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    Sátántangó -

    László Krasznahorkai

    Companhia das Letras
    2022
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9786559211159
    Português Brasileiro
    4
    511 avaliações
    Leram705Lendo188Querem1434Relendo0Abandonos49Resenhas136
    Favoritos45Desejados1434Avaliaram511

    Um autor visionário. Um romance implacável e fascinantemente sombrio. Publicado na Hungria em 1985, Sátántangó é um romance monstruoso. A ação se concentra na chegada de um homem misterioso, que pode ser um profeta, um artista, um vigarista, ou o próprio demônio, a uma aldeia húngara onde a chuva não para de cair. Os habitantes do lugar, um elenco de inadequados e enlouquecidos (camponeses desesperados; um médico bêbado observando obsessivamente seus vizinhos; mulheres se prostituindo num moinho destroçado; uma garota com deficiência tentando sem sucesso matar seu gato) descobrem em determinado momento que Irimiás, um homem a quem atribuem poderes extraordinários, e dado como morto, está a caminho do lugar, com sua companheira, Petrina. Para esperá-los, reúnem-se numa taverna, espécie de porão do fim do mundo, onde discutem, bebem e dançam grotescamente ao som de um acordeão. De braço dado com Kafka, Beckett e Walser, o vencedor do International Man Booker Prize László Krasznahorkai nos conduz por um lento fluxo de lava modernista, como se entrássemos e saíssemos de becos impossíveis. O cenário é e não é a Hungria sob o comunismo. O enredo parece apontar para a tentativa desastrosa do país de coletivização agrícola, mas o autor mantém tudo envolto nas brumas da abstração. "É tudo diferente […] Não significa nada termos visto alguma coisa. Paraíso? Inferno? Mundo do além? Bobagem. Tenho certeza de que estamos enganados. E mesmo que a nossa imaginação não pare de funcionar, não chegaremos nem um pouco mais perto da verdade." "O mestre húngaro do apocalipse." – Susan Sontag "Um dos artistas mais misteriosos em atividade." – Colm Tóibín "A universalidade da visão de Krasznahorkai rivaliza com a de Almas mortas de Gógol e supera em muito todas as preocupações da escrita contemporânea." – W. G. Sebald "Suas longas e sinuosas frases me encantam." – Imré Kertész "O tipo de escritor que pelo menos uma vez em cada página encontra um jeito perfeito de expressar algo que alguém sempre sentiu mas nunca foi capaz de descrever." – Nicole Krauss "Profundamente inquietante." – James Wood "Não há nada parecido na literatura atual." – Adam Thirlwell

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 23/10/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Tango De Satã

    Romance de estreia de László Krasznahorkai e o mais acessível de acordo com a crítica, Sátántangó ou O Tango De Satã foi lançado na Hungria, em 1985 e, a despeito do interesse suscitado, levou muito anos para ser conhecido fora de seu país. Primeiramente, em 1994, chegou a adaptação cinematográfica, um desafio em preto e branco de 7 horas de duração que, a cargo de Béla Tar, é considerado um dos maiores filmes do cinema contemporâneo. Quanto ao livro, ele ganhou sua primeira tradução, para a inglês, no finalzinho de 2013 e dois anos depois, foi laureado com Man Booker Prize, fato decisivo para consolidar sua carreira internacional, inclusive, ele acaba de chegar às livrarias brasileiras, com o selo da Companhia das Letras e tradução direta do húngaro de Paulo Schiller. Com 324 páginas, a ação transcorre numa aldeia decrépita e encharcada pela chuva, uma espécie de “coletivo fracassado”, que é habitada por camponeses desiludidos, um médico alcoólatra, jovens prostitutas reunidas num moinho em ruínas e uma menina deficiente cognitiva vagando com seu gato. Eles formam uma polifonia semi-enlouquecida que inesperadamente recebe uma golfada de esperança com a chegada de dois ex-colegas, Irimiás e Petrina, que supunham estarem mortos. O primeiro, carismático e pretensamente dotado de poderes extraordinários, na verdade, trata-se de uma figura misteriosa cujo poder de manipulação sobre uma população fragilizada é o fulcro do livro e também o tema central da obra de Krasznahorkai. Já o segundo, não passa de um fiel ajudante que sobrevive da aliança com o “amigo”. Niilista, melancólico e circular, o romance é uma distopia carregada de alegorias cuja atmosfera claustrofóbica é permeada de um humor maquiavélico. Seu título reporta a uma dança realizada numa taverna, quando todos os presentes estão bêbados, aguardando a chegada de Irimiás. Entretanto, também se refere a estrutura singular da narrativa: movendo-se ora para frente ora para trás, como se baila um tango, nesse caso, uma execução orgiástica num palco sombrio, miserável e infestado por aranhas. No livro, a epígrafe – “Nesse caso, eu o evito esperando por ele.” – foi retirada de O Castelo, de Franz Kafka e não é por acaso. Krasznahorkai nunca escondeu a influência do escritor do tcheco, contudo há uma diferença fundamental entre eles: enquanto Kafka aborda mal sucedidas transformações individuais, Krasznahorkai nasceu e cresceu numa Hungria comunista, isto é, num sistema político em que o coletivo é indissociável da realidade. Por sinal, seu autor é um mestre da escrita. Primorosamente construída, ela prima pelos longos parágrafos, a variação de tons e os caminhos que toma, conduzindo o leitor por uma história fascinante que, marcada pela ressurreição de Irimiás, sinos que badalam sem existir ou aparições fantasmagóricas no meio da neblina, comprova que “mesmo que a nossa imaginação não pare de funcionar, não chegaremos nem um pouco mais perto da verdade.” (Páginas 249 e 250) Enfim, Sátántangó é uma estreia brilhante, superando desafios que seriam intransponíveis sem a genialidade de Krasznahorkai. Um desses livros que vez ou outra tropeçamos e não mais esquecemos. Fazia muito tempo não lia algo tão notável. “… Se eles lessem jornais, saberiam que lá fora a situação é de crise. E não queremos que a crise chegue e destrua nossas conquistas! Mas isso é uma grande responsabilidade, entendem, uma grande responsabilidade!” (Página 44)

    102 curtidas

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    4 / 511
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
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    László Krasznahorkai

    László Krasznahorkai nasceu em Gyula, Hungria, em 1954. Escreveu cinco romances e ganhou numerosos prémios, incluindo em 2013 o Prémio de Melhor Livro Traduzido de Ficção com <i>Satantango</i>. Suas obras também foram adaptadas ao cinema por Béla Tarr, como "As harmonias de Werckmeister"(2000) e "Sátántangó"(1994). Em 2015 foi distinguido com o International Man Booker Prize.

    25 Livros
    40 Seguidores

    László Krasznahorkai