Ao ler Os Cantos na íntegra, deu para entender por que eles são o grande monumento épico de nossa Era. Ao cotejá-los com clássicos greco-latinos como a Ilíada, Odisseia ou Metamorfoses, o que mais me chamou atenção foi notar como o espaço ocupado na Antiguidade pelos deuses foi tomado pelo dinheiro, sua burocracia e suas relações de poder. A tradução de José Lino Grünewald é uma proeza e uma contribuição inestimável para nosso idioma. Infelizmente, a edição não é bilíngue e o original faz muita falta, mas é compreensível por questões de viabilidade editorial. Ainda assim, são 800 páginas de poesia densa, em vários idiomas e alfabetos (tem até partitura musical), ocidentais e orientais, e feita toda de referências históricas e literárias. Pretendo reler, mas na próxima vez com um guia de leitura e no original. Os cantos XXX ("Piedade matou minhas ninfas"), XLV ("Com Usura") e CXX ("Tentei escrever o PARAÍSO") estão entre as coisas mais marcantes que já li na vida.