Gente pobre -

    Fiódor Dostoiévski

    Pé da Letra
    2020
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786558887546
    Português Brasileiro

    "A gente pobre é caprichosa, a natureza nos fez assim. Eu sentia isso antes, e agora sinto ainda mais. Ele é um homem pobre, é exigente; ele vê esse mundo de meu Deus de um jeito diferente, olha de soslaio para cada um que passa e lança seu olhar confuso ao redor, escuta cada palavra com atenção pensando se não é dele que estão falando ali... O que é pensa, porque aquele ali é tão feio? O que o outro estaria sentindo exatamente? Como ele pareceria, por exemplo, dessa perspectiva, e como ficaria dessa outra? E todo mundo sabe, Várienka, que um homem pobre é pior que um trampo velho, a que ninguém respeita, pouco importa o que escreva! Pois esses escritorezinho que escrevam o que bem entenderem! Tudo vai continuar sendo como sempre foi para a gente pobre". Não perca o primeiro romance do escritor Dostoiévski, com personagens humildes habitantes da cidade russa de São Petersburgo e com uma linda história.

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    Fábio Godói02/11/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Lembre-se de que pobreza não é defeito"

    Gente Pobre é primeiro romance de Dostoiévski e como todo gênio, seja o primeiro livro ou o último todos são bons. Mesmo sendo epistolar, conseguimos nos transportar para o cotidiano dos miseráveis, dos pobres, dos humildes em seu dia-a-dia na antiga São Petersburgo. O livro tem poucas páginas, mas com muito conteúdo, principalmente sobre a pobreza que sempre é acompanhada com doenças. Makar e Varvara, os dois personagens principais, tem em comum o bullying. Este sofreu na infância no internato, aquele sofreu no serviço militar. Como é de praxe, nas obras dostoievskiana, neste livro também encontramos um pouco de filosofia, na qual, Dostoiévski mostra como os pobres são expostos. Em sua visão, os pobres são expostos justamente por serem pobres. Na mente da sociedade o indivíduo pobre não sente vergonha que sua vida seja explorada, verificada, sua casa seja vasculhada, que seu nome esteja na boca de todos que dizem: “Como ele é pobre..., o que ele vai comer no almoço...” isso é mentira, pois o pobre também tem pudor. Para exemplificar, ele diz que, às vezes, por uma pessoa fazer uma doação a um homem pobre, seja em dinheiro ou cesta básica, esse doador pensa que tem direito em vasculhar sua vida e de sair falando de como não encontrou nada na geladeira do miserável. O doador não está fazendo uma doação, mas, pagando para expor a pobreza de outrem. Até a caridade anda confusa, conclui o autor. Não há como não concordar com essa hipótese até os dias de hoje, veja os inúmeros exemplos que temos na televisão. O Programa do Gugu, em seus quadros de doações, de ajudar o próximo, expõe totalmente a pobreza da pessoa, a miséria em que ela vive, com quem vive, mostra para milhões que assiste o programa, para conseguir unicamente audiência. Chama a cidade inteira pra ir ver a doação, para depois, como em um ato de caridade e bondade ajudá-la, dando casa, roupas, móveis. Isso é caridade? De acordo com esse livro não. O programa está pagando para expor (de uma forma sensacionalista) a vida dos ajudados. Todavia, ninguém que recebe está preocupado com isso, muitas das vezes, as pessoas são tão humildes que acreditam que o próprio Gugu seja o misericordioso, o homem caridoso, não se lembram que ele é apenas o apresentador. O Gugu nunca tirou dinheiro de seu bolso, quem paga é a Record com os patrocinadores, quem escolhe quem vai ser ajudado é a produção e direção do programa, ele apenas e unicamente apresenta o quadro. Outra hipótese é sobre as roupas novas. Segundo o autor, compramos botas novas para os outros, não para nós, senão houvesse ninguém pra admirar nossas roupas novas, ficaríamos com as velhas. Contudo, como existem as pessoas para verem, se usamos roupas velhas, corremos perigo de perder a honra, de ser mal olhado na rua, de ser mal atendido em algum lugar... CHEGA! Quanta informação, lições, aprendizado tem em um livro que nada mais é que uma coletânea de cartas. Tem pessoas no mundo que realmente estão a passeio, senão conhecem ou nunca leram nada de Dostoiévski!

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