El ángel que nos mira narra de forma pormenorizada las vivencias del joven Eugene Gant en el profundo sur de EE.UU durante el comienzo del siglo XX. La novela, aparentemente autobiográfica, comienza con la azarosa vida del padre del protagonista, Oliver Gant, y trasciende el simple recorrido de una vida para indagar en el alma humana mediante un exhaustivo análisis de la complejidad de las relaciones humanas.
El ángel que nos mira -
Thomas Wolfe
Entre a poesia e o assombro
Consegui ler esse livro extenso e maravilhoso de Thomas Wolfe. Tive que contar com alguns milagres, afinal, a obra ainda não foi publicada no Brasil. O título do livro no meu país é "Olhe para casa, Anjo: uma história de uma vida enterrada". Inicio logo dizendo que valeu a pena a leitura. Eu amei a narrativa do Thomas Wolfe, ele é poético e faz muito o meu estilo. O autor, apesar de poético, não esconde os "entulhos interiores" da família Gant. O livro deixa claro a discriminação com os negros e os judeus, logo nos primeiros capítulos. A obra tem o teor pesado, talvez pela época (1.900), onde o preconceito era latente e escancarado. Enfim, a minha leitura (apesar disso) seguiu e fui sobrevoando as colinas de Altmont e mergulhando no sangue dos Gant. Nadando nas memórias de Eugene. E o bordão palpitava e interrogava no meu coração: "... uma pedra, uma folha, uma porta. Onde? Quando?" O livro conta a história de Oliver Gant, e da família que ele formou com Eliza Pentland. A obra é autobiográfica, embora o autor use o alterego de Eugene Gant, o filho mais novo de Oliver e Eliza. Tudo é memória de Eugene, desde o seu nascimento até os 19 anos. Ele conta a trajetória do avô, Gilbert Gant, e depois do pai, Oliver Gant - um cortador de pedras (que faz lápides), apaixonado por anjos de pedras, pai e também a pedra angular da família. Ele revela as particularidades de toda a família, sobre os seus comportamentos bizarros, defeitos e qualidades. Eugene enfatiza a mesquinhez da própria mãe, uma mulher avarenta e obcecada em propriedades, bens e dinheiro; o alcoolismo do pai; a negligência na formação dos filhos e a personalidade de cada um dos irmãos. Eugene traz a tona lembranças de mortes, perdas, momentos de luto e nos assombra também com a rapidez da superação. Eu ouso dizer também que esse livro é um livro de saudades. Percebe-se que Eugene (o próprio Thomas Wolfe) ao expor sua escrita, evidencia, em vários momentos, a lareira que o pai acendia, a mesa farta, as frutas, as carnes e as especiarias que Oliver Gant providenciava para a família. Por mais defeituosa que fosse aquela família, o autor parece relembrar os fatos com nostalgia. E ele cita que tudo aquilo passaria. "Tudo está indo. Tudo muda e passa." Esse livro revela o quanto Eugene se chocou com a morte do irmão Ben, o quanto ele o amava e também o quanto ele não o conhecia. Ao final do livro temos um encontro incomum, onde Eugene consegue algumas respostas, mas não daquele que ele interrogou, mas de si mesmo. Ali, naquele momento transcendente, até os anjos de pedra se manifestam, talvez tentando sair de onde estão, se libertar, e, quem sabe voltar para casa.
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