Eu, Tituba, Feiticeira - Negra de Salem

    Maryse Condé

    Rocco
    1997
    236 páginas
    7h 52m
    ISBN-13: 9788532507488
    Português Brasileiro

    A aldeia de Salem, em Massachusetts, Estados Unidos, ficou famosa no século XVII por uma grande caça e execução de feiticeiras. A histeria provocada por um ambiente rígido e mesquinho fez com que todas as malquistas da aldeia fossem acusadas de bruxaria e condenadas à morte, as que não confessassem, e à prisão as que confessassem e apontassem cúmplices. Tituba, escrava, filha de escrava, é uma das personagens esquecidas dessa lúgubre história. Trazida à luz por Maryse Condé, a voz de Tituba pode ser ouvida neste relato emocionante. Seus amores, decepções, aprendizado e a reviravolta que ocorrem em sua vida quando seu poder, desenvolvido para ajudar as pessoas, começa a ser visto como maléfico.

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    Bookster Pedro Pacifico20/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu,Tituba - bruxa negra de Salém”, de Maryse Condé - Nota 10/10

    Como é bom descobrir uma autora e uma obra tão incríveis! Esse foi um livro que conheci no final de 2019 e, desde que recomendei aqui no #desafiobookster2020, só recebi feedbacks positivos! Autora caribenha, nascida em 1937, Maryse Condé foi vencedora de diversos prêmios literários, tendo em 2018 recebido o New Academy Prize (Prêmio Nobel Alternativo). A obra pode ser enquadrada na categoria de ficção histórica, em que a autora parte de um fato histórico verídico - a morte de Tituba, uma mulher negra e escravizada, condenada por bruxaria pelos tribunais de Salém - e utiliza a ficção para preencher as lacunas dos registros históricos. A vida de Tituba é marcada por rejeição, perdas e sofrimento. O início do livro já nos antecipa o destino triste traçado para a personagem: "Abena, minha mãe, foi violentada por um marinheiro inglês no convés do Christ the King, num dia de 16**, quando o navio zarpava para Barbados. Dessa agressão nasci. Desse ato de agressão e desprezo.” Escravizada ainda na infância, Tituba perde a sua mãe em um triste ato de violência e abuso. A partir disso, descobre e aprende com Man Yayá o poder das plantas e do “invisível” para fazer o bem ao próximo. E é justamente essa sua cultura, essa sua outra forma de enxergar a morte e a ciência, que são utilizados pelo grupos puritanos do século XVII para enquadrá-la como bruxa. Então ser bruxa é ser alguém que se pensa diferente e se coloca em risco para poder ajudar o outro? E apesar do sofrimento desde o primeiro momento de sua vida, encontramos em Tituba uma mulher guerreira e que não se cala ante às discriminações que enfrenta ao longo da sua vida. Isso, na minha opinião, deixa o livro menos angustiante - embora não menos doloroso. Leitura incrível, que nos faz refletir e aprender sobre um período histórico a partir da perspectiva de uma personagem por muito tempo esquecida.

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