça e direitos com frequência são discussões sobre o propósito, ou télos, de uma instituição social, o que, por sua vez, reflete noções conflitantes a respeito das virtudes que a instituição deveria valorizar e recompensar. "Só realizaremos plenamente nossa natureza como seres humanos se vivermos em uma pólis e participarmos da política." "A virtude moral resulta do hábito. (...) Tornamo-nos justos ao praticar ações justas, comedidos ao praticar ações comedidas e etc" Talvez não seja possível determinar o que é justo sem discutir a natureza da vida boa. Para Aristóteles a finalidade da associação política é cultivar a virtude dos cidadãos, aprender a levar uma vida boa; permitir que as pessoas desenvolvam suas capacidades e virtudes para deliberar sobre o bem comum, desenvolver um julgamento prático, participar da autodeterminação do grupo, cuidar do destino da comunidade como um todo. "A finalidade de uma pólis é uma vida boa, e as instituições da vida social são os meios de atingir essa finalidade." Ele não respeita as pessoas como seres livres e independentes, capazes de escolher sozinhos os próprios objetivos. Dilemas de lealdade trata do ser livre e responsável apenas pelo que consente e como alternativa à concepção voluntarista do indivíduo, MacIntyre desenvolve uma concepção narrativa. Vivemos nossa vida como uma jornada narrativa. Estamos atados por laços morais que não escolhemos e que não estão associados a um contrato social. Para Kant e Rawls, o certo tem primazia sobre o bom. Os princípios de justiça que definem nossos direitos e deveres devem ser neutros no que tange à definição de vida boa. Para chegar a lei moral, argumenta Kant, devemos abstrair nossos interesses e objetivos contingentes. Para deliberar sobre justiça, sustenta Rawls, devemos deixar de lado nossos apegos e convicções particulares vendo através de um véu de ignorância, sem saber a quem nossas decisões afetam.

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