A mulher que escreveu a Bíblia -

    Moacyr Scliar

    Companhia das Letras
    2025
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788535939781
    Português Brasileiro

    Nesta sátira de costumes em que a linguagem erudita convive com a de baixo calão, Moacyr Scliar oferece novas e irreverentes versões para conhecidos episódios das Escrituras, em uma narrativa ao mesmo tempo profana e apaixonada. *Prêmio Jabuti 2000 de Melhor Romance. Uma mulher de nosso tempo, empregada de uma loja de louças, submete-se a uma terapia de vidas passadas e conclui que numa encarnação anterior, há três mil anos, foi ela que escreveu a primeira versão da Bíblia. Por meio de um relato em primeira pessoa, conhecemos a trajetória dessa personagem anônima, filha de um pastor de cabras do deserto, que vai a Jerusalém e torna-se uma das setecentas esposas do rei Salomão, apesar de sua notável feiura. Por ser a única letrada do harém, o soberano a encarrega de escrever a história do povo judeu, ainda que para isso ela entre em conflito com os sisudos escribas oficiais da corte. É pelos olhos dessa mulher feiíssima e intelectualmente brilhante que percorremos os bastidores da corte de Salomão e a vida cotidiana da Jerusalém de seu tempo. Por essa via oblíqua, Moacyr Scliar constrói uma narrativa fascinante, que é ao mesmo tempo sátira e romance de aventura. Como costuma acontecer nos livros do autor, o humor irreverente anda de braços com um profundo humanismo, cujo traço mais evidente é a simpatia pelos deserdados e excluídos.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo14/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sagrada sacanagem

    Humor refinado. Uma história original. Dois elementos que nas mãos de Moacyr Scliar viram magia. E que magia. É incrível como a ficção abre possibilidades para o imaginário, não é mesmo? É o desconhecido tangível. Em “A mulher que escreveu a Bíblia”, Moacyr Scliar exerce com proeza a arte milenar de contar histórias. E faz mais: faz isso com uma obra histórica. Partindo de uma premissa muito básica que envolve o principal documento da cultura judaico-cristã, Scliar deixa claro logo nas primeiras linhas que somente o território da ficção torna o impossível possível. A leitura desse livro é sobretudo divertida. Não há como sair indiferente e não dar pelo menos uma risada das situações vividas pela nossa protagonista. E tem mais: Scliar cria uma voz feminina com propriedade aqui, e mesmo não sendo natural, é crível. Além disso, brincar com situações que povoam o imaginário coletivo e com personagens que podem ter sido reais ou, melhor ainda, ficcionais, é um campo perfeito para um escritor que conhece bem suas qualidades de escrita - e o gaúcho sabia muito bem das suas. Posso estar errado, mas identifiquei alguns acenos para o clássico ocidental “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, pois há discussões sobre vaidade, pecado, poder e a eterna - porém tosca - batalha entre beleza e inteligência, aqui muito bem explorada. Ah, é claro, e a história tem bons momentos sobre sexo, algumas pitadas (ou seriam observações?) de feminismo e os malditos espelhos! “A mulher que escreveu a Bíblia” é um oásis em nossa produção recente, vale a pena se perder nele. É fácil de ler, gostoso de acompanhar e imprescindível para indicar. Além disso, funciona como um belo cartão de visitas para a produção do acadêmico Scliar. Virou favorito.

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    4.1 / 3015
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