A Estranha Morte da Europa - Imigração, Identidade, Religião

    Douglas Murray

    Desassossego
    2018
    351 páginas
    11h 42m
    ISBN-13: 9789898892096
    Português

    A Estranha Morte da Europa é o relato de um continente e de uma cultura à beira do suicídio. A queda nas taxas de natalidade, a imigração em massa e a cultura da autodesconfiança e do ódio tornaram os europeus incapazes de se defender e de resistir à sua transformação abrangente como sociedade. Este livro não é apenas uma análise da realidade demográfica ou política, é também o testemunho de um continente em autodestruição. Em cada capítulo, Murray dá um passo atrás e analisa os temas mais profundos que estão por detrás da possível morte da Europa, de uma atmosfera de ataques terroristas em massa à estável erosão das nossas liberdades. Aborda o desapontante falhanço do multiculturalismo, a viragem de Angela Merkel em relação às migrações e a fixação do Ocidente na culpa. Viajando até Berlim, Paris, Escandinávia, Lampedusa e Grécia, o autor desvenda o mal-estar no coração da cultura europeia e ouve as histórias daqueles que chegaram vindo de longe. E termina com duas visões da Europa - uma de esperança e uma pessimista - que retratam um continente em crise e oferecem uma escolha do que podemos fazer no futuro.

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    Carlos Eduardo De Oliveira Ribeiro picture
    Carlos Eduardo De Oliveira Ribeiro30/04/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    A Cruzada da era moderna.

    O escritor londrino Douglas Murray disseca desde os primórdios a crise migratória da Europa. Já conhecia e já tinha lido um de seus trabalhos mas a vontade de ler essa obra foi através de uma citação em um livro do também britânico Theodore Dalrymple, onde ele discorre a respeito da migração massiva e suas consequências. O problema: desde o final da Segunda Guerra Mundial vem acontecendo um movimento migratório rumo aos países europeus, a princípio um movimento de proporções aceitáveis e até incentivado pelos governos, com objetivo a suprir a mão de obra escassa no pós guerra. Entretanto tal corrente atingiu níveis alarmantes, com uma migração massiva proveniente de países do Levante e de ex colônias ocidentais na África. O que antes era contornável e até parcialmente reverssível tornou-se algo totalmente fora do controle. Mas o problema não se limita apenas a números, a principal questão é a dificuldade de integração dos migrantes devido a conflitos socioculturais mas principalmente religiosos. Os egressos do exterior acabam por instaurar verdadeiros países dentro dos países que os acolheram, com toda sorte de desdobramentos graves e até mesmo dificuldades de aplicação da lei (inclusive com a ocorrência de incontáveis episódios de violência oriundos dos estrangeiros, por motivos culturais e religiosos irreconciliáveis e até por motivos políticos). E tudo isso sob os auspícios de governos lenientes e incompetentes em lidar com o problema. O autor aponta que vários fatores, dentre eles um sentimento de dever para com as ex colônias pobres e um eterno sentimento de culpa pelo imperialismo de outrora, prejudicam a aplicação de um princípio básico quando lidamos com a questão migratória: Em Roma como os Romanos! Com taxas de natalidade infinitamente superiores à dos europeus, assistencialismo integral por parte do Estado e uma resistência extrema dos migrantes em aceitar e internalizar a cultura dos países de destino a Europa vai se diluindo aos poucos, sua população diminui paulatinamente e sua identidade vai se perdendo insidiosamente. Como no mito do navio de Teseu, uma Europa que vai sendo substituída aos poucos continuará sendo Europa? No Reino Unido o nome Mohammad (e suas variações) passou a ser o nome mais comum de bebês masculinos desde 2023. É uma estatística bem representativa das mudanças radicais que vêm acontecendo no velho continente, ao que parece, mudanças irreversíveis. Sem sombra de dúvida ninguém abandona sua pátria de origem por outro motivo que não seja a busca por uma vida melhor, seja fugindo de regimes autoritários violentos ou de situação socioeconômica precária. Mas a Europa deveria ser um lugar para onde qualquer pessoa do mundo pode se mudar e se sentir em casa? No fim fica essa reflexão.

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