A Sagração da Primavera - A Primeira Guerra Mundial e o Nascimento da Modernidade

    Modris Eksteins

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    2021
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9786587138626
    Português Brasileiro

    Em um esforço admirável de erudição e síntese, Modris Eksteins traça os paralelos entre as vanguardas artísticas modernistas, com sua sede por uma arte total, e o surgimento e desenrolar da Primeira Guerra Mundial, a guerra total. Mundialmente premiado, o livro que o leitor tem em mãos segue ele mesmo a estrutura de um drama em três atos. O cenário é Berlim, Paris, os campos de Flandres e as trincheiras. Seus personagens são artistas, escritores e políticos, que escreviam — sem saber — o roteiro da tragédia que eles próprios encenavam. No balé de Stravinsky que dá título ao livro, o público é transportado a um festival pagão de boas-vindas à primavera. Mas o que começa com a celebração da vida termina com o sacrifício de uma jovem. No pano de fundo histórico, um ano após a estréia do balé a Europa se veria imersa no conflito mais sanguinário que o mundo conhecera até então. Milhões de jovens que, no início do século, clamavam pela novidade e celebravam os novos tempos, se tornariam então as vítimas sacrificais da nova era que se iniciava.

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    Morgoth 21/12/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Sagração da Primavera: Balé, Guerra, Miséria e Música Clássica.

    "Ah, é um horror, ninguém pode imaginar a guerra até que esteja nela, todos os seres vivos sofrem com ela... Que o kaiser seja amaldiçoado para sempre, que ele nunca mais durma em paz, aquele demônio louco, que ele nunca encontre descanso nem mesmo após a morte...” Do balé de Stravinsky, uma encenação do festival pagão de boas-vindas à primavera para as trincheiras de Berlim, Paris e os campos de Flandres. O que começa na apresentação sendo celebração da vida termina com sacrifício de um jovem; e o que começa com celebração aos novos tempos, modernidade, guerra, terminaria com milhões de vidas sacrificadas fora dos palcos do balé russo. Modris Eksteins reúne nessa obra não apenas seu estudo sobre a história moderna, mas funde os movimentos da primeira guerra com os movimentos da arte passando por autores como Goethe, Nietzsche, pela música alemã (Richard Wagner) balé russo (Igor Stravinsky). "Fleischer encontrou um piano de cauda, um Steinway perfeito, intocado pela fúria da guerra, e sob o piano ele encontrou algumas partituras. O que ele escolheu? Um arranjo para piano das Die Walküre de Wagner. Ele se sentou, tocou e cantou - energicamente, ele anotou — o Lied von Liebe und Lenz. E então foi embora. "Estive em casa, fiz música alemã e agora poderei voltar à guerra". Mas o que torna a cena tão comovente é que o jovem não havia deixado a guerra. Ela estava lá, em volta dele." Brutalmente comovente autor entrega entre as páginas relatos escritos por combatentes em seus diários e cartas enviadas aos seus familiares. Cresça de um admirável mundo novo, heroísmo e sonhos descritos nas primeiras cartas. Transforma na perca da fé, horror, não pertencimento na outrora e já tão distante vida comum: "Membros de corpos eram continuadamente arrancados da terra por bombardeiros. [...] Em um ponto, na saliência de Ypres, todos os homens que estavam sendo substituídos passavam por um braço que se projetava da lateral da trincheira e apertavam a mão dele - "Até mais, Jack". O turno ingressante fez o mesmo ao chegar - "Como vai, Jack?". [...] Um francês em Verdun observou: "O fedor de cadáveres se entranhara em todos nós. O pão que comíamos, a água parada que bebíamos, tudo que tocávamos tinha um cheiro podre". A mutilação era um espetáculo diário em abundância setores." A Sagração da Primavera é uma leitura mais que recomendada para a todos interessados pela primeira guerra mundial, sonhos de uma nação e pesadelo de milhões de pessoas vitimadas meio a lama, projéteis e fome. Brutalmente harmonioso, Modris Eksteins transforma estudo de uma vida, relatos pessoais de e combatentes em uma obra sem igual. "[...] uma geração de homens que, embora possam ter escapado dos projéteis, foram destruídos pela guerra." Texto escrito ao som: Igor Stravinsky – The Rite of Spring: Part One: Adoration of the the Earth: Spring Rounds, além, Richard Wagner - Die Walküre Act 1, Scene 1: Wes Herd dies auch sei.

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