Limites da Fundação (Fundação #4) -

    Isaac Asimov

    Aleph
    2021
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9786586064865
    Português Brasileiro

    Quase quinhentos anos se passaram desde as predições de Hari Seldon. Ao longo dos séculos, a Primeira Fundação se tornou uma potência galáctica e ninguém questiona a inevitável ascensão de um novo Império. Ninguém, exceto o conselheiro Golan Trevize, que se vê obrigado a deixar Terminus para provar que tudo não passou de uma farsa e que, secretamente, a Segunda Fundação ainda controla o destino dos homens. Mas essa jornada levará Trevize e seu companheiro de viagem, o historiador Janov Pelorat, mais longe do que poderiam imaginar: chegando ao berço da humanidade ao seguir os rastros de um mundo quase esquecido. LIMITES DA FUNDAÇÃO é o primeiro dos quatro volumes que expandem o universo criado por ISAAC ASIMOV em sua célebre trilogia. Vencedor do prêmio Hugo de melhor novela em 1983, o livro marca o início de uma busca interplanetária que esconde grandes segredos e desafia a crença cega sobre os verdadeiros desígnios da FUNDAÇÃO.

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    Régis Maz06/03/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A empolgação foi reduzida significativamente com esse final

    A empolgação de retornar ao universo de Fundação me pegou desde o início deste quarto livro. As tramas políticas intricadas, os heróis inesperados e as novas figuras que surgiriam para salvar o Plano Seldon prometiam uma leitura envolvente. E, de fato, Limites da Fundação começa de forma promissora: a busca de Trevize e Pelorat pelo planeta de origem da humanidade, a movimentação da Segunda Fundação com Gendibal e Novi, e os jogos de poder da Prefeita de Terminus, Harla Branno, ao lado de seu Diretor de Segurança, Kondell, me prenderam completamente. Entretanto, quando a trama atinge cerca de 79% do livro e a jornada de Trevize e Pelorat os leva ao planeta Gaia, a sensação de esvaziamento se instaura. Tudo que havia sido construído, a tensão política, as intrigas entre Primeira e Segunda Fundação, a busca pelo passado da humanidade, começa a se dissipar. Pior do que isso, a solução que Asimov escolhe para o conflito deste volume mina completamente a lógica do Plano Seldon, como se todos os feitos das gerações anteriores fossem em vão. Além disso, a revelação sobre a origem do Mulo, que poderia ter sido um ponto alto, acaba sendo decepcionante e rasa. Se a trama perde força na reta final, os personagens não ajudam a resgatá-la. Trevize, que deveria ser o protagonista carismático e instigante, oscila entre grosseria e imaturidade. Sua intuição altamente desenvolvida, um dom essencial para a narrativa, é mal trabalhada, tornando suas deduções mais arbitrárias do que inteligentes. A única coisa que o humaniza um pouco para mim é a amizade com Pelorat, que rende alguns bons momentos na jornada. Já Gendibal, cuja disputa dentro da Segunda Fundação inicialmente parecia promissora, revela-se um personagem dominado pelo ego, e sua relação com Novi não passa de uma dinâmica extremamente desconfortável de ler, onde ele precisa ter alguém inocente e submissa que o enalteça constantemente. E falando na Segunda Fundação, que decepção. Antes vistos como os guias psíquicos da humanidade, os Oradores se mostram apenas um grupo de burocratas vaidosos, mais preocupados em disputas de poder internas do que com o destino da galáxia. Harla Branno, a Prefeita de Terminus, também não escapa do problema. Mesmo convencida de que o Plano Seldon está funcionando, resolve, sem mais nem menos, que a Primeira Fundação deve abandonar a espera de 500 anos e conquistar a galáxia pela força, ainda que isso possa levar à ruína tudo o que construíram. E então chegamos a Gaia. Não entrarei em spoilers, mas a revelação desse planeta e de seus habitantes foi uma das partes mais frustrantes do livro. Seu conceito se distancia tanto da essência de Fundação que a sensação é de estar lendo outra história, uma que torna irrelevante todo o esforço de gerações passadas. Até mesmo a ideia de um "coletivo perfeito" se torna cansativa. Às vezes, harmonia demais pode ser tão entediante quanto o caos pode ser desesperador. Isso nos leva a Júbilo, uma das representantes de Gaia. Se Novi é marcada pela submissão, Júbilo sofre de outro problema. Ela é construída exclusivamente para ser o objeto que desperta desejo nos homens, não tem nenhuma função relevante na trama e sua existência se resume a ser bela, sensual e sedutora. A forma como Júbilo é apresentada a reduz a um arquétipo idealizado e o próprio nome dela reforça essa artificialidade. Isso me lembra que preciso destacar o problema no desenvolvimento das personagens femininas. E devo dizer que o autor se superou, nenhuma das três se salva. Harla Branno é um amontoado de estereótipos negativos associados a mulheres no poder. Sua aparência, idade, roupas e até sua pele são alvo de descrições pejorativas, enquanto seus equivalentes masculinos não sofrem o mesmo tipo de ataque. Já Novi tem um papel ainda mais ingrato, sendo reduzida a uma admiradora subserviente de Gendibal (quase um animal de estimação) e o destino que lhe é reservado ao final do livro só reforça essa posição. Júbilo, como já disse antes, está no extremo oposto: é apenas uma fantasia masculina moldada para a perfeição, vazia e unidimensional. Para concluir, Limites da Fundação começou para mim como uma promissora continuação da saga e terminou com um retrocesso, enfraquecendo o Plano Seldon, reduzindo os feitos dos personagens anteriores e a própria identidade da série. E, infelizmente, só me resta esperar que isso mude no decorrer dos próximos livros ou terminarei muito frustrada e desejando ter encerrado a leitura desse universo ao final da trilogia original.

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