A Europa está cometendo suicídio. Quero dizer que a civilização que conhecemos como Europa está no processo de cometer suicídio, e que nem a Inglaterra nem qualquer outro país pode evitar esse destino, porque todos aparentamos sofrer dos mesmos sintomas e doenças. Consequentemente, ao fim da vida útil da maioria das pessoas atualmente vivas, a Europa deixará de ser a Europa, e o povo europeu terá perdido o único lugar no mundo que podia chamar de lar. Sabemos que os gregos de hoje não são as mesmas pessoas que os antigos gregos; sabemos que o inglês e o francês de hoje não são os mesmos de mil anos atrás. E, ainda assim, todos eles são reconhecidamente gregos, ingleses e franceses — e são todos europeus. Nestas e em outras identidades, podemos reconhecer um grau de sucessão cultural: uma tradição que se sustenta com certas características (tanto positivas quanto negativas), costumes e comportamentos. Ora, o problema não é com a aceitação da mudança, mas com o conhecimento de que, quando essas mudanças ocorrem muito rápido ou de forma muito contundente, pode ser que nos tornemos algo novo que nunca quisemos ser.
A Estranha Morte da Europa - Imigração, Identidade, Islã
Douglas Murray
A Cruzada da era moderna.
O escritor londrino Douglas Murray disseca desde os primórdios a crise migratória da Europa. Já conhecia e já tinha lido um de seus trabalhos mas a vontade de ler essa obra foi através de uma citação em um livro do também britânico Theodore Dalrymple, onde ele discorre a respeito da migração massiva e suas consequências. O problema: desde o final da Segunda Guerra Mundial vem acontecendo um movimento migratório rumo aos países europeus, a princípio um movimento de proporções aceitáveis e até incentivado pelos governos, com objetivo a suprir a mão de obra escassa no pós guerra. Entretanto tal corrente atingiu níveis alarmantes, com uma migração massiva proveniente de países do Levante e de ex colônias ocidentais na África. O que antes era contornável e até parcialmente reverssível tornou-se algo totalmente fora do controle. Mas o problema não se limita apenas a números, a principal questão é a dificuldade de integração dos migrantes devido a conflitos socioculturais mas principalmente religiosos. Os egressos do exterior acabam por instaurar verdadeiros países dentro dos países que os acolheram, com toda sorte de desdobramentos graves e até mesmo dificuldades de aplicação da lei (inclusive com a ocorrência de incontáveis episódios de violência oriundos dos estrangeiros, por motivos culturais e religiosos irreconciliáveis e até por motivos políticos). E tudo isso sob os auspícios de governos lenientes e incompetentes em lidar com o problema. O autor aponta que vários fatores, dentre eles um sentimento de dever para com as ex colônias pobres e um eterno sentimento de culpa pelo imperialismo de outrora, prejudicam a aplicação de um princípio básico quando lidamos com a questão migratória: Em Roma como os Romanos! Com taxas de natalidade infinitamente superiores à dos europeus, assistencialismo integral por parte do Estado e uma resistência extrema dos migrantes em aceitar e internalizar a cultura dos países de destino a Europa vai se diluindo aos poucos, sua população diminui paulatinamente e sua identidade vai se perdendo insidiosamente. Como no mito do navio de Teseu, uma Europa que vai sendo substituída aos poucos continuará sendo Europa? No Reino Unido o nome Mohammad (e suas variações) passou a ser o nome mais comum de bebês masculinos desde 2023. É uma estatística bem representativa das mudanças radicais que vêm acontecendo no velho continente, ao que parece, mudanças irreversíveis. Sem sombra de dúvida ninguém abandona sua pátria de origem por outro motivo que não seja a busca por uma vida melhor, seja fugindo de regimes autoritários violentos ou de situação socioeconômica precária. Mas a Europa deveria ser um lugar para onde qualquer pessoa do mundo pode se mudar e se sentir em casa? No fim fica essa reflexão.
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