O Leitor -

    Bernhard Schlink

    Edições Asa
    1998
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9789724120096
    Português Brasileiro

    Um advogado alemão que amou uma ex-guarda de um campo de concentração pode vir a acusá-la sem se trair a si mesmo? É esta a reflexão, entre muitas outras, que Bernhard Schlink nos convida em O Leitor. Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual, secreta e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael. Michael só a reencontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes. Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor é, desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 24 línguas, os respectivos direitos para o cinema foram recentemente adquiridos pela prestigiada produtora norte-americana Miramax. Bernhard Schlink nasceu em 1944, em Bielefeld, e é jurista de formação. Os seus romances anteriores - Die Gordische Schleife e Selbs Betrug - foram galardoados na Alemanha com importantes prêmios literários.

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    Régis Maz10/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Dilemas morais e éticos

    O Leitor é um romance alemão publicado em 1995 pelo professor de direito e juiz Bernhard Schlink. A história do livro possui vários dilemas morais e éticos que despertam muitas reflexões; também gera raiva, emociona e causa empatia e ódio na mesma proporção. O impacto que a relação com Hanna causou na vida do Michael foi o que mais me perturbou. Sei que é através da relação dos dois que o autor faz a distinção entre a geração que participou ativamente do holocausto e a que herdou a responsabilidade de lidar com o legado negativo que o nazismo deixou para o país. Mas me vi refazendo junto com Michael a trajetória da vida de Hanna e empatizando com a personagem a ponto de não ter coragem de odiá-la por completo. É indiscutível que a história faz isso com a gente, ela possui muitas nuances, deixando claro o tempo todo que o bem e o mal são relativos e que não são tão fáceis de serem julgados. E mesmo tentando fazer essa distinção é quase impossível saber separar os dois completamente em uma pessoa e em seus atos. O autor é muito criticado por causar essa empatia no leitor, já que isso seria como entender e perdoar os crimes cometidos por pessoas como ela durante o regime nazista. Ele também é bastante criticado por usar Michael para transformar a geração atual em vítimas da geração anterior, já que são constantemente cobrados pelos crimes cometidos sem que tenham feito parte ou que tenham alguma culpa. Apesar de tudo que está nas entrelinhas desse romance, a história que está na superfície é muito bem contada e bem escrita, possui todo um clima de pós guerra e de devastação que envolve o leitor a ponto de que ao final nos sintamos completamente impactados pelo destino de ambos os personagens. Como eu disse no início: esse é um livro que desperta muitas reflexões e sentimentos contraditórios, e isso torna essa uma obra digna de ser lida e discutida à exaustão. Recomendo para todos, tanto o livro quanto sua maravilhosa adaptação para cinema.

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