Ruído Branco -

    Don DeLillo

    Schwarcz
    1985
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8585095105
    Português Brasileiro

    Ruído branco, o oitavo romance de DeLillo, é a história de um professor universitário que vive com a família no Meio-oeste americano, numa cidadezinha que é evacuada depois de um acidente industrial. À luz de desastres como o da Union Carbide na Índia, que matou mais de duas mil pessoas e feriu outras milhares (e que acabara de ocorrer quando o livro foi publicado), Ruído branco mantém seu sentido atual e aterrorizante."A grande particularidade de Ruído branco é sua compreensão e percepção da trilha sonora dos Estados Unidos. O ruído branco inclui o som sempre presente do tráfego da auto-estrada, um murmúrio remoto e constante que contorna nosso sono, como almas mortas balbuciando nas margens de um sonho.Não é tanto com o caráter que DeLillo se preocupa: seu tema é basicamente a cultura, a sobrevivência e a interdependência crescente entre o eu e a comunidade nacional e mundial. O homem viril diante dos elementos, o fora-da- lei, o super-herói, existem no mundo moderno apenas como mitos; somos os elementos da natureza, um povo tecnologicamente orientado que nem por isso deixa de estar preso na peneira da história. No que DeLillo escreve existe o suspense e uma inteligência que questiona, um sentido simultâneo do círculo que se amplia e da malha fina da rede."The New York Times Book Review

    Edições (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (7)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (81)Ver mais
    Kelly Oliveira Barbosa picture
    Kelly Oliveira Barbosa07/08/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O caos do mundo contemporâneo

    Minha história com esse livro é engraçada. Comecei a ler sabendo só ser este um livro premiado pelo American Book Award de melhor romance e que tocava na temática “medo da morte no mundo moderno”. Não consegui me conectar com ele, abandonei a leitura. Dali algum tempo ouvi mais sobre o norte americano Don DeLillo e suas obras. Um escritor dedicado ao retrato da vida cotidiana no século XX, a temas diversos como a televisão, esportes, as complexidades da linguagem, a guerra nuclear etc. Comecei a ler de novo, chegando ao fim dessa vez, premiando eu mesma – se possível fosse – o livro. Ruído branco foi publicado a primeira vez em 1985. É o oitavo romance de Don DeLillo (1936- ). O livro se passa em uma pequena cidade fictícia dos EUA, chamada Blacksmith, construída em torno de um campus universitário. A voz narrativa, em primeira pessoa, é a de Jack Gladney. Um homem de meia idade, professor de Hitlerologia nessa universidade – sim ele dá aulas sobre Hitler. Casado pela quinta ou sexta vez, com Babette, casada também pela segunda ou terceira vez. Ambos têm filhos dos outros casamentos que moram com eles. Somos apresentados a vida cotidiana desse casal. Babette tem problemas com o peso, luta com o tabagismo. Jack é tudo o que ele não é no meio universitário. As crianças, personagens extra complexos, vivem questionando, interrogando, inquirindo, pressionando os pais. TVs e rádios ligados o tempo todo. Passeios extraordinários nos supermercados e shopping centers. Excesso de todo tipo de bens de consumo… O livro é dividido em três partes em que basicamente acompanhamos o dia a dia dessa família moderna. Não há uma grande trama a ser resolvida ou a jornada de um herói ou heroína, nem ação ou aventura. É só Jack narrando o seu cotidiano – com a inserção de um ou outro personagem. E aqui meus leitores é uma das características hipermega dessa obra, Don DeLillo consegue prender nossa atenção sem usar nenhum desses recursos. Claro que há pequenos suspenses, mas para quem já leu sabe que não é isso que nos leva até a última página. É o raio-X dos ossos trincados da sociedade norte americana do século XX que me prendeu e chocou de certa forma. O autor descreve uma refeição dentro do carro, com muita batata frita, frango frito, katchup e mãos gordurentas; ou a geladeira cheia de comida diet e light (no séc. XXI fitness) fora da data de validade; ou a mulher que não tira a roupa de ginástica; ou o pequeno Wilder em frente ao fogão com água fervente sem interferência de um adulto; ou a esposa do terceiro casamento ligando para Jack “queria só ouvir sua voz”; ou as perguntas da filha prestes a pegar um avião internacional para a casa da mãe “e se ela não me reconhecer?” “e se ela me raptar?”. Deixando ao encargo do leitor atento a mensagem ou mensagens nas entrelinhas disso tudo ou desse nada. Eis ai outro ponto alto, o livro exige interpretação ativa do leitor o tempo todo. Quase não ouvimos a opinião direta do autor, a escrita sugere a imparcialidade. A identificação do vazio e a falta de sentido na vida dos personagens – na sociedade moderna – é por nossa conta. Soma-se a isso, o jogo que ele faz com o medo da morte. O casal morre de medo de morrer (redundante, eu sei), conversam sempre sobre isso “quem vai morrer primeiro?”. Na primeira parte, esse medo parece ser algo normal, mas após a possível contaminação de Jack por uma nuvem tóxica que pairou sob a cidade, essa tensão cresce em proporções angustiantes. Isso me sugeriu uma reflexão sobre o mundo moderno. Grande é o avanço da tecnologia, da comunicação, da medicina, da ciência como um todo. Aconteceu a revolução sexual, a revolução da família. Surgiram novas drogas lícitas e ilícitas. Mas o problema da morte permanece inalterado, o ser humano continua morrendo. A morte não ficou moderna. Há coisas que me incomodaram bastante neste livro, principalmente em torno dos personagens Murray e os demais professores do campus. Os episódios evolvendo o tal Sr. Gray. E o profundo ceticismo, as comparações baratas entre a crença nas religiões e a crença na tecnologia/medicina. Mas isso também não deve ser creditado a habilidade do autor? A sociedade do século XX não foi mesmo assim? Não percebemos resquícios disso ainda, e constatamos que eles não são nada se comparados ao que vemos no século XXI? Tenho que admitir, o livro é bom. Ao menos por conseguir nos incomodar pelo que já há muito tempo não nos incomoda mais. E levantar é claro, o tema da morte. Lembrar-nos que a “morte” não deve ser ignorada, glamorizada, aliviada, desmentida, eliminada. É o destino dos homens. Eles precisam saber. A morte deve ser sim temida. Ah! E gostei do final, não se preocupe SEM SPOILER. Não vou dizer que é um final bom, mas olhando para a obra toda, encaixou direitinho. Não sobrou nem faltou. PS. Meu texto sobre o livro já terminou. Aqui só um adendo que não poderia deixar de fazer. Só conheço algo capaz de suplantar dos homens o medo da morte: o Evangelho. Que não os faz ignorá-la, glamoriza-la... Os faz acreditar que alguém a venceu. "Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo." (1 Coríntios 15:3-8) "Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?" (1 Coríntios 15:55)

    15 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 778
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%