Jesus (Encanto Radical #49) -

    Paulo Leminski

    Brasiliense, (SP)
    1984
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788511030495
    Português Brasileiro

    Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionário, fariseu, essênio, dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos. Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutível apenas é que sua doutrina tomou o poder no Império Romano sem levantar uma espada. Entender suas parábolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangélico. Peixes-símbolo de subversão da ordem vigente. Ler Jesus é caminhar sobre as águas incertas que vêm com força e quebram em ondas de interpretações. Nas praias porém, só existe a certeza de que ele era um superpoeta. . .

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    Marcos M. Casadore08/02/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Jesus superpoeta

    Leminski traz nessa pequena grande obra uma verdadeira genealogia acerca do mais aclamado profeta (ou melhor seria, nabi) de toda a história do mundo. Joshua Bar Yosef, conhecido como Jesus, era nazareno, fariseu de origem, filho do carpinetiro José e de sua mulher Maria; um verdadeiro utopista, que mobilizou grande parte do povo do Mediterrâneo e conquistou depois não só o império Romano como grande parte do mundo com seu exímio domínio das palavras e suas parábolas que provinham, já, de outros nabis que o antecederam, como João, o Batista, e Elias. Paulo Leminski consegue aqui compor uma biografia mais "humana" de Jesus, personagem envolto por signos e significantes, parábolas e ideários; escreve e relaciona tudo no contexto histórico. A partir das suas próprias traduções dos Evangelhos ("boas mensagens") gregos - e não só dos 4 canonizados, que compõem o "Novo Testamento", como também dos fragmentos dos apócrifos e demais escritos negligenciados pela igreja - o autor consegue, com maestria, constituir uma biografia fantástica, cheia de boas sacadas e ainda com pitadas de humor, que só poderia, mesmo, advir de um gênio da etimologia, da poesia, da literatura e, por que não?, da história. Com certeza, vale a leitura. Trecho final, de um apócrifo; "Evangelho da Infância", ou "Evangelho segundo Domingos" (trad. Leminski): (...) - Voltou para ser carpinteiro, filho? Jesus sentou cansado. - Não sei mais o que fazer da vida, pai. - Viaja mais - José falou se coçando - um dia você acha o que fazer. - É - suspirou - acho que vou andar mais um pouco por aí.

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