Superinteressante N° 190 (Julho de 2003) - Abraão Existiu?

    Revista com diversas matérias

    Abril
    2003
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    "Ele é chamado de patriarca por 3,2 milhões de cristãos, muçulmanos e judeus. Mas novos estudos duvidam da sua existência. Que legado é esse que influencia metade do planeta há 4 mil anos? Qual é o futuro dessa mensagem se ficar provado que seu criador jamais existiu?" (Maria Fernanda Vomero) Outras matérias de capa: Prêmio Superecologia 2003; Impostos? Argh!; Você é generoso?

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    Julho de 2003

    "Abraão" Diferentemente do que imaginava, em termos gerais, a reportagem corroborou o texto bíblico, exemplificado no ancestral comum para judeus e árabes no contexto em que viveu Abraão, através de pesquisas genética e histórica (que testificou, em diferentes povos, relatos e vestígios que apontam para ele). Aspectos que respondem a pergunta da capa sem adentrar na questão da fé (que muitos alegam dissociada do racionalismo... e em muita coisa é mesmo, sem ser nenhum demérito!). A percepção do que chamaram "Abraão histórico" centrou no texto bíblico, Alcorão e obras apócrifas pouco conhecidas, além de especulações na reportagem. No meu caso, embora tenha alicerce na cristandade, acho importante os levantamentos em paralelo (estimula a investigação bíblica). Entre as abordagens, foi novidade para mim a interpretação no Islã de Ismael como o menino na provação sacrificial de Abraão; o patriarca não mentiu sobre Sara ser sua irmã (conforme o texto exprimiu) e a visita no capítulo 18 não se resume a simples forasteiros a quem Abraão exerceu a hospitalidade exaltada no final da reportagem para falar da paz entre os povos (a leitura da Bíblia contextualmente revela aspectos e arquétipos importantes... mas para quem desejar conhecer). E do racionalismo especulativo, não conhecia a proposição de "henoteísmo" que deram para Abraão (em que o monoteísmo seria por conveniência na escolha de um dos deuses apenas do contexto... não concordo com isso sobre Abraão). Vale também registro para a fé que impacta a percepção racionalista, caso do patriarca e esposa que perto dos cem anos conceberam Isaque. Este fez jus ao nome associado a riso (seja em Abraão e Sara que inicialmente se riram, seja em Ismael, que pelo escárnio ao menino fortaleceu a necessidade de separação grupal para construir sua história, seja pelo nascimento milagroso). Por essas e outras, pela fé no imponderável, com rara dedicação, contestada e mais contestada, Abraão teve a honra em Deus de ser conhecido como pai da fé. Não foi citado, mas além dos dois patriarcas que geraram o povo judeu e árabe, Abraão teve outros filhos. "Prêmio Super Ecologia 2003" Boas ideias persistem, as reportagens são ainda quentes, e com investimento podem trazer grandes transformações. Dei conferida dinâmica nos 16 projetos, deixando em registro: - "Água que puxa água" - o primeiro lugar naquele ano, sobre revitalização de lençol freático em leito que sofreu lixiviação por interferência humana potencializando a escassez de água em zona árida (a solução seria investimento em pequenos açudes ao longo do leito, em vez de somente contemplar a água indo embora em tempo de chuva, que beneficiaria a comunidade e a lenta absorção para os lençóis no leito compactado - obviamente com trabalho conjunto da comunidade em resposta à educação ambiental, como no restabelecimento e proteção ciliar); - "Pneus que viram asfalto" - o nome diz tudo, os pneus são triturados, moídos e misturados ao asfalto, diminuindo o volume descartado, barateando custos e, até onde sei, com resultados positivos, exemplificado em menor absorção de calor e melhor qualidade pavimentar. Diferente do outro projeto, é ideia generalista, que deveria estar ocorrendo em todos os estados. As cidades estão crescendo, com ela a frota e o pneu como resíduo poluidor. A seção "Nostalgia" trouxe cinco novelas com realismo fantástico dos anos 70 a 90. Assisti todas na versão original, menos a dos anos 70, a mais surreal, que acompanhei no remake (Saramandaia). Pena que valorizaram só globais, mas daria para encaixar "Meu pé-de-laranja-lima" (versão da Band em 1980, a melhor de todas, pela simplicidade romântica não superada por outras) e minisséries da Manchete, que explorou esse contexto em várias produções (taí o remake de "Pantanal", e minisséries como "O canto da sereia" e "Ilha das bruxas"). Ah, daria também para o Sítio, com Emília e cia, seja dos anos 70 ou 80...

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