Os ratos -

    Dyonelio Machado

    Todavia
    2022
    202 páginas
    6h 44m
    ISBN-13: 9786556923642
    Português Brasileiro

    Um passeio pelas ruas e ladeiras, pelos cafés e pelas tabacarias da Porto Alegre da década de 1930. Naziazeno Barbosa, funcionário público, tem apenas um dia para liquidar uma dívida de 53 mil-réis com o leiteiro. Ou, então, terá seu fornecimento de leite cortado. Em 28 capítulos curtos, acompanhamos a perambulação do pobre homem por uma então provinciana Porto Alegre. De bonde ou a pé, ele atravessa ruas e praças mergulhado em um estado de angústia existencial, o tempo todo atrás de uma solução. Publicado em 1935, pouco antes da instauração do Estado Novo, este romance vertiginoso e inconformista acompanha a modesta odisseia de um homem comum e sua busca obsessiva, quase delirante, pela sobrevivência num mundo hostil. Esta edição conta com posfácio de Davi Arrigucci Jr.

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    André Ferreira picture
    André Ferreira30/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A angústia da classe trabalhadora

    Na vida da classe trabalhadora os problemas são frequentes. Problemas, orçamentos, dívidas, uma família para sustentar, contas para pagar e uma luta pela sobrevivência. Na esperança de que dá a escritos, reflexos de uma realidade reproduzida, cria-se uma forma equivalente ficcional de uma obra. Em “Os Ratos” obra escrita em 1935 pelo psicólogo e literato Dyonélio Machado, nós temos a reprodução da luta pela sobrevivência da classe trabalhadora em meio a angústia da incerteza de um futuro. A luta pela sobrevivência de numa nascente metrópole nos idos dos anos 1930 no Brasil. O livro retrata a vida de Naziazeno Barbosa, um escriturário da cidade que vaga pelos recantos de Porto Alegre em busca de um empréstimo com agiotas para pagar as dividas e dar alimento a sua família. A narrativa de caráter psicológico apresenta um panorama de 24 horas na vida de Naziazeno, as suas angustias de conseguir algum dinheiro para pagar o leiteiro e dar de comer a esposa e ao filho. Nesse ínterim, vemos a mudança de seu animo, entre a esperança e as frustrações de não conseguir dinheiro, ele apresenta todas as características psicológicas de um trabalhador em busca de sobreviver ao caos da metrópole nascente e a pobreza gerada pelas desigualdades sociais. Em termos gerais o livro é bem fluído. Dyonélio Machado obtém uma construção de uma análise psicológica das angústias e desafios de seu personagem Naziazeno, de uma forma que envolve o leitor. É importante ressaltar a sagacidade do autor em expor liricamente uma crítica à sociedade influenciada e dependente do dinheiro, num construção dramática da angústia de um trabalhador, que batalha pela sobrevivência, numa relação da busca pelo dinheiro e pelos recursos para pagar dívidas, e ainda assim sendo forçado a recorrer de forma a sobreviver a empréstimos, num misto de sentimentos, entre as angústias e humilhações. O autor também critica a forma como as instituições públicas são relapsas em relação aos seus trabalhos, a vida em uma repartição pública e a inação (ou estado ocioso) de alguns trabalhadores que servem ao Estado. Em resumo, o livro apresenta simplicidade, narrativa fluída, lirismo, uma análise psicológica e uma critica social inteligente.

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