Os Escravos -

    Castro Alves

    Fundação Dorina Nowill
    2018
    55 páginas
    1h 50m
    ISBN-13: 9788572326049
    Português Brasileiro

    Os Escravos, publicado anos apenas doze anos após a morte do autor, reúne diversos poemas que Castro Alves escreveu ao longo da vida sobre uma das causas da qual foi grande defensor: o abolicionismo. Em uma sociedade na época habituada a três séculos de escravidão, Castro Alves desperta a atenção para a profunda injustiça e o drama humanitário vivido pelos encarcerados. E convida: Leitor, se não tens desprezo/De vir descer às senzalas,/Trocar tapetes e salas/ Por um alcouce cruel,/ Vem comigo, mas… cuidado…/Que o teu vestido bordado/Não fique no chão manchado,/No chão do imundo bordel.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT14/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poesia da terceira geração do Romantismo

    Toda vez que eu leio o nome de Castro Alves, eu me lembro que nosso país foi a maior nação escravista do planeta, e foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Apesar da morte prematura, aos 24 anos de idade, Castro Alves alcançou notável sucesso por conta de sua ênfase na defesa da liberdade. Tornou-se o poeta mais famoso da terceira geração romântica brasileira utilizando as temáticas abolicionista, lírico-amorosa, lírico-social e existencial. Esta obra póstuma de Castro Alves reúne poesias escritas entre 1865 a 1870. Trata-se de um documento histórico-literário da luta abolicionista e do pensamento romântico brasileiro em sua última fase. Castro Alves celebrou a tradição dos oprimidos, rompendo o silêncio sobre a escravidão que as pessoas da elite se esforçavam para esquecer ou disfarçar. Nesse sentido, sua poesia deu voz ao “outro”, àquele que foi trazido do outro lado do Atlântico pela força bruta da máquina escravocrata. Meus poemas favoritos: “A canção do africano” remete à vida em uma senzala pequena e úmida, onde as pessoas escravizadas cantam e choram pela lembrança de sua terra natal. “Mater dolorosa” traz à tona o dilema moral de uma mãe que prefere sacrificar sua criança ao saber que sua sina é ser escravizada. “Tragédia no lugar” retrata uma africana embalando seu filho e cantando lentamente para que ele não chore. A criança ri com o gesto da mãe, mas se assusta com os barulhos que vêm de fora. O canto é interrompido pela chegada de homens brancos, os quais exigem que a mulher entregue seu filho a eles. “Vozes d’África” é um poema narrado pelo próprio continente africano. Na narrativa, o eu lírico se queixa pelo sofrimento de ver seus filhos levados de sua pátria para serem escravizados.

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