Dois Sonhos (Leste) -

    Fiódor Dostoiévski

    34
    2016
    205 páginas
    6h 50m
    ISBN-10: B01MQWFW30
    Português Brasileiro

    Dois sonhos de Dostoiévski reunidos em um único volume. Em O sonho do titio (1859), a trama se passa na cidadezinha imaginária de Mordássov, onde a chegada de um velho príncipe acaba provocando o desmascaramento da hipócrita sociedade local. Já Sonhos de Petersburgo em verso e prosa (1861) combina os registros da prosa e da poesia para construir uma visão ao mesmo tempo crítica, cômica e fantástica da cidade de São Petersburgo.

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    Arsenio Meira15/06/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    DRAMA, COMÉDIA, LIRISMO...DOSTOIÉVSKI. SEMPRE ELE. ÚNICO.

    "Dois sonhos" traz a novela "O sonho do titio" e uma espécie de crônica, ou folhetim de acordo com a tradução de Paulo Bezerra, intitulada "Sonhos de Petersburgo em verso e prosa. "O sonho de titio" é um escracho. A comédia é a ferramenta do escritor para expor a decadência acelerada da aristocracia russa em sua época. Os personagens principais são um velho príncipe completamente gagá e Maria Alieksandróvna, a maior fofoqueira da cidade de Mordássov, quiçá do mundo. Maria quer porque quer casar sua filha, a bonitona Zina com o príncipe, mesmo contra a vontade da moça. Zina é a única personagem decente e nobre da trama cheia de quiproquós, mas acaba jogando o jogo do jeito que ele é jogado. Dostoievski é implacável. É provável que sua capacidade de observação dos seus contemporâneos tenha determinado essa característica. Essa personagem protagoniza uma sequência de intensa carga dramática, a agonia e morte do rapaz por quem era apaixonado, o que quebra completamente o ritmo da novela ao intercalar drama logo após os trechos mais engraçados da comédia. Ser capaz de articular gêneros narrativos tão diferentes - sem perder o fio da meada - é coisa para gênio. O mais importante é que não é apenas a linguagem ou a estética dos grandes romances escritos nas duas décadas seguintes, já presentes nas novelas curtas. A inquietação do escritor diante das repercussões no ser humano, das grandes mudanças econômicas e sociais em curso na Rússia do século XIX, é a principal “marca” de Dostoievski nesses escritos mais breves. Para encerrar, também vale muito a pena a crônica/folhetim sobre a vida intelectual de São Petersburgo, foco do texto que completa o volume e escrita para uma revista editada pelo seu irmão Mikhail. O leitor do século XXI, um pouco mais crítico e insatisfeito com as futilidades e repetições de jornais, revistas, portais na internet, irá identificar em Dostoievski um porta-voz quando ele diz: “o mais lamentável é que eles de fato imaginam que se trata de novidades. A gente pega um jornal, não tem vontade de ler: em toda parte é a mesma coisa…”

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