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    Noite e dia desconhecidos -

    Bae Su-Ah

    DBA
    2021
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786558260165
    Português Brasileiro
    3.5
    116 avaliações
    Leram152Lendo10Querem298Relendo0Abandonos7Resenhas20
    Favoritos7Desejados298Avaliaram116

    Neste romance de uma das vozes mais originais e ousadas da nova literatura sul-coreana, o leitor embarca em uma jornada onírica por uma Seul densa e misteriosa. Após perder seu emprego em um teatro para cegos, a atriz Ayami vaga pelas ruas à procura de uma professora desaparecida enquanto a realidade parece pouco a pouco se desfazer, e elementos enigmáticos ressurgem em outros locais, quando o livro nos conduz à ensolarada Valparaíso. Noite e dia desconhecidos remete aos melhores filmes de David Lynch e Kim Ki-Duk ao oferecer um quebra-cabeças surreal que ecoará em nosso pensamento – consciente e inconsciente – por muito tempo.

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    Daniele24/08/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Incoerências e incógnitas

    "Com a janela aberta, o ar quente, mais denso que um edredom molhado, forçava a entrada, como uma massa corpulenta, na minúscula casa de um só cômodo sem ventilador nem ar-condicionado [...]" No momento em que escrevo, os termômetros apontam uma temperatura de 33ºC e as autoridades em meteorologia emitem alerta laranja, devido a baixa umidade do ar. Mesmo que seja difícil traçar uma comparação com o verão coreano retratado no livro, com temperatura chegando aos 39ºC e umidade sufocante, não posso dizer que o clima aqui no Centro-Oeste brasileiro esteja agradável. Também não está nada propício para atividades que exijam raciocínio lógico (como escrever uma resenha). Nessa empreitada ousada de Bae Su-ah em forma de livro, seguimos Ayami, ex-atriz que trabalha em um teatro de áudio. Sua função é apresentar brevemente a peça do dia e em seguida colocar o respectivo disco. Em geral, o pequeno público consiste em visitantes com deficiência visual e estudantes que estão ali para cumprir algum trabalho escolar. A premissa do livro é simples, mas a autora tem um jeitinho sutil de nos manipular, confundir, fazer a mente nos pregar peças, quase beirando um terror psicológico. Panturrilhas magras com tendões salientes, transmissões de previsão do tempo destinadas a pessoas em alto mar, saias que drapejam como um velho pano de prato, o latido ameaçador de um daqueles cães grandes e pesados como um bezerro, sandálias feitas com tecido de cânhamo trançado de modo grosseiro... Esses são alguns elementos que me deixaram uma forte impressão, pois perpassam e encadeiam levemente a linha narrativa que ameaça desmoronar a qualquer momento. Ou melhor, derreter como um cubo de gelo sob o impiedoso sol de verão. Facilmente é o livro mais intrigante que li esse ano até o momento. Ainda me pego pensando em alguns trechos antes de dormir. Até despertou em mim medos e angústias que eu não sabia que tinha (talvez o nome disso seja ansiedade). Sob o olhar da autora, o mundo e a existência parecem mais frágeis e efêmeros do que eu considerava. Bae Su-ah usa a escrita como uma habilidade, um superpoder, capaz de causar colapso e/ou reconstruir realidades e perspectivas. Pessoas, lugares, tempo e memória não passam de incoerências e incógnitas que podem se perder facilmente no labirinto da mente humana.

    24 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 116
    • 5 estrelas15%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas4%
    Bae Su-Ah profile picture

    Bae Su-Ah

    Nascida em 1965, Bae Su-ah é graduada em química pela Ewha Womans University, de Seul, mas sempre teve por hábito escrever histórias por hobby, até debutar como escritora em 1988 com a obra A darkroom [Um Quarto Escuro]. Na sequência, publicou Highwaywith Green Apples [Estrada com Maçãs Verdes] e Rhapsody in Blue [Rapsódia em Azul], ambos em 1995. Desde 2001, ela reside na Alemanha, onde segue produzindo sua ficção inventiva e outsider, caracterizada pelo aprofundamento psicológico de seus personagens. Entre seus livros mais recentes estão Low Hills in Seoul [Baixas Colinas em Seul] e North Living Room[Sala Norte]. Sukiyaki de Domingo, originalmente publicado em 2003, é seu primeiro título traduzido em português.

    2 Livros
    10 Seguidores

    Bae Su-Ah