Um homem só -

    Christopher Isherwood

    Companhia das Letras
    2021
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786559212934
    Português Brasileiro

    Clássico absoluto da literatura moderna, Um homem só é um livro brutal que aborda o envelhecimento e a solidão de um homem gay com uma crueza lírica e necessária. Entre marés de tristeza e raiva, George, um professor inglês de meia-idade, tenta se adaptar à rotina na ensolarada Califórnia dos anos 1960 após a morte trágica de seu jovem parceiro. Por trás de seu jeito reservado, existe um homem que observa a vida com olhos desejosos. Os corpos masculinos o atraem; a beleza acalenta seu coração dilacerado. Contudo, a sociedade repressora da época inibe a realização de seus sonhos. Ao ser publicado pela primeira vez em 1964, Um homem só chocou muitos leitores com seu retrato franco de um homem gay na maturidade. Considerado hoje um clássico moderno, este livro é uma narrativa comovente sobre amor e solidão. Esta edição conta com posfácio de João Silvério Trevisan. "Através desse inusitado protagonista homossexual, Isherwood dialoga com seu tempo e cultura. A maneira franca e resoluta com que aborda a homossexualidade funciona como uma lente para olhar o mundo a partir de um ponto de vista privilegiado: a sexualidade marginalizada que George habita." – João Silvério Trevisan "Um dos primeiros e melhores romances da literatura gay moderna." – Edmund White "Um testemunho incontestável da genialidade de Isherwood." – Anthony Burgess

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    Daniel Boratto15/05/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Filme e livro

    Eu gostei muito do filme A SINGLE MAN, dirigido pelo Tom Ford (que recebeu no Brasil o título ridículo de "Direito de Amar", completamente despropositado). Esta adaptação foi criticada por alguns pelo "excesso de beleza" - atores, figurantes, cenários, figurinos, etc - que causaria um certo ar artificial em tudo, apesar do trabalho excepcional de Colin Firth e Julianne Moore. Fiquei curioso sobre o livro. Trata-se de um romance semiautobiográfico do britânico Christopher Isherwood, que causou alguma polemica quando foi lançado em 1964 (no Brasil só em 1985 pela Editora Record, e está fora de catálogo - atualizando: felizmente reeditado em 2021 pela editora Cia das Letras), por apresentar como protagonista um professor universitário homossexual que não se conforma com a morte de seu companheiro de longa data. Isherwood descreve com maestria um dia na vida de George, desde o momento em que ele acorda e toma consciência de si mesmo até o adormecer. No meio da sua rotina de acordar, tomar café, se preparar para ir ao trabalho, dar aulas, fazer compras, visitar amigos, etc., há vários pensamentos e reflexões, sensações despertadas pelas mais variadas situações, principalmente as lembranças, a saudade imensa de seu companheiro que morreu. Seria um dia comum na vida dele, a não ser por um detalhe, revelado nas últimas linhas. Em relação ao filme de Tom Ford há uma diferença crucial: além da glamourização exagerada, no filme o George parece profundamente infeliz, incapaz de continuar a viver com a falta de seu companheiro, e planeja meticulosamente seu suicídio. Não há isso no livro. Neste, George vive um dia comum, com seus momentos de tédio, frustração, desesperança, mas também como momentos de alegria (com sua amiga Charley e seu aluno Kenny), inclusive com planos para o futuro. Claro que no livro há mais reflexões, divagações, e uma outra passagem diferente. Mas posso dizer que é um caso raro no qual o filme (deslumbrante) é quase tão bom quanto o livro (magnífico).

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