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    Jesus a. C. (Encanto Radical #49) -

    Paulo Leminski

    Brasiliense
    1984
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-10: 8511030492
    Português Brasileiro
    4.1
    45 avaliações
    Leram78Lendo3Querem52Relendo0Abandonos0Resenhas7
    Favoritos4Desejados52Avaliaram45

    Mal-aventurados os que se rendem às verdades absolutas sobre Jesus. Se foi reformador ou revolucionário, fariseu, essênio, dissidente ou profeta iluminado, nada disso nos contam os Evangelhos. Jesus sabia se esconder bem entre as muralhas e as palavras. Indiscutível apenas é que sua doutrina tomou o poder no Império Romano sem levantar uma espada. Entender suas parábolas é mergulhar num emaranhado de significados que se multiplicam como os peixes do milagre evangélico. Peixes-símbolo de subversão da ordem vigente. Ler Jesus é caminhar sobre as águas incertas que vêm com força e quebram em ondas de interpretações. Nas praias porém, só existe a certeza de que ele era um superpoeta. ==== http://www.editorabrasiliense.com.br/cat-colecao-encanto-radical.php

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    Resenhas (7)Ver mais
    Marcos M. Casadore picture
    Marcos M. Casadore08/02/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Jesus superpoeta

    Leminski traz nessa pequena grande obra uma verdadeira genealogia acerca do mais aclamado profeta (ou melhor seria, nabi) de toda a história do mundo. Joshua Bar Yosef, conhecido como Jesus, era nazareno, fariseu de origem, filho do carpinetiro José e de sua mulher Maria; um verdadeiro utopista, que mobilizou grande parte do povo do Mediterrâneo e conquistou depois não só o império Romano como grande parte do mundo com seu exímio domínio das palavras e suas parábolas que provinham, já, de outros nabis que o antecederam, como João, o Batista, e Elias. Paulo Leminski consegue aqui compor uma biografia mais "humana" de Jesus, personagem envolto por signos e significantes, parábolas e ideários; escreve e relaciona tudo no contexto histórico. A partir das suas próprias traduções dos Evangelhos ("boas mensagens") gregos - e não só dos 4 canonizados, que compõem o "Novo Testamento", como também dos fragmentos dos apócrifos e demais escritos negligenciados pela igreja - o autor consegue, com maestria, constituir uma biografia fantástica, cheia de boas sacadas e ainda com pitadas de humor, que só poderia, mesmo, advir de um gênio da etimologia, da poesia, da literatura e, por que não?, da história. Com certeza, vale a leitura. Trecho final, de um apócrifo; "Evangelho da Infância", ou "Evangelho segundo Domingos" (trad. Leminski): (...) - Voltou para ser carpinteiro, filho? Jesus sentou cansado. - Não sei mais o que fazer da vida, pai. - Viaja mais - José falou se coçando - um dia você acha o que fazer. - É - suspirou - acho que vou andar mais um pouco por aí.

    6 curtidas

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    4.1 / 45
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas36%
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    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
    Paulo Leminski Filho profile picture

    Paulo Leminski Filho

    Paulo Leminski Filho foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô. Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares. Em 1958, aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Leminski casou-se, aos dezessete anos, com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968). Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista. Em 1965, tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô. Classificado em 1966 em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna. Casou-se em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante vinte anos. Algum tempo depois de começarem a namorar, Leminski e Alice foram morar com a primeira mulher do poeta e seu namorado, em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos: Miguel Ângelo (que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma). Eles também tiveram duas meninas, Áurea (homenagem a sua mãe) e Estrela. De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário. Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais, embora ele jamais tenha sido próximo de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970. Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas - como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 - e lançou o seu ousado Catatau, que denominou

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    Paraná, Brasil

    Paulo Leminski Filho