Publicado em 1930, marco do modernismo iraniano, "A Coruja Cega" é um romance fragmentado, simbólico e alucinógeno escrito do ponto de vista de um narrador não confiável, que desce ao abuso de substâncias e ao declínio mental e físico por causa de seu desejo não realizado. É também uma crítica à prática islâmica tradicional tanto que foi proibido no Irã, apesar de ser amplamente considerado uma obra-prima.
Com uma estrutura de duas partes. A primeira é uma narrativa densa e onírica contada por um narrador sem nome, que se descreve como tendo escapado para além dos limites da cidade, para a solidão grave de seu quarto semelhante a um caixão. Para "matar o tempo", ele pinta as capas de estojos de caneta, reproduzindo obsessivamente a mesma cena todas as vezes. Um dia, ele vê através de uma saída de ar na parede um quadro maravilhoso, mas estranhamente familiar: a mesma cena que ele vem pintando repetidamente, exceto que agora os lírios são pretos. O vislumbre visionário que o narrador tem dessa mulher o exalta e o inspira ao resolver instantaneamente enigmas teológicos.
A segunda parte constitui uma descrição obscura também em primeira pessoa dos estágios da doença febril de um homem e seu casamento infeliz com uma mulher. Durante todo o texto Hedayat faz uso de imagens que constantemente reaparecem, essas associações entre as imagens estabelece um sentimento que insinua a dialética da dissolução e regeneração. Assim o autor identifica a essência de estar vivo como uma compulsão à repetição. É um livro perturbador e contém cenas bastante forte, prepare-se se for ler.