Achados e Perdidos -

    Luiz Alfredo Garcia-Roza

    Companhia das Letras
    2002
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-10: 8771647658
    Português Brasileiro

    Noite de sexta-feira em Copacabana. Um menino de rua se apodera de uma carteira perdida; uma prostituta aparece morta, asfixiada, em sua própria cama. O delegado Espinosa está atento para um elemento comum aos dois acontecimentos - a figura do ex-delegado Vieira. O velho policial bebe demais, por isso perdeu a carteira. Quando bebe, se esquece de tudo. Nem ele sabe qual foi sua participação - se é que ela houve - na morte de Magali. Um enigma que envolve meninos de rua, uma insinuante mulher sedutora de delegados, matadores de aluguel, policiais corruptos - a escória da sociedade

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    Carla Silva23/06/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Título bem escolhido

    O título não poderia ser mais adequado: Achados e perdidos. Ao longo do romance, tudo se perde e se acha: pessoas, objetos, esperanças, objetivos... A exemplo do que fez em "O Silêncio da Chuva", também aqui Luiz Alfredo Garcia-Roza usa o recurso de cruzar crimes com intenções diferentes por indivíduos diferentes; ou seja, uma ocorrência policial que poderia ser simples, mas que se complica porque se mescla a subtramas e interesses vários. Como sempre, Garcia-Roza consegue escapar das frases feitas e mantém um ritmo invejável na narrativa: esta não é abrupta, privilegiando a ação em prejuízo da criação de atmosfera ou da verossimilhança dos personagens, nem tampouco é recheada de pausas e caprichos estilísticos que podem "soar bem" para um certo tipo de crítico - mas que tornam a história policial arrastada e até chata. Não: ele mantém seu ritmo, seu 'timing' com perfeição. As páginas finais são devoradas em busca da solução e pela ansiedade que a leitura nos transmite, uma boa qualidade num romance policial. A notar, apenas, duas coisas: algumas repetições de informação que parecem desnecessárias (uma falha na revisão final?), deixando o livro menos enxuto do que poderia; e uma suspeita que me assaltou ao terminar a leitura: aqui, como em "Uma janela em Copacabana" os envolvimentos eróticos do detetive Espinosa parecem obedecer a um destino fixo: se a mulher com quem Espinosa se deita é moralmente questionável - adúltera ou prostituta - seu destino é um só: ser assassinada. As outras escapam. Moralismo do autor? Ou inconscientemente esse deseja 'apagar' as transgressões do seu protagonista matando as mulheres com quem errou? Fica a dúvida. Um pouco menos de disponibilidade sexual do herói - ao menos, um pouco de mais critério - soaria melhor. E não deixaria uma impressão dúbia.

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