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    Solenoide -

    Mircea Cartarescu

    Mundaréu
    2024
    784 páginas
    1d 2h 8m
    ISBN-13: 9786587955254
    Português Brasileiro
    4.5
    88 avaliações
    Leram115Lendo69Querem471Relendo0Abandonos4Resenhas18
    Favoritos28Desejados471Avaliaram88

    O nome do protagonista deste romance poderia bem ser Mircea Cartarescu. Mas, em vez de escritor de renome internacional e multitude de prêmios, é um professor do ensino público em um bairro periférico de Bucareste. Ainda jovem, um malfadado sarau literário enterrou de vez suas pretensões literárias, restou apenas um diário para atestar o escritor que ele poderia ter sido. Trata-se, então, de autoficção de um duplo imaginário do escritor? Sua vida se resume a ir da escola para casa. Uma casa enorme, em forma de navio, construída por um cientista sobre um solenoide – um gerador de campo magnético que atrai todos os temas e obsessões literárias do escritor Cartarescu, transformando a rotina do professor primário, para além do nonsense educacional e do terror do sistema de saúde, em um caracol de reflexões sobre percepção da realidade, literatura e filosofia. Tudo isso em Bucareste, capital cinzenta de um país sob regime ditatorial e empobrecido, uma cidade melancólica e sufocante, às vezes fantasmal. Magistralmente escrita, <i>Solenoide</i> é uma obra monumental, que põe em xeque as próprias bases do romance. “Para que serve um escritor se não para destruir a literatura?” — <i>O jogo da amarelinha</i>, Julio Cortázar.

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    Resenhas (18)Ver mais
    Gabriel von Gerhardt picture
    Gabriel von Gerhardt14/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma leitura que evoca sensações antagônicas, oscilando entre o encanto com a depuração de algumas frases e a decepção com alguns ornamentos pretensiosos.  O livro é sim cheio de formulações muito inspiradas que por si só compensam a leitura, frases que renderiam até slogans ou tatuagens, ou como diz o protagonista “não podemos ler nada que já não esteja escrito em nossa própria pele”. Mas parece que essas migalhas de inspiração acabam empalidecendo pelo caminho, na medida em que a unidade da obra vacila, esterilizando qualquer senso de totalidade que fertilize sua potência.  Como disse Harold Bloom em outro contexto, esse é o tipo de obra que sucumbe ao peso de sua própria ambição. Pode-se, claro, dizer que o objetivo do livro é ser fragmentário, resistir aos apelos do romance convencional, pois se apresenta como um antirromance, como antiliteratura. Mas mesmo assim acho que o autor não é completamente fiel aos seus pressupostos e o livro não entrega tudo o que promete.  Há múltiplos acontecimentos que se entrelaçam, desordenadamente, pelejando pra compensar o esforço de atravessar essas quase 800 páginas, a maioria deles vale a pena. O autor dialoga bem com suas influências, desde Kafka, até Borges, com diversas alusões inventivas a espelhos, labirintos, bibliotecas, etc. O empenho em formular paradoxos matemáticos e físicos de maneira literária é na maior parte recompensador, rendendo passagens cativantes. O que funciona melhor nesse livro são seus esforços em filtrar os grandes apelos do horror cósmico lovecraftiano para uma escala microscópica (como apontou Alex Castro em sua resenha pra Folha de SP). Se em Lovecraft o catalisador do medo são imensas criaturas marítimas ou mitológicas, aqui o horror viceja no infinitesimal, incorporando a abjeção a partir de sarcoptas, ácaros e etc. Além disso, o corpo do protagonista é esquadrinhado a partir de suas anomalias, como se toda sua vida fosse um revestimento provisório ao redor de feridas e lacunas. Acho que isso vale pra estrutura do livro no geral, no fim seu arranjo inconsistente reflete na forma aquilo que seu conteúdo não cessa de reiterar.

    22 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 88
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    Mircea Cartarescu profile picture

    Mircea Cartarescu

    Mircea Cărtărescu (Bucareste, 1956) é escritor, ensaísta e professor de literatura na Universidade de Bucareste. Originalmente poeta, Nostalgia é sua primeira incursão na prosa ficcional, e teve uma primeira versão bastante reduzida pelos cortes da censura romena. É considerado um dos principais escritores europeus contemporâneos e o mais celebrado escritor romeno – nos últimos anos, recebeu prestigiados prêmios literários europeus, como o Estatal Austríaco (2015), o Thomas Mann (2018), e o Formentor de las Letras (2018).

    10 Livros
    13 Seguidores

    Mircea Cartarescu