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    Decolonizar o museu - programa de desordem absoluta

    Françoise Vergès

    Ubu
    2023
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788571261266
    Português Brasileiro
    4.6
    35 avaliações
    Leram50Lendo14Querem115Relendo0Abandonos1Resenhas7
    Favoritos3Desejados115Avaliaram35

    Negro é o modelo, branca é a moldura: assim Françoise Vergès resume a condição atual de boa parte dos museus e instituições culturais, em que saberes, objetos e produções artísticas de populações marginalizadas são expostos, narrados e rentabilizados em benefício da manutenção e ampliação do poder das elites brancas colonialistas. Neste livro, a pensadora propõe o desmantelamento da estrutura de tais instituições e sua substituição por outras formas de gerir, apresentar e distribuir as riquezas culturais que elas detêm, garantindo que a circulação desses artigos e dos conhecimentos a ele vinculados sejam mediados por um compromisso real com as populações por ele representadas. A esse novo sistema ela chama de pós-museu: “um espaço de exposição e transmissão que leve em consideração análises críticas de arquitetura e história nas artes plásticas; um lugar onde as condições de trabalho daqueles/as que limpam, vigiam, cozinham, pesquisam, administram ou produzem sejam plenamente respeitadas e onde as hierarquias de gênero, classe, raça, religião sejam questionadas”.

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    Gabriela Costa | @leia_preta picture
    Gabriela Costa | @leia_preta01/05/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para repensar os museus

    Nessa obra Verges apresenta uma discussão e proposta de descolonização radical dos museus a partir das contribuições de Frantz Fanon e Aime Cesaire sobre o colonialismo. É um livro bem denso mas muito didático, em que discute a essência dos museus europeus e a construção desses acervos através da exploração e da escravidão. A todo momento trás exemplos e cita grandes museus europeus como Louvre, resgatando a própria história da França e seu papel colonizador para reforçar seu ponto. Ela incentiva que a gente possa sonhar com um museu realmente decolonial, construído por e para pessoas negras do mundo todo. Como trabalhei em Museu me vi encantada com suas propostas e encontrei muito da realidade do trabalho museal em sua discussão. Recomendo a leitura!

    5 curtidas

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    Françoise Vergès

    Cientista política, historiadora, ativista e especialista em estudos pós-coloniais. Vergès cresceu na ilha da Reunião (França), e morou na Argélia, no México, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Graduou-se em ciência política e estudos feministas na San Diego State University (1989). PhD em teoria política pela University of California de Berkeley (1995), publicou sua tese Monsters and Revolutionaries: Colonial Family Romance and Métissage [Monstros e revolucionários: o romance da família colonial e mestiçagem] pela Duke University Press (1999). Lecionou na Sussex University e na Goldsmiths College, ambas na Inglaterra. Entre 2014 e 2018 foi titular da cátedra Global South(s) no Collège d'Études Mondiales da Fondation Maison des Sciences de l’Homme. Publicou diversos artigos sobre Frantz Fanon, Aimé Césaire, abolicionismo, colonialismo, pós-colonialismo, psiquiatria, memória da escravidão, processos de creolização no Oceano Índico e novas formas de colonização e racialização. É autora de documentários sobre Maryse Condé e Aimé Césaire. Colabora regularmente com artistas, como no workshop Mapping of the Post-Colonial Space [Cartografia do espaço pós-colonial]. Trabalhou como curadora de projetos da Documenta11 (2002) e da Paris Triennale (2012). Como curadora independente, organizou o projeto de visitas guiadas “O escravo no Louvre: uma humanidade invisível” (Museu do Louvre, 2013) e as exposições "Dez mulheres poderosas" (2013) e "Haiti, medo dos opressores, esperança dos oprimidos" (2014) para o Mémorial de l'Abolition de l'Esclavage em Nantes [Memorial da abolição da escravidão]. Obras selecionadas: L’Homme prédateur. Ce que nous enseigne l’esclavage sur notre temps (Albin Michel, 2011) Exposer l’esclavage: Méthodologies et pratiques (Africultures, 2013) Le Ventre des femmes: Capitalisme, racialisation, féminisme (Albin Michel, 2017)

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    Françoise Vergès