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    Uma teoria feminista da violência - por uma política antirracista da proteção

    Françoise Vergès

    Ubu
    2021
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786586497625
    Português Brasileiro
    4.3
    50 avaliações
    Leram64Lendo9Querem127Relendo0Abandonos1Resenhas12
    Favoritos1Desejados127Avaliaram50

    Na contramão do feminismo carcerário e punitivista, a cientista política Françoise Vergès, autora de Um feminismo decolonial (Ubu Editora, 2020), propõe uma crítica do recurso à polícia e à judicialização dos problemas sociais, e pergunta: como podemos proteger as populações vulneráveis – incluindo mulheres, migrantes, pessoas pobres e racializadas, minorias trans e queer – sem recorrer ao sistema penal que foi concebido justamente para criminalizá-las? Sua análise não apresenta soluções prontas para acabar com as violências de gênero e sexuais, mas visa contribuir para a reflexão sobre a violência como componente estruturante do patriarcado e do capitalismo, e não como uma especificidade masculina. A autora defende uma despatriarcalização e uma decolonização da proteção, uma alternativa ao securitarismo patriarcal e estatal; uma política inspirada em experiências de comunidades, grupos militantes e profissionais da saúde, direito e educação engajados no campo da proteção. Afirmar que os mecanismos estatais e neoliberais de segurança são racializados não implica negar que as mulheres brancas e das classes burguesas também estejam sujeitas a espancamentos, estupros e assassinatos; implica dizer que interrogar a proteção pelo viés da classe, da raça e da heteronormatividade amplia o campo de ação. Vergès ainda busca responder aos seguintes questionamentos: quais são os fundamentos do feminismo carcerário? Por que a proteção das meninas e mulheres se tornou um argumento que permite reforçar o campo de ação da polícia e do judiciário? De que modo a proteção de umas serve ao objetivo de atacar outras? Quem são essas “outras” que o Estado patriarcal considera legítimo atacar – e como elas se defendem desses constantes ataques?

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    Resenhas (12)Ver mais
    Jorlaíne Girão picture
    Jorlaíne Girão08/07/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É um tanto repetitivo quando já se leu o livro anterior da autora (feminismo decolonial), que é excelente. Trata algumas outras questões importantes, como o encarceramento como forma de controle social dos não brancos e pobres, mas que não é aprofundado. É uma leitura muito boa para entender parte da luta do feminismo decolonial. Recomendo!

    42 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 50
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Françoise Vergès profile picture

    Françoise Vergès

    Cientista política, historiadora, ativista e especialista em estudos pós-coloniais. Vergès cresceu na ilha da Reunião (França), e morou na Argélia, no México, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Graduou-se em ciência política e estudos feministas na San Diego State University (1989). PhD em teoria política pela University of California de Berkeley (1995), publicou sua tese Monsters and Revolutionaries: Colonial Family Romance and Métissage [Monstros e revolucionários: o romance da família colonial e mestiçagem] pela Duke University Press (1999). Lecionou na Sussex University e na Goldsmiths College, ambas na Inglaterra. Entre 2014 e 2018 foi titular da cátedra Global South(s) no Collège d'Études Mondiales da Fondation Maison des Sciences de l’Homme. Publicou diversos artigos sobre Frantz Fanon, Aimé Césaire, abolicionismo, colonialismo, pós-colonialismo, psiquiatria, memória da escravidão, processos de creolização no Oceano Índico e novas formas de colonização e racialização. É autora de documentários sobre Maryse Condé e Aimé Césaire. Colabora regularmente com artistas, como no workshop Mapping of the Post-Colonial Space [Cartografia do espaço pós-colonial]. Trabalhou como curadora de projetos da Documenta11 (2002) e da Paris Triennale (2012). Como curadora independente, organizou o projeto de visitas guiadas “O escravo no Louvre: uma humanidade invisível” (Museu do Louvre, 2013) e as exposições "Dez mulheres poderosas" (2013) e "Haiti, medo dos opressores, esperança dos oprimidos" (2014) para o Mémorial de l'Abolition de l'Esclavage em Nantes [Memorial da abolição da escravidão]. Obras selecionadas: L’Homme prédateur. Ce que nous enseigne l’esclavage sur notre temps (Albin Michel, 2011) Exposer l’esclavage: Méthodologies et pratiques (Africultures, 2013) Le Ventre des femmes: Capitalisme, racialisation, féminisme (Albin Michel, 2017)

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    Françoise Vergès