O Livro de Areia -

    Jorge Luis Borges

    Quetzal
    2012
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9789725649930
    Português

    «Não mostrei a ninguém o meu tesouro. À felicidade de possuí-lo juntou-se o medo de que mo roubassem, e depois o receio de que não fosse verdadeiramente infinito. Essas duas inquietações agravaram a minha já velha misantropia. Sobravam uns amigos; deixei de vê-los. Examinei com uma lupa a lombada já gasta e as capas e rejeitei a possibilidade de algum artifício. Comprovei que as pequenas ilustrações distavam duas mil páginas uma da outra. Fui-as anotando num registo alfabético, que não tardei a encher. Nunca se repetiram. De noite, nos escassos intervalos que me concedia a insónia, sonhava com o livro.» Excerto de "O Livro de Areia"

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    Régis Maz13/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Treze histórias diversas

    O Livro de Areia lançado em 1975 é a última coletânea de contos publicada por Borges, nele o autor desenvolve temas que já fizeram parte de outras histórias suas ao longo da vida, são contos que têm um sentido quase mágico e que despertam no leitor a sensação de estar em um sonho onde a narrativa detalhada e versátil do autor mostra uma percepção apurada da alma humana nos convidando a mergulhar no teor expressivo e fantástico de seus textos. O primeiro conto traz o tema do duplo, do Doppelgänger; tema esse que sempre entusiasmou Stevenson, de quem Borges gostava bastante, o segundo conto foi inspirado pelas ficções de Kafka, temos também um conto que alude a Lovecraft: a quem Borges sempre julgou um parodista involuntário de Poe; e temos outros contos que falam de cansaço, da melancolia, de amores fugazes, do tempo, da efemeridade da vida, de assassinato político e o último é sobre um livro inconcebível com um volume de páginas infinitas onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, trazendo novamente a obsessão do autor por labirintos à sua narrativa. E como sempre tiveram contos com os quais eu me envolvi mais e outros com os quais eu me envolvi menos, sem que isso fizesse dessa uma leitura menos prazerosa e instigante. Gosto de como a narrativa fantástica de Borges me faz sentir e de como me faz pensar. Essas treze histórias muito diversas me fizeram companhia nessas últimas manhãs, me fazendo admirar ainda mais a escrita hipnótica de Borges. Gosto muito da forma como o autor escreve seus contos e como insere fatos históricos misturando ficção e não-ficção, tornando a experiência de ler seus textos intensa e extremamente original. Recomendo.

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