Nihonjin -

    Oscar Nakasato

    Fósforo
    2025
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9786560000742
    Português Brasileiro

    Romance de estreia de Oscar Nakasato e vencedor do prêmio Jabuti, Nihonjin — que significa “japonês” — é uma saga familiar contada a partir da vida de Hideo Inabata, um imigrante orgulhoso da própria nacionalidade que, como tantos conterrâneos, aporta no Brasil no início do século 20 para trabalhar nas lavouras de café do interior de São Paulo. Imbuído da sagrada missão de levar recursos ao seu país natal, conforme orientação do imperador aos seus súditos, Hideo logo se defronta com mais dificuldades do que imaginava, e as expectativas dos primeiros dias no navio logo se transformam diante do trabalho árduo e dos choques culturais na nova terra. Ele, no entanto, não cede às dificuldades: resiste à morte da primeira esposa, Kimie, e rejeita as influências da cultura local apresentadas pelos filhos nikkei Haruo e Sumie com a inflexibilidade do que considera ser a honra de um autêntico nihonjin. Narrada pelo neto de Hideo, Noboru, essa saga lança luz sobre o amor, a união, as distâncias e as diferenças de três gerações de uma comunidade que há mais de cem anos vem se emaranhando a outras para tecer juntas os fios da história brasileira. Da vida dura na lavoura ao comércio no bairro da Liberdade, em São Paulo, da hospitalidade de um país que se abriu para imigrantes às perseguições sofridas por este mesmo país durante a Segunda Guerra Mundial, Nihonjin retrata os dilemas no seio da comunidade nipônica, e vai além ao destrinchar o que há de mais universal na dor humana de ver os próprios sonhos se esvaírem. Quando foi publicado pela primeira vez, em 2011, o romance logo conquistou a crítica, angariando os prêmios Benvirá (2011), Nikkei — Bunkyo de São Paulo (2011) e Jabuti (2012) na categoria romance. Depois de ser adaptado para a animação Meu avô é um Nihonjin (2024), o livro volta em nova edição para reencantar leitores com a jornada da família Inabata, e, como afirma Leonardo Sakamoto no texto de orelha: “Nihonjin é um espelho, talvez desconfortável. Porque, no final, todos estamos tentando responder à mesma pergunta: quem somos nós nesta imensa lavoura chamada Brasil?”.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT05/01/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Minhas impressões de leitura

    Nihonjin conseguiu me conquistar já no início, onde o autor utiliza a metalinguagem de forma indireta para comentar sobre a memória e a capacidade de reinventá-la. Vi uma entrevista em que ele fala que baseou-se nas histórias que ouvia de seus antepassados e na sua própria vida para escrever essa ficção. Nessa entrevista, Oscar Nakasato também fala de suas dificuldades de publicação e sobre outra obra que lançou recentemente, intitulada “Dois”. É curioso como a temática do racismo anda me perseguindo ultimamente, mesmo sem querer. O narrador conta um pouco como foi o processo de adaptação entre japoneses e descendentes de africanos e italianos no Brasil. Gostei muito da parte dedicada a uma personagem que, mesmo sendo discriminada por sua cor de pele, demonstra sua admirável habilidade com ervas medicinais. Há uma cena da qual não vou me esquecer tão cedo: quando uma personagem olha pela janela e fica imaginando situações passadas no Japão... Realmente os personagens iniciais são muito bem construídos. Quase chorei vendo o quanto a mão-de-obra dos imigrantes foi explorada. É bem triste saber como eles foram ludibriados pelo governo, e mesmo assim, persistiram em tentar preservar sua cultura ao mesmo tempo em que precisavam se adequar às leis brasileiras, que eram rígidas principalmente quanto ao hábito da linguagem e da religião. Acho que o autor conseguiu introduzir muito bem os dramas familiares, o saudosismo japonês e a condição das personagens femininas. Falando em personagens femininas, eu gostei do tratamento da submissão aos homens no texto, pois o enredo ficou verossímil sem necessitar de muita interação com os leitores; ficou tipo “mostre, não conte”. A partir da metade, parece que acabei me distanciando um pouco da narrativa. No início havia um clima bastante promissor, depois, o narrador foi progressivamente trazendo tantos conflitos que eu senti falta de saber um pouco mais. Mesmo assim, pretendo reler. Enfim, não é um livro surpreendente, mas é muito interessante pela temática da imigração; a escrita do autor é muito boa. Embora seja um livro fininho, foi emocionante poder lê-lo devagar, acompanhando as reflexões e angústias dos personagens; e as palavras em japonês até que são fáceis de compreender (não sei se é porque estou acostumada a assistir animes).

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