O Livro de Areia (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #1) -

    Jorge Luis Borges

    Folha de S.Paulo
    2012
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788579490477
    Português Brasileiro

    A literatura, como o tigre, quer perdurar em seu ser, em sua forma; o livro é uma das formas ideais dessa permanência. Como então conceber um livro feito de areia, matéria que se move à toa, na forma imposta pelo acaso ? Esse é apenas um dos paradoxos de que se fez este clássico. Não que Jorge Luis Borges estivesse aqui inventando do nada todos os temas, as estratégias, os giros de linguagem; o leitor vai encontrar, nos contos deste volume, variados e intensos ecos de textos anteriores. Ocorre que estamos no zênite da obra desse escritor, sul-americano por destino, portenho por reflexão, ocidental por convicção, mundial por conquista. A eternidade e certa confeitaria de Buenos Aires, a saga do norte europeu e um singelo peão de estância, a guerra e a poesia, a matemática e a velhice, a formulação abstrata e o relato vivencial, o realismo e a fábula, tudo vai na vaza deste livro de areia, rio infinito que se frequenta como aquele outro, do qual nunca se sai do mesmo jeito.

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    Régis Maz13/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Treze histórias diversas

    O Livro de Areia lançado em 1975 é a última coletânea de contos publicada por Borges, nele o autor desenvolve temas que já fizeram parte de outras histórias suas ao longo da vida, são contos que têm um sentido quase mágico e que despertam no leitor a sensação de estar em um sonho onde a narrativa detalhada e versátil do autor mostra uma percepção apurada da alma humana nos convidando a mergulhar no teor expressivo e fantástico de seus textos. O primeiro conto traz o tema do duplo, do Doppelgänger; tema esse que sempre entusiasmou Stevenson, de quem Borges gostava bastante, o segundo conto foi inspirado pelas ficções de Kafka, temos também um conto que alude a Lovecraft: a quem Borges sempre julgou um parodista involuntário de Poe; e temos outros contos que falam de cansaço, da melancolia, de amores fugazes, do tempo, da efemeridade da vida, de assassinato político e o último é sobre um livro inconcebível com um volume de páginas infinitas onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, trazendo novamente a obsessão do autor por labirintos à sua narrativa. E como sempre tiveram contos com os quais eu me envolvi mais e outros com os quais eu me envolvi menos, sem que isso fizesse dessa uma leitura menos prazerosa e instigante. Gosto de como a narrativa fantástica de Borges me faz sentir e de como me faz pensar. Essas treze histórias muito diversas me fizeram companhia nessas últimas manhãs, me fazendo admirar ainda mais a escrita hipnótica de Borges. Gosto muito da forma como o autor escreve seus contos e como insere fatos históricos misturando ficção e não-ficção, tornando a experiência de ler seus textos intensa e extremamente original. Recomendo.

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