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    Os Ratos -

    Dyonelio Machado

    Círculo do Livro
    1980
    166 páginas
    5h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.4
    3234 avaliações
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    'Os Ratos' foi publicado em 1935 e rendeu ao gaúcho Dyonelio Machado o primeiro lugar no prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, ao lado de Erico Veríssimo, Marques Rebelo e João Alphonsus de Guimaraens. Em uma década marcada por grandes romances dedicados aos dramas cotidianos da população mais pobre, Dyonelio transformou Naziazeno Barbosa, atormentado protagonista de 'Os Ratos', em uma das figuras mais marcantes da galeria de personagens desvalidos que povoam a literatura brasileira dos anos 30. Naziezeno precisa de cinqüenta e três mil-réis para pagar a conta do leite e sai pela cidade - Porto Alegre do começo do século XX - para cavar o dinheiro. Como num lance de jogo, a narração seguirá as andanças desse funcionário público, movido pela mais estrita necessidade, durante um único dia. Fonte: https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/literatura-nacional/romances/os-ratos-3146108

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    André Ferreira picture
    André Ferreira30/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A angústia da classe trabalhadora

    Na vida da classe trabalhadora os problemas são frequentes. Problemas, orçamentos, dívidas, uma família para sustentar, contas para pagar e uma luta pela sobrevivência. Na esperança de que dá a escritos, reflexos de uma realidade reproduzida, cria-se uma forma equivalente ficcional de uma obra. Em “Os Ratos” obra escrita em 1935 pelo psicólogo e literato Dyonélio Machado, nós temos a reprodução da luta pela sobrevivência da classe trabalhadora em meio a angústia da incerteza de um futuro. A luta pela sobrevivência de numa nascente metrópole nos idos dos anos 1930 no Brasil. O livro retrata a vida de Naziazeno Barbosa, um escriturário da cidade que vaga pelos recantos de Porto Alegre em busca de um empréstimo com agiotas para pagar as dividas e dar alimento a sua família. A narrativa de caráter psicológico apresenta um panorama de 24 horas na vida de Naziazeno, as suas angustias de conseguir algum dinheiro para pagar o leiteiro e dar de comer a esposa e ao filho. Nesse ínterim, vemos a mudança de seu animo, entre a esperança e as frustrações de não conseguir dinheiro, ele apresenta todas as características psicológicas de um trabalhador em busca de sobreviver ao caos da metrópole nascente e a pobreza gerada pelas desigualdades sociais. Em termos gerais o livro é bem fluído. Dyonélio Machado obtém uma construção de uma análise psicológica das angústias e desafios de seu personagem Naziazeno, de uma forma que envolve o leitor. É importante ressaltar a sagacidade do autor em expor liricamente uma crítica à sociedade influenciada e dependente do dinheiro, num construção dramática da angústia de um trabalhador, que batalha pela sobrevivência, numa relação da busca pelo dinheiro e pelos recursos para pagar dívidas, e ainda assim sendo forçado a recorrer de forma a sobreviver a empréstimos, num misto de sentimentos, entre as angústias e humilhações. O autor também critica a forma como as instituições públicas são relapsas em relação aos seus trabalhos, a vida em uma repartição pública e a inação (ou estado ocioso) de alguns trabalhadores que servem ao Estado. Em resumo, o livro apresenta simplicidade, narrativa fluída, lirismo, uma análise psicológica e uma critica social inteligente.

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