Húmus (Clássicos da Literatura Luso-Brasileira #25) -

    Raul Brandão

    Imaginaribooks
    2023
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9786585641043
    Português

    Taxado de “antirromance” pela crítica da época por sua ousadia formal inaudita, espécie de diário poético com forte sabor ensaístico, Húmus, publicado em 1917 — durante a década que mudou tudo, afinal de contas, na esteira da Primeira Guerra Mundial — é considerado um dos grandes precursores do modernismo português. O cenário é uma vila sonolenta, “encardida” e quase fora do tempo onde só se escuta “o trabalho persistente do caruncho que rói há séculos na madeira e nas almas”, e os personagens são pouco mais que espectros, “que se agitam numa existência transitória e baça”. Enquanto isso Gabiru, o personagem mais falador e intrigante do romance, faz as vezes de alter ego do autor ao se misturar com o narrador. É nesse húmus do título que se dá tanto a imobilidade da vila quanto o movimento mais vital, cíclico, da vida. NOEMI JAFFE, escritora, autora de Lili: novela de um luto e O que ela sussurra, entre outros

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    Denise Maria Souza João17/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Confesso que este livro não foi uma escolha imediata: eu adoro a Carambaia e volta e meia eu entro no site para ver as novidades. Húmus estava lá desde as minhas primeiras visitas, mas não me fisgava. Um dia mudei de ideia. Isto já revela um pouco sobre mim: eu não tenho ideias absolutas, eu mudo o tempo todo. Então tenho que escolher o próximo livro, Húmus está bem visível na estante, uma de minhas últimas aquisições. Faço o que não é costume: abro numa página aleatória e leio isto: "Para não ver, para não ouvir, é que nos curvamos sobre a mesa de jogo. Para te não ouvires a ti mesmo, para não veres o que te gasta a todos os minutos e a todas as horas, usura imensa que não sentes e que te vai levar para o escantilhão sôfrego, que te vai mergulhar no silêncio profundo. Usura de todos os instantes. Gasta-nos, desgasta-nos. E todos os dias acordamos mais velhos, todos os dias acordamos mais inúteis. Todos os dias acordamos com mais fel. E todos os dias com mesuras, sem gritos de terror, nos curvamos sobre esta mesa de jogo, não vendo, fingindo que não existe, o espanto que está ao nosso lado, o espanto pior que trazemos conosco. Chama-se a isto o cotidiano. Isto não tem importância nenhuma. Com isso enchemos a vida até chegar a morte. (...)" Pronto, me ganhou! Descobri que Húmus é como eu... rs... um turbilhão de emoções, sensações e pensamentos que se confundem, às vezes de forma coerente, às vezes não; às vezes são tantas reflexões ao mesmo tempo que elas jorram aos borbotões sem filtro, é preciso atenção. Noutras, os personagens são tão palpáveis que é como se estivessem ao meu lado. É uma leitura difícil pela forma narrativa, mas ao mesmo tempo tão fácil pelos conflitos que apresenta! A vila - e suas figuras femininas - é o ponto de partida, o cenário para as reflexões do autor, mas não há uma história: é um verdadeiro fluxo - e refluxo - de consciência. Se não quer quebrar a cabeça, não leia este livro.

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